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CULTURA (págs. 38 a 42)
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+CULTURA (págs. 42 a 43)
Galeano & Grass


TURISMO (págs. 44 a 47)
Ouro Preto e Diamantina


FOTOPOESIA (pág. 48)
Eduardo Galeano


GALERIA DE FOTOS


Edição 71 - Abril// de 2015

TURISMO (págs. 44 a 47)

Ouro Preto e Diamantina

Pelos caminhos dos diamantes

José Marques Filho e Vera Marques*





 

Procurando uma alternativa para praticar algum esporte, sem monotonia, apostamos nossas fichas no ciclismo. Isso aconteceu há cerca de dois anos e, desde então, percorremos trajetos na zona rural de Araçatuba e região, três vezes por semana. A prática nos deu o condicionamento físico necessário para ir mais além e fazer a cicloviagem no Caminho dos Diamantes.

O roteiro – entre Ouro Preto e Diamantina – é um dos quatro da Estrada Real, que tem também o Caminho do Sabarabuçu, o Caminho Velho e o Caminho Novo. Estávamos prontos, animados e abertos para tudo o que estava por vir. Passaríamos o Natal e o Réveillon pedalando nas montanhas mineiras.

Nosso grupo – composto por sete ciclistas, cinco deles com boa experiência em cicloviagens – fez os 395 km do roteiro em oito dias. A maior parte do trajeto é por terra, serpenteando por entre serras e vales. O ponto de partida foi a fascinante Ouro Preto, conhecida pela riqueza e grandiosidade do maior conjunto de arquitetura barroca do Brasil. Construída por escravos e artistas como Aleijadinho, no auge do ciclo do ouro, a antiga Vila Rica possui valioso acervo cultural em suas igrejas e museus. Em cada rua, cada esquina, cada cume de morro, somos surpreendidos por uma igreja que guarda, em suas paredes e altares, um pouco da história da cidade.

Entre Ouro Preto e Diamantina encontram-se as cidades de Mariana, Camargos, Santa Rita Durão, Catas Altas, Santa Bárbara, Barão de Cocais, Cocais, Bom Jesus de Amparo, Itambé de Mato Dentro, Morro do Pilar, Conceição do Mato Dentro, Alvorada de Minas, Serro, Milho Verde e São Gonçalo do Rio das Pedras.

Além do charme dos pequenos municípios, as colossais serras do Caraça, do Tabuleiro e do Espinhaço formam um cenário inesquecível para quem percorre o Caminho dos Diamantes. As atrações turísticas são inúmeras, mas destacamos o aqueduto Bicame de Pedra, entre Santa Rita Durão e Catas Altas, construído em 1772; o sítio arqueológico da Pedra Pintada, em Cocais, com centenas de pinturas rupestres com mais de 8 mil anos; o bucólico Museu do Tropeiro, em Ipoema, distrito de Itabira (a famosa terra de Carlos Drummond de Andrade), bem estruturado, marcando a importância histórica do tropeirismo; e o Caminho dos Escravos, em Diamantina, uma bem conservada estrada de pedra, do século 18; além das charmosas igrejinhas e belas cachoeiras espalhadas pelo caminho. E, claro, a comidinha mineira e seu tempero típico.


Grupo fez um planejamento cuidadoso, mas cicloviagem implica estar
com o espírito preparado para algumas privações


Inspiração

O trajeto, cuja manutenção é feita pelo Instituto Estrada Real, tem 1.926 marcos de concreto e 726 placas. Fundado em 1999 pela Federação de Minas Gerais, o órgão conseguiu impulsionar turisticamente o percurso histórico que, em sua totalidade, reúne 199 municípios mineiros, paulistas e fluminenses. A inspiração veio do Caminho de Santiago, entre os Pirineus franceses e a cidade espanhola de Santiago de Compostela, mas sem o viés religioso.

Ao longo do percurso completo de 1.600 km da Estrada Real, as construções coloniais, as joias da arte mineira e muita natureza ajudam a recontar a história do Brasil e formam um dos caminhos preferidos pelos praticantes de aventura.


A pé, o percurso pode ser feito, em média, em 20 dias


Em geral, os viajantes gastam, em média, sete dias de bicicleta e 20 a pé para percorrer o Caminho dos Diamantes, mas isso varia conforme o ritmo que o turista quer dar à viagem. Dos 395 km, 26% são asfaltados, 0,5% é trilha, e os outros 73,5% são estrada de terra. Mas o que vale é o caminho em si. E, claro, a história revelada por ele.

