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Nesta Edição
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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág.1)
Renato Azevedo Júnior - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 4)
José Feliciano Delfino Filho


CRÔNICA (pág. 10)
Tufik Bauab*


EM FOCO (pág. 12)
Voluntários do Sertão


SINTONIA (pág. 15)
Emerson Elias Merhy*


DEBATE (pág. 18)
A relação médico-paciente e a internet


GIRAMUNDO (págs. 24 e 25)
Curiosidades da ciência e tecnologia, da história e atualidade


SAÚDE NO MUNDO (pág. 26)
O sistema de saúde público no Japão


HISTÓRIA DA MEDICINA (pág. 30)
Epidemias: os grandes desafios permanecem


CARTAS & NOTAS (pág. 33)
Conexão com o usuário a um clique


HOBBY (pág. 34)
Alexandre Leite de Souza


PONTO COM (págs. 38/39)
Informações do mundo digital


CULTURA (pág. 40)
Imperdíveis exposições da Pinacoteca


TURISMO (pág. 42)
Das flores de Bali ao enxofre do Ijen


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 47)
Dica de leitura de Desiré Carlos Callegari *


FOTOPOESIA( pág. 48)
Adélia Prado


GALERIA DE FOTOS


Edição 58 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2012

EM FOCO (pág. 12)

Voluntários do Sertão

Médicos solidários no sertão baiano

Médicos de Ribeirão Preto e região participam da associação Voluntários do Sertão que, há mais de 10 anos, oferece assistência, social e à saúde, a comunidades carentes

Sair do conforto do consultório e da rotina já conhecida de hospitais e clínicas para pegar um avião da FAB, pousar no sertão baiano e atender centenas de pessoas durante uma semana, sem ganhar um tostão, é ser solidário. E é isso que faz, anualmente, quase cem médicos de Ribeirão Preto e região, integrantes da associação Voluntários do Sertão, criada por um empresário daquela cidade, há 10 anos. Nesse período, o projeto contou com a participação de aproximadamente 2,2 mil voluntários, e mais de 66 mil pessoas foram atendidas nas comunidades de Alegre, Caetités, Carinhanha e Malhada, entre outras.

O objetivo da Ong é promover assistência social, à saúde, segurança alimentar e nutricional, e praticar o voluntariado, com acompanhamento dos indicadores de transformação social. A equipe é composta por médicos de várias especialidades, dentistas, enfermeiros, psicólogos, pilotos, cozinheiros, motoristas, auxiliares administrativos e populares de boa vontade. Implantado em 2000 pelo empresário Doriedson Pereira, o projeto, inicialmente, visou à distribuição de brinquedos e cestas básicas em Condeúba e cidades vizinhas, no sertão baiano. Atualmente, realiza atendimentos médico e odontológico, pequenas cirurgias (principalmente de catarata), palestras e distribui kits de saúde e higiene pessoal.
 
Para ampliar sua atuação, desde 2008 a Voluntários do Sertão implanta também o programa de capacitação e geração de renda, distribuindo kits de irrigação familiar, sementes de hortaliças, bandejas e substratos, além de capacitar os sertanejos. Cada kit de irrigação beneficia diretamente 30 famílias com produção de alimentos para subsistência. O excedente é transformado em renda. Por meio de parcerias com empresários socialmente responsáveis, atualmente o projeto conta com 58 núcleos de hortas comunitárias, que beneficiam 1.740 famílias em 13 municípios.


11ª edição
No ano passado, os voluntários da 11ª edição chegaram à cidade de Carinhanha, de 28 mil habitantes, no início de setembro. Localizado no Polígono das Secas, na Bahia, o município é banhado pelas águas do Rio São Francisco, que chegam timidamente na época da estiagem. Era o que estava acontecendo quando o avião pousou, após duas horas e meia de viagem. “Causa um grande impacto para quem oferece e recebe esse auxílio, ainda mais por se tratar de uma área carente”, afirma Adalberto de Souza, pediatra que participa do projeto há quatro anos.



Em 10 anos, projeto atendeu 60 mil pessoas



Ao todo, a caravana de 2011 contou com 93 médicos (em 13 especialidades), 70 profissionais da enfermagem, 40 dentistas, 14 auxiliares de odontologia, 25 psicólogos e 15 farmacêuticos. Para levar tanta gente, materiais e equipamentos, o programa contou com um C-47 Amazonas da FAB, um jato e aeronaves de porte menor, cedidas por voluntários.

A equipe realizou 33.342 procedimentos, entre os quais 664 cirurgias de catarata e 7.296 intervenções odontológicas, distribuiu 50 mil unidades de medicamentos, 2,2 mil óculos e 1,5 mil pares de sapatos. Foram realizadas muitas palestras sobre saúde pública, incluindo apresentações de peças bem-humoradas e orientadoras. Além de Carinhanha, os voluntários atenderam também locais próximos como Malhada, na zona rural, e Barra do Parateca – vilarejo quilombola, com 1.050 habitantes.

