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CAPA

PONTO DE PARTIDA (pág. 1)
Dia do Médico: entidades se mobilizaram pela valorização da profissão


ENTREVISTA (pág. 4)
Acompanhe uma conversa informal com o artista plástico Guto Lacaz


SUSTENTABILIDADE (pág. 9)
Vem aí a nova Carteira de Identidade profissional em policarbonato, digital


CRÔNICA (pág. 11)
Texto de Tutty Vasques*, colunista do jornal O Estado de São Paulo


SINTONIA (pág. 13)
Séries exageram no conteúdo e na exposição, de médicos e pacientes


COM A PALAVRA (pág. 14)
Se você ainda não leu, veja o que está perdendo...


CONJUNTURA (pág. 18)
Para a secretária-geral da CNRM é preciso revisar os programas de ingresso na RM


DEBATE (pág. 22)
Psiquiatras avaliam o atendimento aos pacientes infratores


GIRAMUNDO (págs. 28/29)
Curiosidades da ciência e tecnologia, da história e da atualidade


PONTO COM (pág. 30)
Acompanhe as novidades que agitam o mundo digital


EM FOCO (pág. 32)
O compositor e pianista alemão sob a perspectiva da psiquiatria forense


GOURMET (pág. 35)
Dolma: dicas para a preparação de um prato tradicional da Armênia


CULTURA (pág. 36)
O acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo


TURISMO (pág. 42)
Muito além de suas famosas muralhas...


LIVRO DE CABECEIRA (pág. 47)
O vice-presidente da Casa recomenda: Steven Pinker


POESIA( pág. 48)
Roberto Perche: radiologista, poeta, escritor e contista


GALERIA DE FOTOS


Edição 53 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2010

ENTREVISTA (pág. 4)

Acompanhe uma conversa informal com o artista plástico Guto Lacaz

“Busco o belo e, ao mesmo tempo, a ironia, o humor, a construção, a poesia, o choque


O artista plástico Guto Lacaz é mais conhecido por suas instalações e perfomances, mas tem uma produção variada que inclui trabalhos como ilustrador e cartunista, criação de capa de discos e livros, projetos gráficos editoriais e logomarcas para empresas, entre outros. Com trabalhos premiados e algumas exposições no exterior, ele é um importante representante contemporâneo da arte cinética, que explora os efeitos visuais do movimento. Guto nasceu Carlos Augusto Martins Lacaz, filho do médico Carlos Lacaz, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. No ateliê que mantém na Capital paulista, concedeu esta entrevista a Ivolethe Duarte, editora da Ser Médico.      


Ser Médico: Entre  tantas definições sobre sua vertente artística, as mais frequentes são de representante da PopArt, da arte conceitual e da cinética. Você se acomoda dentro dessas definições?
Guto Lacaz:
Foram as vanguardas do começo do século passado que deram origem à arte contemporânea. Os artistas contemporâneos são netos do Dali, do Magritte, do Tinguely, do Mondrian. Aprendi o olhar de cada escola e quando tenho uma ideia penso se é pop, cinética, surrealista ou dadaísta. Faço um trabalho que remete a uma ou outra escola, ou reúne algumas delas. São influências que sofri, que processo mentalmente e reapresento.

SM: Embora alguns de seus trabalhos pareçam ter influência do dadaísta Marcel Duchamp, você diz que não o conhecia quando começou a carreira...
GL:
Não conhecia as artes plásticas, não era desse meio. Não conhecia o Duchamp, o Mondrian... o Magritte sim, porque meu irmão colava seus pôsteres no quarto. Não gostava do Magritte, fui gostar tempos depois. Eu era da área de arquitetura, do desenho técnico e do cartum. Comecei a fazer trabalhos em artes plásticas sem saber o que eram. Achava que era cartunista e, quando criava um objeto, pensava que era uma piada tridimensional. Não sabia que era artista plástico, passei a ter essa consciência quando fui um dos premiados do concurso da 1ª Mostra do Móvel e do Objeto Inusitado, em 1978. Então, o que fazia esporadicamente virou uma disciplina diária e comecei a participar de oficinas em ateliês, conhecer os artistas, visitar exposições. Fui muito bem recebido no meio.

SM: Você fez curso técnico em eletrônica industrial e, depois, tentou ser engenheiro eletrônico?
GL:
Eu cursei arquitetura. Terminei o curso de eletrônica, de quatro anos, mas, no fim do terceiro, achei melhor prestar vestibular. Queria ser engenheiro eletrônico e quebrei a cara, não sabia matemática. Gostava da parte lúdica da eletrônica, de montar e desmontar aparelhos. Aí veio a ideia de estudar arquitetura. Uso muito a arquitetura em meu trabalho.

