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Edição 84 - Julho/Agosto/Setembro de 2018

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Hobby

No topo do mundo

Médica ortopedista, Tatiana Batalha pratica vários esportes,
mas o alpinismo é o seu favorito. Já chegou ao cume de duas das sete montanhas mais altas da Terra, e relata suas experiências, inclusive como médica, em um blog


Tatiana no acampamento base do Monte Elbrus, dias antes da tentativa de alcançar o cume; foto de fundo: acampamento alto, Mountaineering Course, Alaska


"Chegar ao cume de uma montanha provoca uma sensação difícil de resumir em palavras. É uma mistura de sentimentos e reflexões sobre a vida, a nossa finitude e a preciosidade de fazer parte de algo tão grandioso que é o universo. Dias antes você estava olhando para cima para ver aonde pretendia chegar. E, após muito esforço e dedicação, olha para baixo e vê tudo o que foi percorrido até chegar ali, agradece por ter conseguido e pensa que há outras montanhas para escalar. É uma conexão com a
natureza, com a Terra e com o Criador, quem quer que ele seja. Percebemos que somos ´insignificantes` sozinhos, mas também que temos muita força ao sentir que somos parte do todo. É complexo...”

A descrição é da médica ortopedista Tatiana Batalha Cunha dos Santos, que divide seu
tempo entre a medicina, as atividades físicas e as viagens para praticar seu hobby favorito, o alpinismo. A paixão pela natureza surgiu cedo, quando ainda era criança, e aumentou com o passar do tempo. Fazendo trekking – caminhada por trilhas naturais, com diferentes graus de dificuldade – durante uma viagem a Fernando de Noronha, no terceiro ano da Residência, descobriu que queria fazer escaladas em montanhas cada vez mais altas. “Fui percebendo que conforme aprendemos e conhecemos a natureza,
somos capazes de ir aonde tivermos vontade; é só começar a treinar, fazer cursos, conhecer pessoas e ter novas ideias”, explica.

Formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, em 2003,
quando começou a praticar alpinismo, a ortopedista trabalhava muito para juntar dinheiro para as viagens, que aconteciam nas férias ou feriados. Porém, reorganizou sua agenda para praticar o esporte com mais frequência. Atualmente, trabalha em
prontos-socorros de dois hospitais. “Trabalhei em consultório com colegas, fazendo cirurgias eletivas, mas gosto de PSs. Continuo trabalhando bastante, mas os plantões
possibilitam, devido à maior flexibilidade, planejar as viagens, uma vez que podem ser
concentrados em alguns períodos”, explica.

Inicialmente, ela não sabia qual curso fazer. Optou primeiramente por Engenharia, mas percebeu que gostaria de trabalhar em contato com pessoas e decidiu fazer Medicina. Fez Residência em Ortopedia, também na Santa Casa, com especialização em trauma ortopédico. “Para escolher Ortopedia foi um drama, pois gostava também de Cirurgia Geral. Só me decidi pela Ortopedia depois de conversar muito com os professores de ambas as especialidades”, comenta.

Alturas e incidentes

           

Tatiana costuma escalar grandes montanhas uma ou duas vezes por ano. No restante do tempo, faz travessias na Serra da Mantiqueira, na Cordilheira do Espinhaço, em Minas Gerais; e vai a cada dois meses, quando os plantões permitem, escalar rochas em São Bento do Sapucaí, Andradas e Pedra Bela. “Essas práticas são importantes para a minha saúde física, da mente e da alma”, assegura. Para manter o preparo físico, a médica não abre mão da natação, de caminhadas, aulas de jazz, yoga e, desde o início deste ano, também Pilates.

Dentre as montanhas que Tatiana escalou até o cume, as mais altas foram o Monte Aconcágua, de 6.962 m, na Argentina, em janeiro de 2016; e o Kilimanjaro, de 5.895 m, na Tanzânia, em 2016. Ambas fazem parte dos denominados Sete Cumes, as sete montanhas mais difíceis do mundo. Outros montes cujos topos a ortopedista atingiu foram o Huayna Potosi, de 6.088 m, na Bolívia, em julho de 2015; o Cerro San Francisco, de 6.018 m, na fronteira entre a Argentina e o Chile, em março de 2016; e o Cerro Acotango, de 6.052 m, na Bolívia, em setembro de 2016. Escalou ainda o Kala Patthar, de 5.643 m, fazendo trekking até o acampamento-base do Monte Everest, em 2011.