As dificuldades do caminho trazem as melhores lições. Os sacrifícios fazem a viagem transcender o turismo convencional e a recrea­ção pura e simples, levando o turista a passar por um processo introspectivo rumo a riquezas reais como o autoconhecimento e a capacidade de se superar e seguir, com liberdade, seu próprio caminho.

Ao concluir nosso trajeto, encontramos outra das mais importantes cidades da era colonial brasileira, Diamantina, cuja fama começou com a descoberta da pedra preciosa de mesmo nome, por volta de 1730. De lá para cá, ficou conhecida pelo patrimônio colonial repleto de igrejas deslumbrantes como as de São Francisco de Assis e do Rosário, e pelos personagens emblemáticos que ali viveram, entre eles Juscelino Kubitschek e Chica da Silva.

Como é característico de uma cicloviagem, vimos de tudo um pouco, do asfalto plano e lisinho a duras subidas em terrenos adversos, grandes e movimentadas cidades e pequenas localidades esquecidas no tempo. Tivemos a oportunidade de enfrentar os mesmos obstáculos dos primeiros desbravadores, pois as montanhas ainda estão lá e representam o que há de mais original no caminho, pois nunca mudaram desde o descobrimento.
 



Duas rodas

    Uma cicloviagem é uma empreitada que requer um cuidadoso planejamento relativo ao percurso e à logística, tais como as características da bicicleta, equipamentos de reparos obrigatórios, materiais para hidratação e de primeiros socorros, um mínimo essencial de roupas para o percurso (com um peso total nunca superior a 10% do peso corporal), relação das cidades e atrações imperdíveis etc.


O grande diferencial é a interação com os moradores das cidades visitadas e o contato direto com a natureza. Contudo, é necessário estar com o espírito preparado para algumas privações. Além de eventuais dores e dificuldades na estrada, há a questão das acomodações e da alimentação, que apresentam características especiais e, pode-se dizer, típicas, em relação a viagens de turismo convencional.

Há um contato informal com quem recebe os viajantes. Um dos locais onde nos hospedamos, por exemplo, era uma pequena chácara, na qual fomos recebidos carinhosamente por um casal de aposentados. A mesa estava posta para o café da tarde, com o famoso pão de queijo mineiro, e o fogão a lenha aceso durante o delicioso jantar com comidas típicas de Minas Gerais.

Não bastassem todos esses charmes, o ciclismo, como qualquer esporte, acrescenta alguns valores que podem ser levados para o cotidiano: estabelecer e cumprir metas, superar obstáculos e vivenciar cada fato no momento em que ele acontece.

 



Caminhos e descaminhos

Em meados do século 18, conta o Instituto Estrada Real, já eram muitos os caminhos que conduziam às minas de Minas Gerais, mas também muitos eram os seus descaminhos. Para evitá-los, a Coroa Portuguesa determinou que o ouro e os diamantes deixassem as terras mineiras apenas por trilhas outorgadas pela rea­leza, que receberam o nome de Estrada Real.

Inicialmente, o trajeto – hoje denominado Caminho Velho – ligava somente a cidade de Paraty às províncias auríferas do interior de Minas, até a antiga Vila Rica, hoje Ouro Preto. Contudo, “a Coroa Portuguesa percebeu a necessidade de um trajeto mais seguro e rápido ao porto do Rio de Janeiro, surgindo então o Caminho Novo. E, ainda no século 18, surgiram outras trilhas para exploração dos diamantes, hoje o belo Caminho dos Diamantes”, informa a entidade. A Estrada Real exerceu papel fundamental no desenvolvimento político, cultural e socioeconômico do Brasil.
 

REFERÊNCIAS

Olinto, A.; Asprino, R. Guia Estrada Real – Caminho dos Diamantes para ciclistas e caminhantes, http://www.olinto.com.br/index.php/guia-livro-dvd-viagem-bicicleta/estrada-real-caminho-diamantes

http://kaujakcaminhodosdiamantes.blogspot.com.br
http://www.institutoestradareal.com.br
 

Fotos das págs. 44-45 – Instituto Estrada Real:

1. Ouro Preto; 2. Bicame de Pedra – Trecho da ER entre Catas Altas e Santa Bárbara; 3. Sítio Arqueológico da Pedra Pintada no Distrito de Cocais; 4. Casa da Gloria em Diamantina
 

*José Marques Filho é médico reumatologista e Vera Marques, psicóloga
 


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