SM: Mas utiliza o conhecimento da eletrônica nas suas criações.
GL:
Todo. O que não usei na eletrônica trouxe para as artes plásticas. Pouquíssimas pessoas faziam arte cinética naquela época. Hoje, há um monte. Mas quando comecei, havia poucos - 90% dos artistas eram pintores e 10% escultores. Entrei num espaço que não tinha muita concorrência e meu trabalho chamou a atenção – ou pelo humor ou pelo movimento.

SM: O que provoca seu processo criativo?
GL:
É um mistério, não sei explicar o que acontece em minha cabeça. Sou atento, olho tudo à minha volta e, de alguns lugares, vem um chamado: “pega aquilo ali, que vai dar um trabalho”. Já tenho uma mecânica, coloco um objeto aqui, que depois vou ampliar, colorir ou fazer um vídeo. Tenho muitos cadernos de anotações, virou uma obsessão depois que ganhei aquele prêmio. Todo dia quero olhar uma coisa e trazer para o ateliê. Observar e transformar virou um exercício lúdico diário.



         



No sentido horário: cartaz para a 24ª Mostra Internacional de Cinema; obra inacabada, clicada no ateliê do artista; a escultura Crushfixo; e o quadro Isaac Newton/Albert Einstein

SM: Como foi a sua infância?
GL:
Minha infância e adolescência foram caretonas. Nasci em São Paulo e morava numa rua que só tinha meninos. A única menina era mais velha e não dava bola para nós. Eu construía brinquedos, tinha carrinho de rolimã, papagaio, foguete, balão. Com 12, 13 anos já tinha uma oficina em casa e gostava de ferramentas. Quando me perguntavam o que eu queira no aniversário, pedia um martelo, um alicate. Com o primeiro dinheiro que ganhei trabalhando, comprei uma furadeira elétrica. Sempre fui doido por ferramentas, desmontava telefone, relógio. Em artes plásticas, isso ganhou mais espaço e hoje tenho uma boa oficina. Essa investigação da minha infância se profissionalizou e trouxe poesia ao meu trabalho.

SM: Seu pai, Carlos Lacaz, foi professor de Medicina e fundador do Museu de História da Medicina da USP. Podemos falar um pouco dele, já que esta é uma revista para médicos?
GL:
Com o maior prazer! Meu pai e minha mãe foram fundamentais. Repeti três anos na escola. Minha família é toda de cdfs, e eu ficava lá, no meio dos três irmãos, morrendo de vergonha porque repetia de ano. Minha mãe teve a sensibilidade de procurar, naquela época, um lugar para mim. O Ginásio Vocacional Liceu Eduardo Prado era um experimento educacional da década de 60 que tinha professor de marcenaria, argila, desenho e me permitiu desenvolver certas habilidades. Embora fosse uma escola não muito “puxada”, foi um oásis para muitos de minha geração.

SM: De alguma forma, seu pai o influenciou?
GL:
O carinho e a dedicação que ele tinha pelas coisas contaminavam a todos nós. Meu irmão mais velho é médico e tenho dois sobrinhos médicos também. Ao todo são uns cinco médicos na família. Ele foi um pai libertário, que deixava a gente fazer o que quisesse. Era muito empreendedor. Quando tinha uns 30 anos, se empenhou em criar o Instituto de Medicina Tropical, que foi o primeiro curso de pós-graduação da USP. Eu vi o instituto ser construído. Visitar aquele predinho em edificação lá atrás da Faculdade de Medicina era nosso passeio de domingo. Dentro do instituto, havia um museu de medicina, com umas peças do Augusto Esteves que são um escândalo! São de uma época em que havia uma pessoa que fazia aquilo dentro da faculdade. Papai adorava museologia. Quase enfartava toda vez que voltava de viagem e tinham desfeito tudo o que havia montado. A faculdade era um ninho de cobras. O museu quase foi despejado porque estava ocupando “um espaço precioso em um centro de pesquisas”. Aí tivemos a boa notícia de que ele tinha sido turbinado, ficou bonito. Fiquei contente com isso...

SM: Chegou a pensar em ser médico por causa de seu pai?
GL:
Não. Também nunca pensei que fosse viver do desenho, que para mim era um diletantismo. No começo, eu pensava, “nossa, comprei casa, tenho carro, tenho uma filha, educo e pago tudo com desenho!”.

SM: Você vive da arte?
GL:
Não vivo de artes plásticas, mas das artes gráficas, do desenho. Nas artes plásticas, mais invisto do que ganho. Quando há convites para uma instalação me pagam, mas são um ou dois por ano. A maior parte do que produzi em artes plásticas foi com dinheiro do meu bolso. Coloco para vender, mas é difícil.

