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CAPA

EDITORIAL (SM pág. 1)
O segredo médico é o destaque principal do editorial desta edição


ENTREVISTA (SM pág. 4)
Shotaro Shimada: visão ainda mais grandiosa da yoga


CRÔNICA (SM pág. 8)
Texto bem humorado de Tufik Bauab Jr, vice-presidente da SPR


MEIO AMBIENTE (SM pág. 10)
Efeito estufa: ações cotidianas, poluidoras, passam despercebidas...


CONJUNTURA (SM pág. 12)
Transtornos mentais e de comportamento: faltam recursos para prevenção e tratamento


SINTONIA (SM pág. 18)
Instituto Internacional de Neurociências de Natal ELS: audácia e pioneirismo


DEBATE (SM pág. 20)
Ginecologistas do Cremesp discutem aborto e saúde pública


EM FOCO (SM pág. 26)
O que representa ser estrangeiro e estudar Medicina no Brasil? Um enorme desafio...


HOBBIE DE MÉDICO (SM pág. 29)
Brasil Império: Manuel dos Santos Júnior mostra sua coleção de louça histórica


COM A PALAVRA (SM pág. 34)
Com vocês... Montaigne, dissecado por Joffre Marcondes de Rezende


HISTÓRIA DA MEDICINA (SM pág. 36)
Você conhece a história e a origem da palavra sífilis? Surpreenda-se. Texto de Isac Jorge Filho


ACONTECEU (SM pág.40)
Festival de Dança de Joinville: emoção à flor da pele, para bailarinos e espectadores


ARTE E TURISMO (SM pág. 42)
Conheça a arte popular, maravilhosa, na fachada de casas de pequenos vilarejos brasileiros


LIVRO DE CABECEIRA (SM pág. 46)
O terrorista, de John Updike, é a recomendação de leitura do infectologista Jacyr Pasternack


CARTAS & NOTAS (SM pág.46)
Acompanhe os comentários dos leitores sobre as matérias da edição passada da revista


POESIA (SM pág. 48)
Poema do poeta português Antonio Galeão fecha esta edição com pura emoção


GALERIA DE FOTOS


Edição 40 - Julho/Agosto/Setembro de 2007

CRÔNICA (SM pág. 8)

Texto bem humorado de Tufik Bauab Jr, vice-presidente da SPR

Vade retro, chatanás

Tufik Bauab Jr*

Acho que estou ficando velho, porque já tenho meus horários, minhas manias etc. Aos domingos, como minha companheira gosta de dormir até mais tarde, levanto, subo na moto e saio rumo à estrada para ver o sol nascer. A estrada vazia, o vento frio, o silêncio quebrado apenas pelo tum-tum-tum do motor fazem com que duas horas de passeio valham por uma semana de férias.

Aí volto para casa, deixo a moto, subo no carro e parto para a segunda emoção da manhã do domingo: o supermercado. Isto está virando mesmo mania de velho: sou o primeiro a entrar no supermercado, quando os empregados ainda estão terminando de montar as gôndolas. Os corredores estão vazios, não tem gritaria de criança, as prateleiras são só minhas. Primeira parada: garimpar CD. É lá que encontro, por exemplo, Nina Simone por incríveis quatro “real”. Depois garimpo as ofertas de DVD. De lá parto para a informática. Depois os vinhos. Eu não bebo, mas acho fascinantes os rótulos das garrafas. Cada uma parece contar uma história. Esgotado o devaneio, parto para a parte prática: arroz, feijão, sapólio cremoso, lustra-móveis, aquelas coisas que Inês usa para nos manter vivos e funcionando.

