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CAPA

PONTO DE PARTIDA (SM pág. 1)
Em Editorial, Henrique Carlos Gonçalves enfatiza a importância de realizar um amplo debate para atualização do Código de Ética Médica


ENTREVISTA (SM pág. 4)
Acompanhe entrevista com psicanalista e escritor...


CRÔNICA (SM pág. 10)
O cronista Tutty Vasques, convidado desta edição, nos brinda com texto inteligente e - como sempre - muito bem humorado


CONJUNTURA (SM pág. 12)
Dados sobre asfixia perinatal durante a última década mostram que esta foi a causa de morte em 23% dos óbitos neonatais no Brasil


HISTÓRIA DA MEDICINA (SM pág. 16)
O coração sempre ocupou papel de grande importância no simbolismo relacionado ao homem


DEBATE (SM pág. 20)
Na pauta das discussões, a (necessária e inadiável) revisão do Código de Ética Médica


EM FOCO
Saúde feminina é mais suscetível ao alcoolismo e sedentarismo, segundo importantes indicadores de saúde


HOMENAGEM
É preciso lembrar o médico nefrologista que marcou, com coragem e idealismo, a história do movimento médico no país


LIVRO DE CABECEIRA (SM pág. 33)
O destaque desta edição é, de fato, imperdível: A Verdade Sobre os Laboratórios Farmacêuticos, de Márcia Angell


CULTURA (SM pág. 34)
Acompanhe uma análise do simbolismo das telas de René Magritte, realizada pelo psiquiatra e psicanalista Carlos Amadeu Byington


HOBBY DE MÉDICO (SM pág. 38)
Acredite: ortopedista utiliza filadores externos para produzir peças pra lá de curiosas...


TURISMO (SM pág. 40)
Se você nunca ouviu falar no Atacama, este é o momento de arrumar as malas em direção ao... Chile!


CARTAS & NOTAS (SM pág. 47)
Todas as referências bibliográficas das matérias desta Edição você encontra aqui


POESIA
O Fogo e a Fé, poesia de Fátima Barbosa, fecha, com emoção, as matérias deste número


GALERIA DE FOTOS


Edição 44 - Julho/Agosto/Setembro de 2008

EM FOCO

Saúde feminina é mais suscetível ao alcoolismo e sedentarismo, segundo importantes indicadores de saúde

Elas sofrem mais


Bagnante sedutta (de Antonio  Tantardini - Museu Nacional de Bellas Artes da Argentina) e
Mulher Sentada (de Rogério Timóteo, Portugal)

Alcoolismo, uso de drogas e sedentarismo têm piores efeitos
sobre a saúde feminina do que a masculina

A mulher tem mais capacidade para suportar dores e doenças? Isto está longe de ser verdade, segundo alguns importantes indicadores de saúde. Contrariando o mito de que a mulher não sofre de doença coronariana, as estatísticas mostram que o coração feminino merece atenção especial. A fisiologia da mulher, naturalmente mais frágil que a masculina, aliada às mudanças radicais em seus hábitos a torna vulnerável a uma série de complicações que derrubam a lenda da longevidade feminina.  “A mulher ainda vive mais porque adota outro estilo de vida em termos de consumo de álcool, cigarro e drogas, mas esse panorama está mudando”, afirma o cardiologista e conselheiro do Cremesp, José Henrique Andrade Vila.

Pesquisas realizadas nos Estados Unidos demonstram que a doença arterial coronariana é a causa mais importante de óbito entre as mulheres americanas, responsável por mais de 250.000 mortes/ano, o que representa 1/3 da mortalidade anual. Dados epidemiológicos obtidos no Brasil, nos anos de 2004 e 2005, denunciam as doenças cardiovasculares como responsáveis por 42% das mortes no sexo feminino.

Segundo estudo publicado por Paola Smanio, especialista em cardiologia e medicina nuclear, em seu livro Medicina Nuclear em Cardiologia, Metodologia à Prática Clínica, o risco para o aparecimento da doença arterial coronariana (DAC), bem como de suas complicações é de 25% para as mulheres de 40 anos e passa a 50% nas pacientes idosas (acima de 70 anos). 

Como as mulheres costumam ter maior longevidade, a preocupação com a investigação e diagnóstico no sexo feminino é crescente. E, uma vez evidenciada, o prognóstico é pior se comparado com o sexo masculino: sabe-se que depois de ocorrido o infarto do miocárdio a mortalidade no primeiro ano é maior no sexo feminino comparado ao masculino, 38% e 25%, respectivamente

Embora essencialmente similares, os aparelhos cardiovasculares femininos e masculinos possuem pequenas diferenças fisiológicas que tornam as mulheres mais suscetíveis a problemas cardíacos. Segundo Vila, as coronárias são mais finas, tornando mais perigoso o uso da cocaína face à ocorrência do espasmo coronariano. O peso corporal da mulher é até 40% menor que o do homem, ou seja, “na mesa do bar, um chope para cada um, ela ingere 40% a mais de álcool que o parceiro”, diz ele. Além disso, o coração feminino é 30% menor e bate até 10% mais rapidamente que o masculino.

