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PONTO DE PARTIDA (pág. 1)
Bráulio Luna Filho - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 4)
Kátia Maia - diretora da Oxfam Brasil


CRÔNICA (pág. 10)
Lusa Silvestre*


ESPECIAL (pág. 12)
Médico humanista - Aureliano Biancarelli


SINTONIA (pág. 19)
Medicina translacional


EM FOCO (pág. 22)
Complexo Industrial-militar, por Isac Jorge Filho*


CARA NOVA (pág. 25)
Nova Ser Médico


MÉDICOS NO MUNDO (pág. 26)
Ana Letícia Nery


GIRAMUNDO (pág. 30)
Medicina & Ciência


PONTO.COM (pág. 32)
Mundo digital & Tecnologia científica


HISTÓRIA DA MEDICINA (pág.34)
Das Misturas e Poderes das Drogas Simples


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 37)
Antonio Pereira Filho*


CULTURA (pág. 38)
Histórias de vidas anônimas


TURISMO (pág. 42)
Turquia/Curdistão


CARTAS & NOTAS (pág. 47)
Espaço dos leitores


FOTOPOESIA (pág. 48)
Mensagem de Ano Novo


GALERIA DE FOTOS


Edição 73 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2015

CRÔNICA (pág. 10)

Lusa Silvestre*

Calvície: o melhor remédio é o charme

 

Pouca gente nota, mas sou careca. Rasparam meu cabelo quando entrei na faculdade, e de lá pra cá a coisa não melhorou. Conheço o assunto. Portanto, me surpreendi com essa notícia dos japas terem descoberto a cura da calvície, com o uso de células-tronco. A princípio, desconfiei; são poucos os orientais realmente carecas. Perto de 20% da população (segundo o Japan Times). Então, qual a razão de perder tempo pesquisando? Não é um problema nacional, manja? Segundo a mesma publicação, 41% dos holandeses são carecas – mas eles preferiram inventar a Heineken do que um remédio pra as entradas. Também prefiro.

De cara, implico com esse termo: “cura”. Porque pressupõe que calvície é doença. Me recuso a olhar para esta minha cabeça redonda, graciosa e útil (sirvo de ponto de referência em qualquer Lollapalooza) e julgá-la como patologia. Chamar calvície de doença é coisa de quem nunca foi careca (por exemplo, japoneses, como queríamos demonstrar).

Ser careca é ótimo. Não tem demérito nenhum. E dá trabalho, sim. Um careca cônscio é vaidoso. Tem que raspar, passar protetor solar, hidratante e até cera Nugget, se a calva estiver opaca. O careca responsável precisa, inclusive, cuidar do resto da cara – porque a falta de cabelo em cima acaba evidenciado os pelos que sobram pela cachola em geral. Qualquer negligência mínima se destaca. Uma sobrancelha descabelada aparece bem mais quando não há como cobrir a testa. Mesma coisa com a orelha peluda: ela é bem mais vistosa com a gente. Praticamente um aviso luminoso em meio à aridez capilar. Dá a impressão que a barba está querendo invadir o cérebro pelo buraco do ouvido. Não pode.

Já tomar banho é ótimo, por exemplo. O pouca-telha sente a água batucando diretamente na cabeça. Na hora do soninho, o travesseiro refresca. Até o cafuné rende mais, posto que feito diretamente na pele. A gente se arruma mais rápido, o ralo do nosso banheiro nunca entope e – pasmem: segundo a Universidade da Pensilvânia, nós temos me­-nos chance de câncer de próstata. Somos um modelo evoluído – desde que as orelhas es-tejam aparadas.

Aí o cabeludo, em defesa da categoria, argumenta que cabelo é item de beleza superior e charme: dá pra deixar crescer, tingir de ruivo, fazer trancinha e até coque casal-trivago. De fato, carecas não se divertem com o cabelo. Mas usam gorros, de cores variadas e marcas sofisticadas. Se a natureza não foi pródiga, a moda ajuda. É fato: desde que o Bruce Willis apareceu que careca é sinônimo de sedução fashion.

Falei do Bruce (a gente se trata pelo primeiro nome), mas posso citar Kelly Slater, Zidane, Stanley Tucci, Guardiola, Jason Statham – e por aí vai. Temos nosso borogodó. Não somos de jogar fora.

O único problema do careca é querer renegar a raça. É querer virar as costas para os seus. É querer enganar o próximo. O grande problema do careca é o implante. Ou, Deus nos livre, a peruca. Aí, não. Vamos manter a dignidade. Melhor raspar tudo, passar um perfuminho, adotar um chapéu-panamá. Dá certo também; tem sempre quem goste. Vai por mim, sou careca desde que entrei na USP.

 

* Crônica publicada no blog “Xavecos e Milongas”, na editoria Estilo do site do jornal O Estado de São Paulo. Além de cronista, Lusa Silvestre é publicitário, roteirista e autor do livro de contos Pólvora, Gorgonzola & Alecrim.

 

 


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