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PONTO DE PARTIDA (pág. 1)
Bráulio Luna Filho - Presidente do Cremesp


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Kátia Maia - diretora da Oxfam Brasil


CRÔNICA (pág. 10)
Lusa Silvestre*


ESPECIAL (pág. 12)
Médico humanista - Aureliano Biancarelli


SINTONIA (pág. 19)
Medicina translacional


EM FOCO (pág. 22)
Complexo Industrial-militar, por Isac Jorge Filho*


CARA NOVA (pág. 25)
Nova Ser Médico


MÉDICOS NO MUNDO (pág. 26)
Ana Letícia Nery


GIRAMUNDO (pág. 30)
Medicina & Ciência


PONTO.COM (pág. 32)
Mundo digital & Tecnologia científica


HISTÓRIA DA MEDICINA (pág.34)
Das Misturas e Poderes das Drogas Simples


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 37)
Antonio Pereira Filho*


CULTURA (pág. 38)
Histórias de vidas anônimas


TURISMO (pág. 42)
Turquia/Curdistão


CARTAS & NOTAS (pág. 47)
Espaço dos leitores


FOTOPOESIA (pág. 48)
Mensagem de Ano Novo


GALERIA DE FOTOS


Edição 73 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2015

EM FOCO (pág. 22)

Complexo Industrial-militar, por Isac Jorge Filho*

A perda da capacidade de indignação


 

Em tempos de profunda politização do movimento estudantil na Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto, assim como em todo País, falávamos da luta por um Brasil mais justo e humano, que não estivesse atrelado aos interesses dos poderosos, fossem brasileiros ou estrangeiros. O maior algoz era, para nós, uma coisa chamada “complexo industrial-militar”, que ditava os rumos do mundo em função de seus interesses comerciais, disfarçados como “luta pela democracia” ou “luta anticomunista”, geralmente ficando atrás das cortinas e agindo por meio de terceiros que realmente acreditavam nessa corrente, ou que eram testas de ferro contratados. Entendíamos que as sedes desse complexo estavam espalhadas pelo mundo, com a unidade central nos Estados Unidos. O golpe militar de 1964 varreu essa juventude universitária politicamente esclarecida. Todos conhecem muito bem a história daquela época.

 

Leio agora, mais de meio século depois, que o gasto militar tem crescido, chegando, em 2008, ao quase inacreditável total – no mundo – de US$ 1,46 trilhão; em 2013, a US$ 1,75 trilhão; e, em 2014, a U$1,77 trilhão. Apenas este último valor corresponde a cerca de R$ 7 trilhões. Os dados são do Instituto Internacional de Estudos para a Paz (Sipri), sediado em Estocolmo, Sué­cia (www.sipri.org). Nesse site, e também no do International Institute for Strategic Studies (www.iiss.org), podemos avaliar o poder de fogo no mundo. O ranking dos cinco maiores gastos militares variam de ano para ano, mas não fogem muito do que se tem no quadro ao lado.

Com certeza, parte importante desses gastos é vendida para outros países. Não consegui encontrar quanto cada país vende ou compra em armas, mas quero me aprofundar na análise desses dados.

O convívio, no mundo “globalizado”, tem nos tornado insensíveis ao que representam os grandes números. Um telespectador se horroriza, com razão, diante de um crime cometido na rua, mas não presta muita atenção à notícia de um bombardeio que matou 80 pessoas, inclusive crianças, na Líbia, Iraque, Afeganistão, Kosovo e tantos outros países... Afinal, é tão longe! Essa “anestesia” de sensibilidade é produto da chamada globalização, como também o é não se indignar ao saber que o gasto com armamentos é mais de 200 vezes maior que o que se gasta para combater a fome, promover o desenvolvimento agrícola e melhorar, de forma paliativa, a situação nutricional das populações de países pobres que lutam contra a dificuldade de obter alimentos, devido à baixa produção ou ao alto preço. São dados da FAO (Food and Agriculture Organization), da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgados na Conferência de Alto Nível sobre Segurança Alimentar, realizada em Ro­ma. É indispensável que cada um pare e pense um pouco e, por isso, vale repetir: o mundo gasta para matar mais de 200 vezes o que gasta para aliviar a fome da população mais pobre do planeta.

Volto a lembrar do “complexo industrial-militar”. Estávamos certos, é ele mesmo o grande vilão. E continua agindo por meio de terceiros, nos últimos tempos incluindo a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e a própria ONU. Derrubam governos, elegem ou impõem outros, que, muitas vezes, acabam sendo nada mais que executivos de luxo de um interesse maior, que é absolutamente comercial. Afinal, eles têm o melhor negócio do mundo: fabricam e vendem armamentos que, em última análise, são pagos com o dinheiro do povo para o qual essas armas levam morte e destruição. Ou alguém ainda acredita em “ajuda” militar?

O Iraque sairá, um dia, do domínio a que está submetido a partir de uma guerra baseada em mentiras, admitida até pelos seus executores. Mas, talvez, não saia nunca mais do lodaçal econômico em que se envolveu, já que terá de pagar dólar por dólar, euro por euro, libra por libra, cada bomba que foi jogada sobre sua população. Ou será que ainda pensam que esses gastos ficarão por conta dos Estados Unidos ou da Inglaterra? Ou ainda, ingenuamente, que a indústria bélica vai pagar a conta? Vale lembrar que cada rifle de assalto custa US$9 mil; um míssil Tomahawk, US$1,6 milhão; e uma aeronave F-35 chega a astronômicos US$160 milhões.

Há pouco tempo chegou a vez da Líbia. De repente, descobriram que Kadhafi (ou Gadhafi, ou seja lá o que for) era um ditador sanguinário. Parece que ele sempre foi, mas não haviam desconfiado disso enquanto forneciam armas para seu exército (fornecer, aqui, significa vender mesmo). Forças da OTAN passaram a despejar bombas na Líbia. Alguém pagou por elas. Não foi a indústria bélica. Ela só recebeu. O grupo vencedor “precisa se proteger” e continua comprando armas. E paga, mas a mídia chama isso de “ajuda”. Se Kadhafi tivesse vencido, ele compraria mais armas para se manter no poder. Se fosse impedido de comprar oficialmente, não teria dúvidas em fazê-lo “no paralelo”, mas o dinheiro sairia do mesmo lugar: do povo líbio.

 


O F-35 (EUA), avião mais caro da história, custa
US$ 160 milhões cada ano

 

A filosofia do “complexo industrial-militar” é claramente traduzida na ideia “fantástica” da “bomba limpa”. E o que vem a ser isso? Nada mais, nada menos, que uma bomba que mata pessoas, mas não destrói casas, propriedades e objetos. Pronto, está aí a definição de objetivos dos que comandam o mundo: as propriedades e os bens materiais valem muito mais que as pessoas, que a vida.

Lamentavelmente, o poder no mundo decorre do dinheiro, que vem, principalmente, dos negócios. E não há melhor negócio no mundo do que produzir e vender armas. Pena que o preço maior não é pago em dinheiro, mas em vidas e desgraças. Até quando?

 

*Isac Jorge Filho é médico, ex-conselheiro e ex-presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp)

 


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