SM: Mesmo as mais emblemáticas, como o “Auditório para questões delicadas”, instalada no Parque do Ibirapuera, em 1989?
GL:
O “Auditório” foi uma encomenda da Prefeitura de São Paulo, pela qual me pagaram cinco mil reais na época e gastei mais do que isso para montar. Ele deu muitos problemas, tive de fazer duas vezes, foi uma trabalheira. Até hoje não sei como consegui, porque ficou muito bom. Essa é uma conta que não é possível fazer quando começo um trabalho. Eu seria processado se falasse para o pessoal da prefeitura "olha, não deu certo, estou sem dinheiro, não consigo resolver".

SM: E o “Eletro-esfera-espaço”?
GL: Também foi profissional e a primeira instalação que fiz, a convite do Carlos Moreno, curador da Trama do Gosto, uma exposição que a Fundação Bienal produziu em 1986. Fui convidado para fazer uma loja de eletrodomésticos numa cidade hipotética e criei o “Eletro-esfera-espaço”. Também ganhei uns cinco mil reais na época, mas foi maravilhoso. A Fundação Bienal entrou com toda a produção, eu só pedia as coisas.

SM: Desde cedo conseguiu viver da arte?
GL: Comecei a trabalhar muito tarde e tinha vergonha disso. Meus pais pagaram escola particular para mim e todos os meus irmãos. Eu precisava ser muito incompetente para perder o que eles me tinham dado. Seria uma vergonha se, depois de formado, dependesse de meu pai. Ele gostava de me passar encomendas, me arrumava uns trabalhos, como fazer capa de livros. Pagava algumas, mas nem sempre havia dinheiro. Eu queria ter independência econômica. Morava em uma república em São José dos Campos e logo que terminei a faculdade aluguei uma casa. Demorei um ano e meio para começar a trabalhar. Foi desesperador, mas depois comecei a fazer uma ou outra coisinha. Sou super econômico e consegui sobreviver como autônomo.

SM: Quando fala de seu trabalho, você faz muita referência à ética. Como você a define? Qual é a relação entre ética e estética?
GL:
Não sei definir a ética, mas acho que é um conjunto de posturas que se precisa ter para dormir bem, com a consciência limpa – agir corretamente, dizer a verdade, não ser falso. A estética é a minha vida. Preciso fazer tudo modelado pela estética. Busco o belo e, ao mesmo tempo, a ironia, o humor, a construção, a poesia, o choque. Quero que tenha força o que faço. Mas quando a ideia sai, ela já vem meio modelada por isso, às vezes intencionalmente e, outras, acidentalmente. É meio misterioso. Ou você tem uma ideia ou alguém lhe provoca a fazer um trabalho, como aqueles que você citou, em que busco encontrar uma solução que tenha impacto e eu fique feliz e pense: “cheguei em alguma coisa que nunca tinha feito antes”. O que faço, salvo raras exceções, é sempre diferente do anterior.

SM: Fora das artes, quais são suas referências? O que você lê?
GL:
Nunca consegui ler por prazer, não tenho o menor saco nem disciplina. Fui obrigado a ler livros chatíssimos no ginásio e criei aversão à leitura. Só leio quando preciso. Eu espero o filme. Cinema eu vi tudo e do melhor. Tive um curso ótimo na faculdade, no qual aprendi a história do cinema universal. Vi “O gabinete do doutor Caligari" (de 1920, dirigido por Robert Wiene), “Metrópolis” (Fritz Lang,1929). Minha cabeça é muito cinematográfica. Tinha a ambição de um dia fazer um longa. Queria achar um assunto que não precisasse de toda a tralha que um longa requisita. Agora vou começar a fazer uns videozinhos com umas ideias que tive.

SM: E a música?
GL:
Invejo os músicos e não entendo como uma pessoa consegue tocar violão, mas a música foi determinante para mim. Minha independência mental se deve ao rock’n roll. Dei muitos berros, tocando guitarra imaginária. Gosto de quase tudo, do canto gregoriano à jovem guarda, passando por gafieira, MPB, samba, bossa nova, Chico Buarque, Paulinho da Viola.  Eu tinha tios que eram ótimos em chorinho. Só não curto reagge, é muito molengo. Às vezes, a Nina, minha filha, me traz um CD diferente.

SM: Comparada à música, cinema, teatro etc., as artes plásticas têm mais ou menos espaço em nosso país? 
GL:
As artes plásticas são mais democráticas, porque são gratuitas. São Paulo tem cinco exposições por semana que não cobram entrada e museus de graça, no mínimo, uma vez por semana. Mas ela é a prima pobre das artes. Todo mundo vai ao show de um cantor, a Bienal gasta milhões em propaganda para atrair as pessoas. É cultura de massa, mas as pessoas não têm essa educação. Têm medo de ir a uma galeria porque acham que não vão entender ou que precisam comprar. Hoje as escolas levam as crianças ao museu. É necessário formar esse público, porque é gostoso olhar uma imagem que vai entrar na sua cabeça e enriquecer seu repertório visual.