No primeiro dia, filas de dobrar quarteirões se formaram nos centros de atendimento. As especialidades mais procuradas por quem aguardava desde a madrugada eram Oftalmologia e Odontologia. Também foram feitas pequenas intervenções plásticas. Os médicos se desdobraram até para resolver problemas como câncer de pele. Para Souza, a dedicação é um resgate mútuo: “voltamos ao atendimento puro e simples, sem esperar nada em troca, enquanto os pacientes se sentem agradecidos e acolhidos”.

Para dona Orozina Sena da Trindade, de 77 anos, por exemplo, moradora de uma vila ribeirinha, o trabalho solidário faz uma grande diferença. Ela disse ao jornal A Cidade, de Ribeirão Preto, que a catarata impedia que contemplasse o São Francisco nos finais de tarde. Com o sucesso da cirurgia, dona Orozina e outros habitantes beneficiados pela ação puderam aumentar a qualidade de vida. A necessidade de avaliação e cuidado médico era tanta que um único paciente passou por 49 procedimentos, incluindo restaurações, extrações, cirurgias e profilaxias.

A situação era ainda mais grave na Barra do Parateca. Além da pobreza, o vilarejo sofre com a questão agrária. Desconfiada em relação a estranhos, a comunidade quilombola vive em conflito com grileiros desde a libertação dos escravos, em 1888. Para chegar até lá, 15 voluntários passaram três horas navegando em um barco com quatro mil quilos de medicamentos, equipamentos e mantimentos. Apesar do medo e dificuldades envolvidas, o atendimento médico foi executado. O projeto atraiu a atenção do governo da Bahia. Segundo o jornal Gazeta de Ribeirão, a Secretaria de Estado da Saúde implantou um programa similar.

“A edição de setembro último excedeu as expectativas”, assegura Souza. “Queremos realizar outra edição do projeto em 2012, mas, por ser ano de eleição, ela deverá acontecer no primeiro semestre”, conta Souza. Como não existe envolvimento político, a data não deve servir como uma ferramenta eleitoral. Segundo ele, há ajuda de empresas de Ribeirão Preto e de governos, mas não é gerado qualquer benefício para a associação e seus voluntários. “De qualquer forma, o intuito é cumprir mais uma edição. Com certeza, participarei de novo”.

(Colaborou Tainá Grassi)


Mais informações:
http://www.voluntariosdosertao.org
http://voluntariosnaweb.blogspot.com



Fraternidade e cidadania

Por Isac Jorge Filho*


Voluntários na saída do Aeroporto de Ribeirão Preto

O Brasil é um país de incríveis desigualdades e contrastes. Convivemos com as mais modernas tecnologias e com doenças da miséria e da pobreza. Lado a lado, muitas vezes na mesma cidade, são praticados transplantes de órgãos ao mesmo tempo em que, na periferia, muitos padecem de problemas parasitários, que deveriam ter desaparecido há muito tempo. Quando analisadas as diferenças regionais, os contrastes são ainda mais alarmantes. É certo que a solução é complexa e depende de grandes esforços políticos e investimentos vultosos. Alguns brasileiros, no entanto, não querem esperar, sem agir, pelas soluções globais. Executam ações de fraternidade na busca de minorar sofrimentos, mesmo cientes de que isso não resolverá o problema, mas atenderá alguns e acenará como exemplo e desafio. Assim fazem os componentes da Voluntários do Sertão.

O programa tem uma grande preocupação em não permitir que a iniciativa assuma características políticas de puro clientelismo, por isso ainda não se escolheu a região a ser visitada no próximo ano, que é eleitoral. A ideia inicial é de que seja no Acre.

Os voluntários do sertão perceberam que há uma troca positiva entre seu esforço e solidariedade e a oportunidade de conhecer o país e se sensibilizar com suas necessidades. No ano passado, chamou atenção a visita à comunidade quilombola de Barra do Parateca, onde vivem descendentes de escravos, que estão em contínuos conflitos com grileiros que querem se apossar de suas terras. São problemas que não passam pela nossa cabeça, aqui no Sudeste do país.

Os voluntários têm clara a ideia de que não trazem sozinhos a solução, mas apontam rumos para uma cidadania mais ativa e para a certeza  de que não basta reclamar. Por menor que seja, de cada cidadão se espera solidariedade e fraternidade. Os voluntários do sertão mostram tudo isso e merecem nosso reconhecimento.

*Médico cirurgião, gastroenterologista, ex-presidente e atual conselheiro do Cremesp.



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