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CULTURA (págs. 44 a 47)
Salvador Dalí em Sampa


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Edição 68 - Julho/Agosto/Setembro de 2014

CULTURA (págs. 44 a 47)

Salvador Dalí em Sampa

Dalí, aqui!

Maior mostra da obra de Salvador Dalí já realizada na América Latina poderá ser vista no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista

Fátima Barbosa*


Prepare-se para entrar em um universo de fantasias, sonhos e provocações. O mundo surreal de Salvador Dalí estará logo ali, no Instituto Tomie Ohtake, na capital paulista, em outubro e novembro, na maior mostra do pintor espanhol já realizada na América Latina. Por meio de 150 peças – entre pinturas, desenhos, gravuras, documentos e fotografias – vindas das principais instituições colecionadoras do artista será possível ver “a produção do pintor desde os anos 20 até seus últimos trabalhos, e ter uma clara percepção de sua evolução, não só técnica, mas de suas influências, recursos temáticos, referências ideológicas e simbolismos”, asseguram os organizadores.

Além do Instituto Tomie Ohtake, a exposição é fruto da parceria entre o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a Fundação Gala-Salvador Dalí, o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía e o Museu Salvador Dalí, após longa negociação. Antes, as obras do artista poderão ser vistas no CCBB-Rio de Janeiro, até o dia 22 de setembro. “Foram cinco anos de muitas tentativas e conversas com os detentores das grandes coleções de Dalí”, revela Ricardo Ohtake, presidente da instituição.


La máxima velocidad de la Madonna de Rafael, 1954


Valeu a pena. Será possível ver as telas do período da formação do pintor – Retrato del padre y casa de Es Llaner, de 1920; e o Autorretrato cubista, de 1923. A fase surrea­lista, que deu fama mundial ao artista, será retratada em telas que apresentam seu método “paranoico-crítico” de interpretação da realidade, com obras significativas como El sentimiento de velocidad (1931), Monumento imperial a la mujer-niña (1929), Figura y drapeado en un paisaje (1935) e Paisaje pagano medio (1937).

Dalí não era apenas um pintor e um escultor genial, como ele mesmo se definia, sem medo de ser arrogante. Ousou também no cinema, no teatro e nas ciências. Na exposição será possível assistir aos seus filmes O cão andaluz (Le chien andalou, 1929) e A idade do ouro (L’age d’Or, 1930), codirigidos por ele e Luís Buñuel, e Quando fala o coração (Spellbound, 1945), de Alfred Hitchcock, cujas cenas do sonho foram desenhadas pelo artista. O acervo conta ainda com livros para os quais fez capas e ilustrações, além de documentos pessoais.

“Queremos mostrar o Dalí surrealista, mas também aquele que se antecipa ao seu tempo, que é audacioso, que defende a liberdade de imaginação do artista em sua própria criação. Ao mesmo tempo, a mostra passeia por sua trajetória artística e pessoal”, explica Montse Aguer, curadora da exposição e diretora do Centro de Estudos Dalinianos da Fundação Gala-Salvador Dalí. “Após a visita, todos entenderão sua importância como artista, não só no surrealismo, mas na história da arte”, garante.

Anarco-monárquico
Tal como sua obra, a personalidade de Dalí tinha múltiplas e complexas facetas. Contraditoriamente, o artista de vanguarda posicionava-se, politicamente, de forma conservadora. Sua admiração e proximidade com o ditador espanhol Francisco Franco chegou, inclusive, a fechar-lhe algumas portas nos países de governos progressistas. Declarava-se “anarco-monárquico”, como se isso fosse possível. E perguntava: “como posso querer que meus amigos entendam as coisas loucas que passam pela minha cabeça se eu mesmo não entendo?”


Retrato de mi hermana, 1925


Em algumas questões, era indevassável. Até hoje, ninguém sabe exatamente até onde ia sua excentricidade genuína e onde começava o senso de oportunidade que o transformou em um “pioneiro da performance”, ou, mesmo, um artista com agudo senso de marketing pessoal. Protagonizou comerciais de carros, mas não sabia dirigir, e, certa vez, levou um cavalo coberto de joias a um hotel nova-iorquino. Criou móveis e joias, além de influenciar a publicidade e a moda. As más línguas diziam que a ambição financeira era influência de Gala, a companheira pela qual nutria uma paixão patológica. Mas Dalí não seria o maior ícone do surrealismo se a qualidade de sua obra, principalmente a pintura e os desenhos, não fossem plasticamente excelentes. “Desenhar é a honestidade da arte. Não há possibilidade de enganar. Ou é bom ou é ruim”, sentenciou o pintor.


Monumento imperial a la mujer-niña, 1929


Sem Gala, contudo, disse uma vez, “teria enlouquecido”. Ela o trazia para o mundo real. Foi também modelo para inúmeras de suas pinturas, consideradas, “talvez, as representações mais carinhosas e sensuais de uma mulher de meia-idade na arte ocidental”. Está presente até em obras em que não aparece claramente, como em um dos quadros da exposição no qual se vê uma cama vazia, com os contornos deixados por um corpo, e um formigueiro em seu lugar. Um dos poucos artistas a ganhar dinheiro e fama vivo, gastava muito com extravagantes presentes para sua companheira, como o castelo medieval de Púbol, na região da Catalunha, Espanha.

Eles se conheceram em 1929, quando o pintor, dez anos mais jovem que ela, emergia no fervilhante cenário artístico europeu do início do século 20, apoiado pela mãe, apesar do pai austero. A jovem russa Helena Ivanovna Diakonova – o verdadeiro nome de Gala – era casada, até então, com o poeta francês Paul Eluard, que conhecera em um sanatório, na Suíça, aos 17 anos. Pouco tempo depois, ela abandonou Eluard e a filha de ambos, Cécile, para ficar com o pintor. Detestando a maternidade, nunca mais importou-se com a filha, a quem via raramente.

Viveram a maior parte do tempo – exceção feita a oito anos nos Estados Unidos, durante a 2ª Guerra Mundial, e estadias em Madri e Paris – em Port Lligat, na costa mediterrânea espanhola, na Catalunha. Lá tinham residência e, o pintor, seu ateliê permanente, onde produziu quase toda sua obra. “Eu me construí nessa paisagem, aqui criei meu personagem, descobri o amor, pintei minha obra, edifiquei minha casa. Sou inseparável deste céu, deste mar, destes rochedos. Ligado para sempre a Port Lligat – que significa ‘porto ligado’ –, onde defini todas minhas cruas verdades e minhas raízes. Eu sou eu somente neste lugar. Em outros, eu acampo”. Sua residência é hoje a Casa Museu Dalí.

Com a morte de Gala, em 1982, o pintor entrou em depressão profunda e, fato não comprovado, teria tentado se suicidar em 1984. Morreu em 1989, aos 84 anos, de pneumonia e parada cardíaca, na mesma cidade em que nasceu, Figueras, também na Catalunha, a 50 minutos de Port Lligat. Lá também tinha uma residência, transformada, por ele mesmo, em Teatro-Museu.

Alguns anos antes, ele sugerira como lápide para seu túmulo: “Não acredito em minha morte”. Verdade. Como todo grande artista, sua obra o transcende e está viva. E pelo menos uma parte dela, desta vez, em São Paulo.


*Editora da Ser Médico

 


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