Acontecem na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina, entre 24 a 27 de setembro, o X Congresso Brasileiro de Bioética e II Congresso Brasileiro de Bioética Clínica, cujo mote é Bioética: Saúde, Pesquisa e Educação. Com cerca de 1.200 inscritos, esta edição tornou-se, até então, a maior em público, perdendo apenas para o Congresso Mundial de Bioética realizado em 2002, em Brasília, no Distrito Federal.
Participaram da abertura oficial dos eventos, no Centro de Convenções Sul, em Florianópolis, entre outros, o presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), Roberto Luiz d'Avila, além de, respectivamente, os presidentes da Sociedade Brasileira de Bioética (SBB) Cláudio Fortes Lourenzo e da regional Santa Catarina da SBB, Bruno Rodolfo Shlemper Júnior, responsáveis pela organização dos encontros.
A ocasião foi marcada pela emoção, com uma homenagem ao presidente de honra do Congresso, William Saad Hossne, primeiro presidente da SBB. Nesse sentido, tomaram a palavra dois ex-alunos do professor Hossne – que, na verdade, se autointitulam seus “discípulos” – Reinaldo Ayer de Oliveira e José Marques Filho, ambos conselheiros do Cremesp. Em sua fala, Ayer citou o amplo currículo desse professor de 87 anos – um dos criadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo\FAPESP, e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa\CONEP, pioneira no país ao emanar as primeiras normas éticas sobre pesquisas envolvendo seres humanos.
Ayer cumprimenta o homenageado da noite, William Saad Hossne
Em sua homenagem, Ayer lembrou ainda de sua época de residência médica, tutelada por Hossne, tornando-se depois um de seus primeiros alunos em ética médica. “O professor Hossne aplica ousadia e coragem em tudo o que faz”, destacou o conselheiro. José Marques Filho optou por ilustrar (e embasar suas palavras) com o quadro “Os Filhos de Sócrates” que esboça, segundo ele, uma sensível análise sobre mestres e discípulos. “O professor Hossne formou mais de 110 discípulos, entre mestres e doutores, não produziu ‘clones’", citou, ao ressaltar que o velho mestre se encontra em pleno atividade, no Centro Universitário São Camilo.
Cursos, mesas-redondas e conferências
Os trabalhos do X Congresso de Bioética, porém, se iniciaram antes de sua abertura oficial: pela manhã, no dia 24, tiveram espaço no Centro de Convenções vários cursos, mesas-redondas e conferências, distribuídos nas salas destinadas aos encontros. Os cursos tiveram como temas, entre outros, Bioética Aplicada à Pesquisa em Seres Humanos; Fundamentos de Bioética; e Bioét ica e Saúde Pública.
As mesas-redondas focaram temas como Diretivas Antecipadas e Terminalidade da Vida; Ensino da Bioética para profissionais da Área da Saúde; e Reprodução Assistida: Controvérsias e Atualidades.
No entanto, até o 2° dia de Congresso o ponto alto foi a conferência do professor espanhol Diego Gracia, um dos bioeticistas mais festejados da atualidade, que abordou A Ética dos Cuidados Paliativos: Entre a Convicção e a Responsabilidade. Destacando que “toda a ética surge depois de um processo intelectual completo, que parte da pergunta: ‘o que devemos fazer?’”, Diego, como é conhecido, ressaltou que há, pelo menos, quatro valores que podem entrar em conflito no contexto das decisões relativas à fase final da vida. São eles: 1) a contra-indicação médica (princípio Bioética da Não-Maleficência); 2) a futilidade terapêutica (que envolve a Beneficência); 3) a gestão eficiente de recursos (Justiça); e 4) a “decisão” do paciente (Autonomia).
O Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo está representado no evento pelos conselheiros Antonio Pereira, Eurípedes Balsanufo Carvalho, José Marques, Rui Telles e Silvana Morandini, além de Reinaldo Ayer.
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Texto: Centro de Bioética do Cremesp
Fotos: Imagem&Arte
Tags: bioética, congresso, cuidados paliativos, Hossne, homenagem, bioética clínica.
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