SM_90_FINAL_COMPLETA

ED I TOR I AL 26 • SER MÉDICO DOS S I Ê : | EM FOCO território brasileiro, atualmente só podem ser coletados, pelo sistema público de saúde, os exames dos profissionais da área, de sintomá- ticos e dos pacientes com SRAG. Como todo teste laboratorial, há possibilidade de resultado fal- so negativo (viremia baixa, erro de técnica de coleta ou de armazena- mento). No caso de um indivíduo com alta suspeição de infecção pelo SARS-CoV-2 apresentar re- sultado negativo, recomenda-se que o exame seja repetido após 2 a 4 dias do primeiro, para excluir a possibilidade de falso negativo. Consideram-se grupo de risco os pacientes com hipertensão ar- terial sistêmica, diabetes, doenças cardiovasculares, neoplasias, pes- soas com idade < 5 ou ≥ 60 anos, imunossuprimidos, portadores de doenças pulmonares, pacientes obesos, gestantes e puérperas. Estudos iniciais sobre fisio- patologia da infecção demostra- ram que há grande liberação de citocinas pró-inflamatórias no soro desses indivíduos, como por O2 (PaO2) e cálculo da troca gaso- sa que, estando diminuída (< 300 mmHg), indica a necessidade de oferta de oxigênio e realização de tomografia computadorizada (TC) de tórax sem contraste como exa- me de referência. Sabemos que TC não é realida- de em centros menores e, assim, qual seria o papel da radiografia (RX) de tórax para esses pacien- tes? Até o momento nada nos permite prescindir da TC na ava- liação de Covid-19. Estudos publi- cados pontuam que as alterações no RX são tardias e, pela premên- cia em iniciar suporte ventilatório e medidas de isolamento, o RX não faz parte dos protocolos para o diagnóstico desta patologia. Anormalidades nas imagens de TC foramdetectadas nos pacientes com SRAG ou que evoluíram para ela na grande maioria dos casos (98%), com exames demonstrando envolvimento bilateral, com múlti- plas áreas lobulares e subsegmen- tares de consolidação associada a padrão em vidro fosco, geralmente de acometimento periférico. [1] [1] REVISTA FAPESP/AMERICAN JOURNAL OF ROENTGENOLOGY (AJR) Tomografia em paciente de Wuhan, China, mostra lesões nos dois pulmões, que aparecem como zonas esfumaçadas exemplo IL1B, IL6, IL12, IFN , IP10 e MCP1, e que o aumento dessas estava associado à extensa in- flamação pulmonar nos pacien- tes com SARG. Pacientes graves de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) foram os que mais apresen- taram aumento dessas citocinas. Os exames laboratoriais de ad- missão desses pacientes infecta- dos demonstram maior frequência de leucopenia (< 4.000 leucócitos totais, associada à linfopenia, ge- ralmente < 1.000 linfócitos). O PCR (proteína C reativa) não foi um bom marcador de atividade inflamatória ou gravidade, assim como a maioria dos pacientes apresentavam níveis séricos normais de procalcitonina (< 0,1 ng/mL). O aumento de CPK (creatinofosfoquinase) foi discre- to, com dosagens maiores que 200 U/L, em alguns casos estando re- lacionado à injúria muscular decor- rente da presença de receptor de ECA2 no músculo esquelético. A gasometria arterial é essen- cial nos pacientes com queixa res- piratória, sendo método útil para verificação da pressão parcial de SER MÉDICO • 27 A repercussão pulmonar traz hipoxemia grave, com necessi- dade de suplementação de O2 e, muito frequentemente, intu- bação orotraqueal. Estratégias de ventilação mecânica têm sido estudadas para reduzir o impacto do vírus nos pulmões e favorecer a recuperação de pacientes. Mas ainda paira a dúvida: deve-se adotar tal abordagem com um paciente com SRAG, como até então fazíamos, ou há algo novo? Até o momento não foi postulado que, de alguma forma, a ventila- ção mecânica seja superior às ou- tras. Entretanto, é consenso que o suporte ventilatório invasivo se dê precocemente e que se ventile o paciente sempre com estraté- gia protetora, evitando