Estou eu na segunda parte do roteiro (DVD, lembra?) quando, num hipermercado de cinco mil metros quadrados, um carrinho tromba no meu. Quando levanto a cabeça para ver quem é aquele chato, surge a figura: sim, é ele mesmo, o chato-mor. Depois da pergunta óbvia (o que é que você está fazendo tão cedo por aqui?), vem o inevitável comentário: “rapaz, como você engordou!”. Se ele só tripudiasse sobre meu excesso de peso, tudo bem. Mas aí vêm os conselhos: “cuidado com as coronárias, não temos mais 20 anos, ainda bem que você não fuma, porque gordo e hipertenso você é....., etc, etc”. O que fiz para merecer isto? Se eu acreditasse em reencarnação, tenho certeza de que aquele barbudo pregando a mão esquerda de Cristo na cruz era eu, numa das minhas vidas passadas. Todo castigo é pouco.

Você acha que isso não acontece? Congressos parecem meios de cultura de chatos, e foi num deles que assisti a um cena das mais constrangedoras. A enlouquecida se aproximou de uma amiga e começou a censurar o quão magra ela estava. “Não é bonito não, ficar um esqueleto assim. Pelo menos um pouquinho de sustança a mulher tem que ter. Pare já com esse regime, coisa mais triste, ficar sem comer”. O que a inconveniente ensandecida ignorava era que nossa amiga estava em fase aguda de doença de Crohn.

Não tenho a coragem de Edson Marchiori, que é uma das pessoas mais finas, educadas e equilibradas que já conheci, mas que nessas horas se transforma e, quando encontra alguém desse tipo, manda o sujeito procurar a progenitora de má fama que o pariu.

Mas estou ficando cínico. Minha coxofemoral direita está sentindo o peso dos anos, e comecei a manquitolar. Invariavelmente alguém sempre perguntava: “você está mancando?”. Nas primeiras vezes eu era paciente, mas depois comecei a responder coisas do tipo “não, este é meu jeito charmoso de andar”. A artrose se agravou, de maneira que passei a utilizar uma bengala. Estou desconfiado de que aquele objeto que utilizo para me apoiar não é uma simples bengala. Da mesma maneira que o pára-raios obviamente atrai raios, a minha bengala atrai curiosos. Alguns são educadamente solidários, mas há uma considerável parcela de chatos infiltrada entre esses curiosos. Se perguntam se estou usando bengala, respondo “não, é de um amigo, estou cuidando dela porque ele foi ao banheiro e não consegue segurar duas bengalas ao mesmo tempo”. Se percebo solidariedade, explico tudo sobre minha condição de bengaleiro. Mas quando percebo curiosidade mórbida na pergunta “o que te aconteceu?”, explico que é excesso de peso. “Você está tão gordo assim ?” “Nem tanto, esse excesso de peso vem do fato de que a natureza foi muito generosa com a minha masculinidade. Como 98% das masculinidades ficam naturalmente vertidas para a esquerda dentro da caixinha de dólares (antigamente chamada de cueca), a coxofemoral não suportou o peso do órgão e terminou lesada”. Um engraçadinho perguntou porque eu não passo o bruto para o outro lado. “Nem pensar, não quero lesar a coxofemoral direita”.

E tem chato que não agüenta e pergunta como sou motociclista se sou manco. Aí explico que mandei adaptar uma bengala: coloquei rodinha nela, de maneira que posso rodar na moto sem mancar. Nem tenho coragem de contar que um tombo da moto agravou a lesão, para não ter que ouvir um longo sermão sobre “se tem duas rodas, é que foi feita para cair etc”.

Uma das coisas que mais afagam a alma é ter uma pessoa querida se preocupando com a tua saúde. A pessoa que te quer bem está criticando teus maus hábitos porque ela quer que você se preserve, para permanecer ao lado dela mais tempo possível.

Por outro lado, o que menos precisamos é de chatos ressaltando nossos defeitos. Como se eu não tivesse espelho em casa, e como se eu não tivesse uma feroz autocrítica que nenhuma análise resolve.... Se você não tem uma coisa boa para dizer para uma pessoa, fique quieto. Se é que você consegue...

PS: estava me esquecendo daquela frase máxima, a preferida de todos os chatos: “você precisa mudar de vida”. Vade retro.


Tufik Bauab Jr. é vice-presidente da Sociedade Paulista de Radiologia e Diagnóstico por Imagem e radiologista de S. José do Rio Preto.


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