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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág. 1)
Renato Azevedo Júnior - presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 4)
Mia Couto, biólogo e jornalista moçambicano


CRÔNICA (pág. 8)
Homenagem a Moacyr Scliar, médico e escritor, falecido em janeiro deste ano


SINTONIA (pág. 10)
Surge um novo conceito de doença e de saúde


CONJUNTURA (pág. 13)
Identificação possível


SAÚDE NO MUNDO (pág. 14)
Saúde Global versus Saúde Internacional


DEBATE (pág. 17)
A qualidade das embalagens comercializadas no país


GIRAMUNDO (págs. 22/23)
Curiosidades da ciência e tecnologia, da história e da atualidade


PONTO COM (pág. 24)
Acompanhe as novidades que agitam o mundo digital


EM FOCO (pág. 26)
Transtornos afetivos na infância


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 29)
Confira a indicação de leitura de Caio Rosenthal*


CULTURA (pág. 30)
José Marques Filho*


GOURMET (pág. 36)
Uma receita especial de Debora Handfas Gejer e Geni Worcman Beznos


TURISMO (pág. 40)
A "suíça brasileira" bem ali, na Serra da Mantiqueira...


CARTAS & NOTAS (pág. 47)
Diretores e conselheiros da terceira gestão 2008-2013


POESIA( pág. 48)
Mia Couto em “Raiz de Orvalho e Outros Poemas”


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Edição 55 - Abril/Maio/Junho de 2011

SAÚDE NO MUNDO (pág. 14)

Saúde Global versus Saúde Internacional

Saúde global no mundo de todos e de cada um

A dinâmica da globalização pode ser resumida como a internacionalização da produção e do consumo, dos valores e costumes por meio do movimento de capital, força de trabalho, tecnologia e informação. Cotidianamente, esse fenômeno coloca novos desafios à sociedade e, também, à prática médica.

Por Helena Ribeiro, Paulo Fortes e Daniele Sacardo*

Os processos de modernização, urbanização e desenvolvimento econômico produziram uma nova estrutura de morbi-mortalidade. Coexistem, num mesmo território, doenças características de ambientes de baixo desenvolvimento social e econômico – como as transmissíveis por vetores e infectocontagiosas – com aquelas que são próprias da sociedade moderna – como os acidentes de variadas naturezas, as cardiovasculares e as crônicas não transmissíveis. Oferecer respostas a esse contexto sanitário, muito heterogêneo e em fase de transição, é o grande desafio dos sistemas de saúde da atualidade.


Mãe e criança da tribo Masai, de Ngorongono, na Tanzânia

As consequências à saúde dos acidentes em usinas nucleares do Japão, devido a duas catástrofes da natureza, ocorridas em 11 de março, em cadeia – um terremoto e um tsunami –, ainda pertencem ao futuro. Mas a comunidade mundial começa a repensar esse sistema de produção de energia em um planeta que é de todos e de cada um.

Os sistemas produtivos nacionais ou transnacionais têm efeitos sobre a saúde – desde a extração da matéria-prima até os resultados do produto final, além de sua atuação sobre trabalhadores diretos e indiretos e das populações de seu entorno nas diferentes fases do processo. O exacerbado crescimento demográfico, a frequente falta de saneamento em regiões habitadas por populações de baixo – ou abaixo do – poder aquisitivo e a precária ou escassa infraestrutura de saúde são condições propícias à propagação de doenças. Além disso, a crescente mobilidade de pessoas, produtos e serviços acelera a transferência de riscos de doenças entre os povos. Tal composição aponta para a necessidade de uma perspectiva que permita compreender os processos de globalização e a relação com e entre os níveis local, nacional e internacional. Exige também o diálogo entre acadêmicos, gestores e profissionais – tanto da saúde quanto de outros campos do conhecimento – para aprofundar a reflexão acerca de suas repercussões. Entre os questionamentos que envolvem a prática médica, podemos elencar os seguintes:

• Qual é o papel do médico  no mundo globalizado?
• As práticas sanitárias respondem aos desafios colocados?
• Como se configura a relação médico-paciente?
• Quais dispositivos regulam as tecnologias na área de saúde?

É importante fazer a distinção entre saúde global e saúde internacional na sua conceituação histórica. Como disciplina e área prática, a saúde internacional investiga a temática por meio do estudo dos processos e das relações que envolvem o poder mundial, afetando os perfis epidemiológicos e a organização dos sistemas de saúde em cada uma das nações. Não se trata de um novo campo do conhecimento. Ao considerar o seu significado como “atividade desenvolvida por governos ou povos de dois ou mais países”, ela já existia no século 2 a.C, ocasião em que China, Japão e Coreia faziam intercâmbio de conhecimentos e práticas médicas. No entanto, na definição convencional, que a considera “atividade realizada por profissionais ou instituições de nações ricas em países menos desenvolvidos, ou aquela praticada por agências internacionais de saúde”, remete aos séculos 16 e 17, período em que as potências coloniais estabeleceram as primeiras clínicas nas regiões conquistadas. Por último, a criação da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 1948, com a participação de representantes de 18 países, consolidou-se como o mais amplo e influente fórum de discussão de saúde internacional. Complementar, porém com significado distinto, a saúde global foi proposta pela OMS a partir de 1990, ao solicitar considerações acerca das necessidades da população de todo o planeta, acima dos interesses de nações, em particular.


Família passa por detector de radiação em Fukushima. Catástrofes em cadeia no Japão obrigam o mundo inteiro a repensar o programa nuclear

O conceito de global também é associado à crescente importância dos atores sociais envolvidos – para além das organizações governamentais e intergovernamentais –, entre eles a mídia, as fundações que atuam em âmbito internacional e as corporações transnacionais. Os termos internacional, intergovernamental e global não são excludentes e podem ser complementares. A conceituação dos autores Theodore Brown, Marcos Cueto e Elizabeth Fee ilustra esse entendimento: “a OMS é uma agência intergovernamental que desempenha funções internacionais com o objetivo de melhorar a saúde global”. Já o conceito de saúde global emergiu em meio ao debate incessante sobre a direção da saúde pública. Construiu-se em meio à ordem mundial neoliberal, na qual o papel antes dominante da OMS passou a ser desafiado, exigindo que ela se reposicionasse no âmbito de um conjunto de alianças de poder em transformação.

As principais questões atuais relacionadas à governança implicam uma nova arquitetura das articulações sociais, na qual se inclui parcerias de diversos tipos e decisão conjunta de atores que antes agiam isoladamente. Isso exige o estabelecimento e a operacionalização de sistemas de normas e processos de decisão, que guiem e orientem o comportamento e a interação social. Também requer a criação e uso de instrumentos capazes de agregar e equilibrar diversos interesses em prol de uma meta comum.

Assim, cabe indagar se há espaços de debate na formação do médico e, também, durante sua carreira, para a reflexão crítica a respeito das questões relacionadas à saúde internacional, globalização e saúde global que o capacite para, juntamente com seus pares e demais agentes sociais, enfrentar os novos desafios que o mundo contemporâneo coloca.


*Helena Ribeiro, professora titular e diretora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP); Paulo Fortes, professor titular, vice-diretor da FSP-USP e membro da Câmara Técnica de Bioética do Cremesp entre 2000 e 2010; Daniele Sacardo, psicóloga e doutora em Saúde Pública pela FSP-USP.


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