“Vídeo é um problema, virou uma praga entre artistas”

Guto Lacaz comenta Bienal das Artes, pichação e grafite 


Visitantes da 29ª Bienal das Artes em São Paulo

SM: A Bienal das Artes passou por uma crise em 2008 e este ano retomou o caminho anterior. O que você achou da Bienal 2010?
GL:
Estou blasé com as artes, já vi tanta coisa boa, quanto ruim. Tem de ser algo muito especial ou uma ideia muito simples para que me toque o coração. Na Bienal deste ano, com exceção dos desenhos do Gil Vicente apontando uma arma para as pessoas, nada me tocou. Gostei, porque é uma mídia tradicional, lápis sobre papel. Ele demonstra habilidade como desenhista e uma ideia forte. Às vezes, saímos de casa e voltamos zerados. Voltei com um ganho, valeu.

SM: E a polêmica “Bandeira Branca”, de Nuno Ramos, que tinha urubus?
GL:
Parei, olhei bastante tempo e não me tocou. Não sei a que vem aquilo. Eu respeito, mas não é meu artista de referência.

SM: Algum outro trabalho o tocou?
GL:
 Fui à estreia e a Bienal parecia uma rodoviária. Havia fila para entrar em algumas instalações. Achei bacana as pinturas do Rodrigo Andrade, mas muitas coisas me levaram a perguntar o que estavam fazendo lá. Havia um monte de fotozinhas que mais pareciam trabalho da FAAP. É trabalho de Bienal uma parede cheia de A4 com textos? A pessoa terá de ler tudo aquilo que está grudado na parede?

SM: Havia também um excesso de vídeos.
GL: Vídeo é um problema, virou uma praga entre artistas. Sempre ocupam salas enormes e não têm tempo definido. Há vídeo de um minuto e até de duas horas! Deve ter gente que aguenta, mas a maioria deve agir como eu, põe a cabeça e sai. É preciso repensar a forma de apresentar vídeo, porque está mal resolvido. Deveria ter programação em um auditório confortável, tela grande e sessão corrida. Não é preciso construir uma sala para passar um vídeo.

SM: Qual é sua opinião sobre o movimento dos pichadores que invadiram as duas últimas bienais?
GL: A transgressão faz parte. É inerente à arte se apropriar do espaço que não lhe pertence, pegar o muro da minha casa oude uma instituição para transgredir. A Fundação Bienal tem de tentar coibir, mas quando não consegue, eles vencem. Como ação artística, não mataram ninguém, só picharam para se expressar. O grafiteiro Maurício Vilaça (morto em 1993) tinha uma afirmação que adoro: “O direito de expressão está acima do de propriedade. Então, tenho o direito de usar o muro da sua casa para escrever o que quiser”. É um delírio poético, mas acho bacana como afirmação.

SM: Em uma entrevista para o jornal Folha de São Paulo, você falou que o grafite ficou banalizado.
GL:
É uma linguagem que está aí, mas acho confusa. O grafite está muito comportado, falta uma ideia crítica, um soco. O cara vai lá, desenha um boneco e não encerra uma ideia. É muita sobreposição que não dá leitura e só funciona como cenário. Achei horrível o painel que OsGêmeos fizeram no Museu de Arte Moderna (MAM). Ninguém fala nada, mas não precisa de painel de OsGêmeos no MAM, eles já estão em todo lugar. Eu gostava de grafite quando era “a figura”. Esse monte de grafite de hoje não dá um Bansky, o grafiteiro inglês que, quando faz uma coisa é “a imagem”.

SM: Você expôs na Bienal de 1985. Por que não participou mais?
GL:
Porque não me convidam. Bienal é convite. Participei da 18ª Bienal como convidado. Era uma bienal que abria para projetos e eu enviei um que foi aprovado. Para as outras, nunca me convidaram.

SM: Quer aproveitar este espaço para reclamar?
GL: Alguns críticos me conhecem. Muitos não gostam de mim, então escolhem outros artistas. Acho legítimo. Eu só gostaria de fazer a Bienal, mas não tive a sorte de ser convidado.

Outras obras de Guto Lacaz


"Auditório para Questões Delicadas" - obra instalada no lago do Parque Ibirapuera em 1989


"Eletro-esfera-espaço" - instalação de 1986 para uma cidade hipotética, produzida para a Fundação Bienal



Obra "Irmã" para a exposição coletiva "A árvore de cada um", na Galeria Montessanti, em 1991 



Escultura "Sr. Ubu", para a exposição "Ubu-Rei", no Museu FAAP, em 1996   



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