a hiper- distensão alveolar. Sob outro as- pecto, nos anos 2000 utilizamos a estratégia de pronação de pa- cientes sob ventilação mecânica com resultados favoráveis e, hoje, em tempos de SARS-Cov-2, ob- servamos que o posicionamento de pacientes dessa forma (decú- bito ventral) traz benefícios se há hipoxemia grave. Segundo dados oficiais dos países acometidos, o número de internações hospitalares chega em torno de 30% dos infectados, o número de casos graves, 20%, sendo que desses, cerca de 10% irão necessitar de cuidados de UTI, e a evolução para óbito, na China, está em torno de 3,4%, enquanto, na Itália, observa-se 6,2%. Quando se avalia a mortali- dade por faixa etária, percebe-se que são maiores na população masculina e acima de 60 anos. Nos casos mais graves são des- critas várias complicações, entre as quais, cardíacas (sendo as mais frequentes arritmias), choque, in- suficiência renal aguda, disfunção hepática e infecção secundária.  *Mônica Bannwart Mendes, médica infectologista assis- tente do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medi- cina de Botucatu – Universidade Estadual Paulista (Unesp) Camila Bonfanti Baima, médica neurologista assisten- te do HC da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) Patrícia Maria Sales Polla, médica intensivista, chefe do Setor de Terapia Intensiva do HC da Faculdade de Medicina de Botucatu (Unesp) Referências 1. Huang C, Wang Y, Li X, Ren L, Zhao J, Hu Y, et al. Cli- nical features of patients infected with 2019 novel coro- navirus in Wuhan, China. Lancet. 2020;395(10223):497- 506. doi: 10.1016/S0140-6736(20)30183-5 2. Mao L, Wang M, Chen S, He Q, Chang J, Hong C, et al. Neurological manifestations of hospitalized patients with COVID-19 in Wuhan, China: a retrospective case series study. medRxiv. 2020 Feb 25;20026500. doi: 10.1101/2020.02.22.20026500 3. World Health Organization. Clinical management of severe acute respiratory infection (SARI) when COVID-19 disease is suspected. Interim guidance. Geneva; 2020 March 13. 4. Kumar S, Caton J, Ahuja N. COVID-19 Adult quick clinical guide: initial considerations and workup. Stanford: Stanford University Department of Medicine; 2020. 5. Guo Y, Cao Q, Hong Z, Tan YY, Chen SD, Jin HJ, et al. The origin, transmission and clinical therapies on coro- navirus disease 2019 (COVID-19) outbreak – an update on the status. Mil Med Res. 2020;7(1):11. doi: 10.1186/ s40779-020-00240-0 6. Li YC, Bai W-Z, Hashikawa T. The neuroinvasive po- tential of SARS-CoV2 may play a role in the respiratory failure of COVID-19 patients. J Med Virol. 2020;1-4. doi: 10.1002/jmv.25728 7. Baig AM, Khaleeq A, Ali U, Syeda H. Evidence of the COVID-19 Virus Targeting the CNS: Tissue Distribution, Host-Virus Interaction, and Proposed Neurotropic Mechanisms. ACS Chem Neurosci. 2020;11(7):995-8. doi: 10.1021/acschemneuro.0c00122 8. Mao L, Wang M, Chen S, He Q, Chang J, Hong C-D, et al. Neurological manifestations of hospitalized patients with COVID-19 in Wuhan, China: a retrospective case series stu- dy. BMJ. 2020;1-26. doi: 10.1101/2020.02.22.20026500 9. Guan W, Ni Z, Hu Y, Liang W, Ou C, He J, et al. Clinical characteristics of coronavirus disease 2019 in China. N Engl J Med. 2020;1-13. 10. Murthy S, Gomersall CD, Fowler RA. Care for critically ill patients with COVID-19. JAMA. 2020;323(15):1499-500. 11. Savarino A, Bounavoglia C, Norelli S, Di Trani L, Cassone A. Potenal therapies for coronaviruses. Expert Opin Ther Pat. 2006;16(9):1269-88. doi: 10.1517/13543776.16.9.1269 12. Pan American Health Organization. COVID-19: Chloro- quine and hydroxychloroquine research. Washington; 2020. [2] FILADENDRON/ISTOCK [2] Todos pacientes com suspeição deveriam ser testados por meio de coleta de swab nasofaríngeo, analisada pelo método de RT-PCR

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