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PONTO DE PARTIDA (pg. 1)
Renato Azevedo Júnior - presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág.4)
Marcia Angell


HISTÓRIA (pág. 9)
Estados Unidos, por Gore Vidal


CRÔNICA (pág. 12)
Luis Fernando Verissimo*


ESPECIAL BOLÍVIA 1 (págs.14 a 25)
A realidade precária dos cursos de Medicina particulares


ESPECIAL BOLÍVIA 2 (págs.14 a 25)
Depoimentos sobre a formação médica em escolas particulares


CABECEIRA (pág. 27)
Por Reinaldo Ayer*


CONJUNTURA (págs. 28 a 31)
Longevidade e cuidados com o idoso


GIRAMUNDO (págs. 32-33)
Curiosidades de ciência e tecnologia, história e atualidades


PONTO COM
Informações do mundo digital


SUSTENTABILIDADE (pág. 36)
Idec, 25 anos


CULTURA (pág. 38)
A flauta encantada do mago do choro


HOBBY
Campeonato de Futebol de Equipes Médicas


GOURMET (pág. 44)
“Cozinhando eu relaxo”


FOTOPOESIA (pág. 48)
Paulo Leminski


GALERIA DE FOTOS


Edição 61 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2012

HISTÓRIA (pág. 9)

Estados Unidos, por Gore Vidal

O escritor genial, que traçou um retrato sem complacência da sociedade e da vida política norte-americana, foi-se há quatro meses, mas sua extensa obra fica. E é imprescindível para quem quer entender as origens e desdobramentos do poder daquele país

Ricardo Musse*

A política sempre esteve presente na vida de Gore Vidal (1925-2012). Neto de senador, passou a infância em Washington no convívio com os rituais do poder. Na companhia de seu pai, diretor do departamento de comércio aéreo no governo de Franklin D. Roosevelt, participou de voos pioneiros capitaneados por Charles Lindbergh, tornando-se, criança ainda, figura pública, uma celebridade dos cinejornais.

Em 1960, ancorado na notoriedade que adquiriu como escritor e roteirista tanto de Hollywood como da Broadway, candidatou-se ao Congresso pelo Estado de Nova York. Apesar dos apoios de Eleanor Roosevelt e da família Kennedy (seu padrasto tornara-se padrasto de Jackie, a esposa de John), não conseguiu se eleger. Fracasso repetido na tentativa de se tornar, em 1982, senador pela Califórnia.

O círculo familiar de Gore Vidal volta novamente, em 2000, a protagonizar as altas esferas da política norte-americana. Seu primo, Al Gore, candidato a presidente pelo Partido Democrata, conseguiu a maioria dos votos, mas perdeu as eleições no colégio eleitoral. Sob a acusação de fraude no Estado da Flórida, com o processo de recontagem dos votos bloqueado pela Suprema Corte (cujos membros em sua maioria foram indicados pelos republicanos), George W. Bush assumiu o governo.

Por conta dessa convivência, Gore Vidal tornou-se um dos mais abalizados comentaristas da cena e da história política dos Estados Unidos. Sua contribuição, no entanto, não se assentou apenas em relatos de sua coexistência com essa elite. Embora apresente muitos detalhes da intimidade desse atores políticos nas inúmeras entrevistas que concedeu, nos ensaios que publicou e mesmo em seus dois livros de memórias, Vidal firmou, em seus romances e por meio da intervenção direta, uma reflexão original sobre as origens e desdobramentos do poder norte-americano.

A preocupação em evitar a condição de cronista social do poder transparece com nitidez em suas memórias. Palimpsest (1995) e Point to Point Navigation (2006) articulam fragmentos, divagações e confluências ocasionais que buscam deliberadamente revelar aspectos ignorados dos acontecimentos, aproximando-se mais das técnicas de construção do romance moderno que do trabalho documental. O foco não é ele próprio, mas as personalidades com quem conviveu, cujos encontros e desencontros descreve minuciosamente, uma lista que contempla alguns dos principais nomes da literatura, da intelectualidade e da política dos Estados Unidos.

O fulcro de seu diagnóstico da sociedade norte-americana encontra-se em seus romances históricos. Logo após se debruçar sobre a Antiguidade greco-romana, examinando a passagem do paganismo e do politeísmo ao cristianismo em Juliano (1964), Gore Vidal dedica-se a uma longa série sobre os Estados Unidos que acompanha a trajetória desse país desde a independência até o início do século XXI: Washington, D.C. (1967); Burr (1973); 1876 (1976); Lincoln (1984); Império (1987); Hollywood (1990); A era dourada (2000).

Esses relatos históricos, que não prescindem do esforço da pesquisa documental, deixam em segundo plano os fatores econômicos e sociais, se concentrando deliberadamente na vida política e no desempenho de “grandes figuras”. Uma tese recorrente nesses livros é a convicção de Gore Vidal de que os EUA jamais foram uma democracia. Em certa medida, eles procuram mostrar que, nas palavras de Vidal, “somos governados há duzentos anos por um sistema oligárquico em que os homens de posses podem prosperar enquanto os outros devem se arrumar sozinhos”.

Nesse diapasão, Gore Vidal apresenta o governo dos Estados Unidos, desde 1776, como um sistema político oligárquico, dominados pelos grandes proprietários. Nesse universo, “a corrupção é a regra da vida política, e não exceção”. Explica assim: “a corrupção faz parte da nossa vida política desde a primeira sessão do Congresso na Filadélfia e não há nada que se possa fazer se continuarmos a ser o que somos. Na verdade, à medida que aumentam os gastos eleitorais, a corrupção tende a se institucionalizar entre os membros do pequeno grupo de legisladores, banqueiros, generais e industriais que possuem e governam os Estados Unidos e cia.”

Segundo Gore Vidal, após 1900, com a vitória na guerra contra a Espanha, os Estados Unidos tornaram-se uma nação imperialista, posição intensificada por seu desempenho nas duas grandes guerras mundiais. A ideia de que o êxito militar na Segunda Guerra fora o principal responsável pela prosperidade do pós-guerra impõe, ainda hoje uma política de permanente economia de guerra. Por conta disso, quase dois terços do orçamento público é destinado a uma pretensa “defesa do país”, incluindo aí não apenas gastos militares diretos, mas mesmo verbas destinadas às pesquisas, alocadas em grande medida, em tecnologia armamentista e nuclear.

Gore Vidal afirma que as instituições educacionais não estão interessadas em compreender a história dos Estados Unidos. Segundo ele, os norte-americanos carecem minimamente de informação sobre o que acontece no mundo, desconhecendo quase completamente sua diversidade histórica, religiosa e cultural.

Esse repúdio à sociedade norte-americana transparece também em seus romances experimentais ou sarcásticos. Na série iniciada com Myra Breckinridge (1968), continuada com Myron (1975), Kalki (1978) e Duluth (1983), Vidal examina as diversas modalidades de controle social – a sexualidade, a religião, a família, a indústria cultural etc – que fazem dos Estados Unidos uma sociedade autoritária.

Os ensaios coligidos em Como faço o que faço e inclusive o porquê estabelecem uma espécie de balanço histórico dos Estados Unidos a partir de considerações sobre seus principais presidentes, de Washington a Bush, passando por Wilson, Nixon e Reagan. Apresenta George W. Bush, por exemplo, como um dos presidentes mais incompetentes da História, acusando a “junta Bush-Cheney” de ter se valido dos ataques de 11 de setembro como pretexto para incrementar uma política de conflito permanente. Não se exime sequer de responsabilizá-los por incontáveis crimes de guerra.

 

*Ricardo Musse é professor no Departamento de Sociologia da USP.


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