Além da experiência em escaladas, Tatiana acumula também muitas histórias, incluindo alguns incidentes. Um dos mais marcantes ocorreu durante a subida ao Monte Elbrus, na Rússia, em uma expedição que visava chegar ao cume da montanha. A apenas 142 metros do topo, uma tormenta fez com que ela ficasse cerca de 50 minutos sozinha, sem conseguir enxergar (confira mais detalhes no box abaixo). De outra vez, voltando
do topo do Monte Aconcágua, a médica torceu o joelho esquerdo. “Tive de descer caminhando até o acampamento-base e de lá, dois dias depois, de helicóptero, até a entrada do parque. Fiz um exame no dia seguinte e, como imaginava, era uma lesão do ligamento colateral medial, confirmada quando cheguei ao Brasil. Tive de fazer fisioterapia durante seis semanas e, ao final, já estava pronta para outra montanha”, conta. Também fez um corte no cotovelo e quebrou uma costela durante outra queda
escalando uma rocha, na qual, pela primeira vez, atuava como guia; além de ter vivenciado dois terremotos, um no Chile e outro na Bolívia. Apesar dos incidentes, a médica nunca pensou em parar de praticar o esporte.

Sozinha em meio a uma tormenta

“No Monte Elbrus, o ponto mais alto da Europa, com 5.642 m de altitude, fiquei em meio
a tormenta, sozinha, quando faltavam 142 m para chegar ao topo. Tentei manter a calma, pois o guia havia me dito que voltaria. Porém, o tempo passava e comecei a me preocupar. Não enxergava nada, e nem sinal de mais alguém por perto. Comecei a pensar: ‘e se tiver uma avalanche? E se algo acontecer comigo aqui? Falei para meu irmão que, se algo acontecesse comigo na montanha, não era para ir atrás do meu corpo. Mas não imaginava que seria aqui... Ainda tenho muita coisa que quero fazer na vida, muitos projetos...’. Quase comecei a chorar. Porém, respirei fundo e concluí que
chorar não ia adiantar nada. Era preciso fazer algo, Acalmei-me, e a primeira ideia foi gritar para ouvir se o guia ou alguém respondia. Como não tive resposta e não sabia o que me esperava em direção ao cume, tomei a decisão de descer. A única coisa que eu via era uma bandeira vermelha, que marcava o caminho para baixo. Pensei: ‘vou seguir as bandeiras, pois se algo acontecer, devem vir me procurar no caminho marcado’. Fui descendo bem devagar, com medo de escorregar. Conforme avançava, comecei a ver umas manchas negras que sumiam e desapareciam em meio a nevasca e me perguntava se eram rochas ou pessoas. Ao me aproximar, vi que eram pessoas. Ouvi chamarem meu nome e perguntarem se era eu que gritava de longe. Fiquei feliz em ver que era o restante do grupo que vinha atrás. Perguntaram- me se eu tinha visto duas pessoas caírem, comentando que a cena não fora bonita. Ficaram sabendo que eram do nosso grupo quando viram um dos guias que nos acompanhavam descendo e correndo para fazer o socorro. Eles estavam parados lá fazia 50 minutos, decidindo o que fazer. Foi aí que descobri o tempo que tinha ficado sozinha. Eu disse para os amigos que meu cume era ali, que não tentaria prosseguir. Ainda não enxergávamos nada e não sabíamos como estavam os integrantes que caíram. Esperamos mais um pouco, e todos optaram por voltar para o acampamento. Conforme descíamos, o tempo foi melhorando. Fiquei emocionada quando ouvimos pelo rádio que uma pessoa estava bem, porém não entendemos a informação sobre a outra. Fiquei preocupada, pensando se nosso amigo estaria bem, se estaria vivo... Quando nos aproximamos do ponto de encontro, vimos três pessoas se movendo. Fiquei aliviada, eram os dois que caíram
e o guia. Pouco tempo depois chegaram outros dois amigos e o guia russo que haviam conseguido chegar ao cume. Estávamos todos bem e voltamos juntos ao acampamento.”

Escrita

O alpinismo ajudou Tatiana a descobrir outro hobby, a escrita. Durante um curso de teatro, ela relatou uma de suas aventuras nas montanhas. Os ouvintes acharam a história tão emocionante que a médica decidiu escrever sobre algumas experiências e as publicou o texto no site Alta Montanha, de um amigo. Também publicou textos no site Mountain Voices. A partir daí o gosto pela escrita se tornou tão intenso que decidiu
criar seu próprio blog Cientista da Vida (http://tatianacientistadavida.blogspot.com), no
qual escreve sobre suas vivências nas montanhas, como médica, e faz reflexões sobre a vida.

Com tanta produção e muitas histórias ainda por contar, a ortopedista já foi questionada sobre quando irá escrever um livro. Quem sabe, futuramente, escreva um, diz. Por enquanto, ela quer trabalhar, viajar e aproveitar a vida fazendo as atividades que gosta. “Como disse Vinicius de Moraes, a vida é uma só, enquanto ninguém me provar com uma carta assinada por Deus, registrada no cartório, que tem outras, o momento
de fazer as coisas é esse”, conclui Tatiana.

(Colaborou: Ariane Bertolino)


 


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