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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág. 1)
João Ladislau Rosa - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (págs. 4 a 9)
Vandana Shiva e Jeffrey Smith


CRÔNICA (págs. 10 a 11)
Tufik Bauab*


SINTONIA (págs. 12 a 15)
Bactérias resistentes


DEBATE (págs. 16 a 22)
Financiamento do SUS


CARTAS & NOTAS (pág. 23)
Aplicativo para mobiles


CONJUNTURA (págs. 24 a 27)
Ideias para o Sistema Único de Saúde


MÉDICOS NO MUNDO (págs. 28 a 31)
Fernando Nobre


GIRAMUNDO (págs. 32 a 33)
Curiosidades & Novidades


PONTO.COM (págs. 34 a 35)
Informações do mundo digital


HISTÓRIA DA MEDICINA (págs. 36 a 38)
Médico, poeta e criador da abreugrafia


CULTURA (págs. 39 a 43)
Obras ilustram Metrô de SP


TURISMO (págs. 44 a 47)
Alter do Chão


FOTOPOESIA (pág. 48)
Gilberto Mendonça Teles


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Edição 69 - Outubro// de 2014

CRÔNICA (págs. 10 a 11)

Tufik Bauab*

O fair-play, a joie de vivre e o savoir-faire

As crônicas da Ser Médico, em geral, e particularmente as que eu escrevo, têm um tom leve e bem humorado. Mas, aos 64 anos, está difícil levar a vida levemente. Um dos candidatos a deputado federal que tiveram mais votos é um palhaço (até aí tudo bem, todos o somos para determinados políticos), cujo tema de campanha foi: “não sei para que sirvo, mas se me elegerem vou tentar descobrir e conto para vocês”. Debochando do trabalhador que pega o trem às 5 da manhã, para chegar ao trabalho, e debochando do cidadão que paga os impostos que o mantêm.

Até a palavra que define o estado de espírito ficou envelhecida. Como na última vez em que falei joie de vivre e meu interlocutor ficou me olhando com aquele olhar de paisagem.

O cotidiano começa a ficar pesado. Comprei um carro novo e estava maravilhado, até descobrir que não tinha pneu de reserva. Me explica o vendedor que o carro avisa quando a pressão do pneu cai. Fiquei curioso, querendo saber quem iria medir a pressão do pneu. O carro não tinha estepe, mas talvez tivesse um macaquinho ou um anão escondido no porta-malas, que, sabe Deus como, dava um jeito de descobrir que o pneu estava vazando (aliás, nos dias de hoje, este é um comentário perigoso, alguém pode achar que estou usando anão e macaco de maneira politicamente incorreta, e me processar, ou por fogo na minha casa).

Paciente, o vendedor explicou que quando o pneu murcha, o diâmetro da roda se altera e a rotação sai da sincronia com os outros três, o que é detectado pelos sensores do veículo.  E depois posso rodar 180 km em baixa velocidade até reparar o pneu.

Satisfeito com a explicação, saí feliz com a ideia de que não mais precisaria me preocupar com o tal estepe, embora infeliz com a impossibilidade de, na hora de vender o carro, poder dizer: “carro de médico, o estepe nunca rodou”.

Antes do odômetro marcar 600 km, lá veio o aviso: pneu dianteiro com pressão inadequada. Por sorte, estava na vizinhança da concessionária, e para lá me dirigi. Moça educada, e bem treinada, a que me atendeu. – Bom dia, senhor. Em que podemos ajudar? – O pneu do carro furou e precisa de reparo.  Com um sorriso, ela me pergunta: – O senhor agendou o atendimento?  Me ajude, joie de vivre. Me socorra, fair play. Me auxilie, savoir-faire.  Fui paciente com a moça: – Este pneu é um rebelde, um distraído, parece o Eduardo Jorge, nosso colega candidato a presidente, furou sem agendar. Mas vou ter uma conversa com ele e pedir que, da próxima vez que for vazar, avise com antecedência,  assim posso agendar o atendimento com você.

Você começa a perceber que está ficando rabugento quando no seu smartphone está escrito blz, lol, omg e começa a gritar palavrões contra a “aniquilação da língua portuguesa”. Coisa de rabugento, todos sabemos que a língua portuguesa, como todas as outras, é uma coisa viva e que se altera a todo momento, vocábulos nascem e desaparecem…

Estou precisando recuperar a alegria do dia a dia. Como no caso de dois amigos, com pouco dinheiro, mas com muita fome, que descobriram que um motel estava estimulando os clientes com uma pizza gratuita. E que a acomodação mais simples do motel era mais barata que a piz­za comprada em restaurante. – Vamos?, propôs um deles. – Claro, respondeu o outro, às gargalhadas. – Mas com uma ressalva: não beijo na boca. Felizmente, no meio do caminho, o juízo retornou e foram para uma pizzaria qualquer.

Também queria me espelhar na nossa primeira mandatária e ter aquele jeito solto, o fair play, o savoir faire, mas ultimamente parece que até ela anda mal humorada. Acho que vou preferir tomar Leonard Cohen como modelo. Mesmo morando em um dos epicentros da música sertaneja e de sua versão sofisticada, o sertanejo universitário, tenho, graças à Internet, acesso à obra de Cohen, um poeta canadense que aos 30 anos começou a musicar seus poemas.  De sua autoria são, por exemplo, Dance Me to the End of Love e Hallelujah, músicas que são joias preciosas.

Em setembro, Cohen completou 80 anos. E voltou a fumar. Junto com esse ato, que muitos de nós médicos condenamos, faz uma série de afirmações e questionamentos que nos levam a ponderar antes de condenar. Se diz “too young to die, too old to worry”. E pergunta: – Qual é o momento em que devemos parar de viver uma vida planejada para o futuro e trocar pelos prazeres do presente? E se compara a um urso roubando mel numa árvore, tentando conseguir alguma coisa sem ser picado até a morte.

É uma lição. Aos 64 anos, não acho que seja o momento de voltar a fumar, mas com certeza é o momento de ir para o motel só para comer uma pizza grátis. Está na hora de rir mais, planejar menos, e fazer o que se gosta. Mesmo que seja trabalhar. Para a maioria de nós, médicos, a felicidade está no trabalho. Que seja. Afinal, de médico e louco todos temos um pouco. Ou muito.


*Presidente do Conselho Consultivo da Sociedade Paulista de Radiologia e radiologista na cidade de São José do Rio Preto

 


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