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Edição 60 - Julho/Agosto/Setembro de 2012

EM FOCO (pág.13)

Márcio Melo*

Desvendando o cérebro dos médicos

Pesquisa inédita aponta que diagnósticos feitos a partir do rápido reconhecimento visual de sinais clínicos são baseados em mecanismos neuronais semelhantes àqueles usados para  nomear objetos no cotidiano


O desvendamento dos mecanismos cerebrais utilizados pelos médicos para fazer diagnósticos pode contribuir para o aprimoramento de métodos e técnicas que visem à redução de erros durante o processo de diagnose. Este foi o objetivo do estudo pioneiro do qual participei, idealizado por uma equipe de pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (Fmusp), e do University College, de Londres. Seus resultados foram publicados na revista de ciência internacional PLoS One.


Figura 1

Os médicos, com frequência, fazem diagnósticos nos primeiros momentos de contato com os pacientes. Às vezes, isso ocorre antes mesmo de os doentes relatarem seus sintomas. Por exemplo, quando o médico vê um paciente com icterícia pensa, instantaneamente, em doenças hepáticas. Este tipo de diagnóstico, imediato e automático, é chamado de reconhecimento de padrões. A nossa hipótese era que, para fazer o diagnóstico nessas circunstâncias, os médicos utilizariam os mesmos mecanismos cerebrais mobilizados para reconhecer e identificar objetos no nosso cotidiano.

Para realizar nosso estudo, criamos um novo modelo experimental que consistiu na utilização de lesões em radiografias de tórax como um exemplo de diagnóstico baseado em informações visuais. Utilizamos a ressonância magnética funcional para detectar ativações cerebrais enquanto os médicos faziam diagnósticos, deitados dentro do aparelho. Para tanto, foi usado um equipamento de ressonância magnética dedicado à pesquisa do Instituto de Radiologia do Hospital das Clínicas da Fmusp. As imagens eram projetadas por 1,5 segundo e o radiologista tinha, além disso, mais dois segundos para responder. Como comparação, os médicos identificavam e nomeavam animais inseridos dentro de imagens radiológicas (figura 1).

O tempo médio de resposta, definido como o tempo entre o início da apresentação da radiografia e o início da vocalização do diagnóstico, foi de 1,33 segundo. Para a nomeação dos animais o tempo médio de resposta foi de 1,23 segundo. Estes números são uma indicação de que esse tipo de diagnóstico pode ser muito rápido. A maioria dos radiologistas (72%) relatou que, além do nome da lesão, surgiam na mente diagnósticos diferenciais de algumas lesões. Isto é, os 3,5 segundos de duração da tarefa para cada imagem eram suficientes para o médico chegar a pensar nesses diagnósticos diferenciais. Evidentemente, não é possível se fazer um diagnóstico formal em segundos, mas a geração de hipóteses no caso das lesões radiológicas do nosso estudo é fundamental para que este seja correto.

Figura 2


A análise dos dados mostrou que as áreas cerebrais ativas durante o diagnóstico das lesões eram muito semelhantes àquelas detectadas durante a nomeação de animais (figura 2). Estes resultados vão ao encontro da nossa hipótese de que diagnósticos feitos a partir do rápido reconhecimento visual de sinais clínicos são baseados em mecanismos neuronais semelhantes àqueles usados para nomear objetos no cotidiano.


A hipótese conceitual e a nova abordagem metodológica utilizadas, poderão abrir outros caminhos para o estudo do diagnóstico médico

Existe uma vasta gama de estudos em neurociência cognitiva sobre os mecanismos envolvidos na identificação e nomeação de objetos. Uma consequência dos resultados de nossa pesquisa é a possível utilização desses conhecimentos no desenvolvimento de métodos para incrementar a competência diagnóstica dos estudantes de Medicina e de médicos em tarefas que incluem a visão. Além disso, a hipótese conceitual e a nova abordagem metodológica que utilizamos poderão abrir novos caminhos para o estudo do diagnóstico médico.

Focamos a investigação em diagnósticos baseados no imediato reconhecimento de padrões visuais. Caberá a pesquisas futuras estudar os mecanismos neurocognitivos envolvidos em outros tipos de diagnósticos como, por exemplo, sintomas relatados verbalmente.

Referência bibliográfica
Melo, M., Scarpin, D. J., Amaro, E., Jr., Passos, R. B., Sato, J. R., Friston, K. J., & Price, C. J. (2011). How doctors generate diagnostic hypotheses: a study of radiological diagnosis with functional magnetic resonance imaging. PLoS One, 6(12), e28752.


*Marcio Melo é médico psiquiatra e pesquisador do Laboratório de Informática Médica da Faculdade de Medicina da USP



O estudo na íntegra pode ser lido ou baixado livremente no site www.plosone.org

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