Uma série de mitos impede a efetiva prevenção e detecção das doenças coronárias em mulheres, dentre elas o ritmo de vida marcado pelas múltiplas funções como cuidar dos filhos, da casa e, ainda, do trabalho que sobrecarregam o cotidiano e a leva a procrastinar a atenção com sua saúde: “ela, conceitualmente, acha que tem menos direitos”, afirma Smanio. A atitude da mulher quanto aos sintomas também difere. Em alguns casos, a dor não parece ser no coração, dependendo da artéria obstruída. “Então, a pessoa pode sentir uma dor nas costas, no braço esquerdo, na mandíbula e acaba por atribuir a dor a outro fator que não o coração, deixando de procurar um cardiologista”, completa Smanio.

Para Vila, “o médico ainda tem uma mentalidade antiquada”. Entre os profissionais da saúde, prevalece a visão de que as doenças cardíacas raramente afetam as mulheres. Os sintomas são relacionados a problemas emocionais, o que atrapalha a detecção de uma patologia, às vezes grave, que acaba passando despercebida. “Quando eu fiz Residência Médica, recebíamos a instrução para nem fazer eletrocardiograma em mulheres: era só dar um calmante e dispensar a paciente. Com homem não, seguíamos todo o procedimento. Hoje nós sabemos que isso não faz sentido”, comenta Smanio.

Além disso, a mulher “tem mais dificuldade de precisar o sintoma, ela é menos objetiva que o homem e demora mais tempo para chegar a uma investigação diagnóstica e, quando chega, a doença já está mais avançada”, alerta a médica. Hábitos já perigosos para os homens, como o abuso de drogas e o sedentarismo constituem fatores agravantes para a saúde da mulher moderna. “O espírito de imitação do homem coloca a mulher em situação extremamente perigosa”, destaca Vila.

Efeitos
As drogas ilícitas e o tabaco agem como substâncias tóxicas que aderem às células miocárdicas e seu consumo alto gera risco de overdose. Entretanto o uso habitual dessas substâncias também desencadeia graves efeitos na mulher, segundo Vila, “a mulher, mesmo que só consuma eventualmente a droga, corre risco de morte, já o homem geralmente tem problemas apenas quando faz uso em grandes quantidades”. O consumo prolongado de drogas agride lentamente o funcionamento coronariano, provocando insuficiência cardíaca, alteração do sistema de condução ou até mesmo um infarto. “No caso do alcoolismo, o que se desenvolve é uma miocardiopatia e isso é relativamente freqüente em nossas investigações e consultas”, enfatiza Smanio.

A evolução dos sintomas referentes às patologias cardíacas se dá com a diminuição da capacidade funcional, com dispnéia e cansaço ao fazer esforço, no caso da miocardiopatia. Em seguida, evolui para o cansaço em repouso. Estes podem ser os sintomas apresentados quando há insuficiência cardíaca. Um sinal da presença de arritmia cardíaca pode ser a perda momentânea da consciência, enquanto a dor precordial – angina – pode ser sintoma inicial de infarto do miocárdio.

Segundo Smanio, há a possibilidade de reversão dos males causados pelo consumo de drogas ao coração, por exemplo, reversão de uma arritmia cardíaca ou outras manifestações cardiovasculares “dependendo do momento em que se faz o diagnóstico e cessa o consumo da droga”.

Nos casos mais graves, em que já ocorreu necrose do músculo cardíaco, há apenas a possibilidade de abrandamento das seqüelas: “se o paciente já apresenta uma miocardiopatia alcoólica, é possível até estabilizá-lo e melhorar sua qualidade de vida, mas normalmente a reversão é difícil”, alerta Smanio.

Fatores psicossociais
Fatores psicossociais, não apenas físicos, como a “maior depressão e sobrecarga da mulher no dia-a-dia, a tripla jornada – mãe, profissional e dona de casa –, faz com que ela seja mais suscetível a problemas de saúde”. O afastamento do serviço doméstico muitas vezes leva as mulheres ao sedentarismo, pois aquelas que trabalham fora “deixam de se exercitar para passar o dia na frente de uma tela de computador”, diz Vila.

O cardiologista alerta, também, que a mulher não deve se sentir pressionada a reproduzir hábitos masculinos para conquistar realização, pois seguir essas imposições da vida moderna configuram uma bomba-relógio para a saúde feminina.  “Se a mulher tem o sonho de ser psicóloga, que o persiga, mas se deseja ser dona de casa, não vejo motivo para discriminá-la. Testemunho no meu consultório muitas profissionais que sentem remorso por não ficar o tempo que consideram necessário com seus filhos”, afirma o cardiologista.

(Colaborou Aline Rocha

Ilustração composta pelas esculturas: *Bagnante sedutta, de Antonio Tantardini, Museu Nacional de Bellas Artes da Argentina/**Mulher sentada, de Rogério Timóteo, Portugal.



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