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Edição 37 - Outubro/Novembro/Dezembro de 2006

TURISMO

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Chapada dos  Veadeiros


Texto e fotos: Luciana Napchan*

Cânions e serras com abruptas escarpas verticais lembram fortalezas. Não por acaso, essa paisagem do cerrado serviu de refúgio para índios, escravos e revolucionários 

A paisagem é impressionante. Alguns dos cânions e tabuleiros da Chapada dos Veadeiros lembram fortalezas por suas abruptas escarpas verticais. Ali, grotões e rios no fundo de gargantas parecem fossos intransponíveis, reforçando a idéia de isolamento. Talvez por sua geomorfologia acidentada ou porque o “vazio do Brasil central” fosse mesmo vazio, o fato é que deserdados de todas as origens tentaram criar naquela porção de cerrado seus reinos protegidos. Alguns conseguiram, pelo menos por algum tempo. 

Os índios avá-canoeiros, do tronco lingüístico tupi, hábeis em montarias de rio (realizadas em canoas) fizeram da Chapada dos Veadeiros um refúgio até quase o último indivíduo. Alvo de perseguições sistemáticas desde os tempos coloniais, quando combatiam ferozmente os portugueses, optaram por se organizar em pequenos grupos de fácil mobilidade – e também de fácil esquecimento. Tanto que nos anos 80, quando ninguém mais se lembrava deles, trabalhadores de uma hidrelétrica que iria alagar a Serra da Mesa (a oeste da Chapada) e técnicos da Fundação Nacional do Índio (Funai) encontraram um grupo formado por um casal e mais duas idosas que há 20 anos escondiam-se em cavernas e no alto das montanhas, fugindo todos os dias. Dia após dia fugindo. Não havia crianças entre eles, porque Tuia, a mulher jovem, não permitia o desenvolvimento de suas gestações. Bebês fariam muito barulho e dificultariam a mobilidade do grupo. Depois de contatados e protegidos em uma reserva na Ilha do Bananal, Tuia e o marido tiveram dois meninos. Para que a outrora grande nação avá-canoeiro não se extinga, o pessoal da Funai tem a esperança de ainda encontrar algum outro pequeno grupo da mesma etnia e, com ele, uma ou mais meninas.  

Também foi na Chapada dos Veadeiros que os calungas escreveram sua história de resistência. Eles eram negros bantos, habilidosos na arte da mineração e fundição, que desde o século XVII foram levados como escravos a Minas Gerais, de onde fugiram em direção ao interior do país até chegarem à Chapada para construir o sonho de liberdade. Protegidos pelos acidentes geográficos – rios, serras e caminhos difíceis –, conseguiram manter-se unidos e quase isolados até os anos 80 quando o Brasil, boquiaberto, descobriu cinco comunidades quilombolas onde viviam cerca de três mil pessoas. 

Até revolucionários buscaram abrigo na região. Na Revolução Tenentista (1925 a 1927), os jovens militares comandados por Luís Carlos Prestes, que pretendiam depor o governo e saíram em marcha pelo interior do Brasil, encontraram refúgio estratégico naquelas paisagens. E que paisagens!  

A Chapada dos Veadeiros é um cerrado nas alturas (o ponto mais alto ultrapassa 1.600 metros), contrastando com  terras baixas e planas do Planalto Central. Somente 3% da área é considerada cerrado de altitude, que conjuga clima mais ameno com o verde-dourado dos campos de pastagens naturais, emoldurados aqui e ali por serras de tabuleiros e cânions. Riquíssima em rios, a região abriga, entre outros, as cabeceiras do grande rio Tocantins. Nas proximidades das águas, palmeiras como os buritizais balançam ao vento suas folhas em forma de leque, ornamentando o cenário. Árvores baixas de galhos retorcidos e de casca grossa, típicas do cerrado, explodem em flores (entre outubro e novembro, após o início das chuvas) contrastando com o céu sempre azul.  

O cerrado, a savana brasileira, é o segundo bioma em extensão no país, abrangendo um quarto do território nacional, cerca de 1,7 milhão de quilômetros quadrados. É um ecossistema riquíssimo em espécies e com alta ocorrência de espécies endêmicas. A idéia de que era formado por terras inférteis e impróprias para a produção garantiu sua preservação até os anos 60. Depois da construção de Brasília, no entanto, as áreas planas passaram a ser cobiçadas para a agricultura extensiva e mecanizada, o que causou, no curtíssimo prazo de 40 anos, a destruição de 80% desse ecossistema. Boa parte da região que até pouco tempo abrigava capim dourado, árvores e palmeiras, hoje é ocupada pela monocultura de soja. Pelo andar da carruagem, ou melhor, dos tratores e colheitadeiras, num futuro próximo o processo de desertificação poderá mudar esse cenário. 

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros reflete a saga do cerrado. Em 1961, o então presidente Juscelino Kubitschek fundou o Parque Nacional do Tocantins, com 625 mil hectares. Nos anos seguintes à ditadura militar (iniciada em 1964), a área sofreria o assédio implacável de fazendeiros e especuladores imobiliários, que conseguiram reduzi-la a pouco mais de 10% da original. Em 2001, após ser declarado Sítio do Patrimônio Natural Mundial pela Unesco, o governo brasileiro ampliou a área do parque para 236 mil hectares, iniciativa que foi invalidada por decisão judicial.  

Veadeiros é o nome dado aos cães dos caçadores de veados-campeiros, cervídeos antes abundantes nessa parte do cerrado, hoje quase extintos. Por volta de 1940, a principal economia da região procedia da mineração de imensas jazidas de cristal de rocha. Em 1944, mais de dois mil garimpeiros viviam na atual área do parque. Anos depois, a produção de cristal sintético acabou com os garimpos, deixando como testemunha apenas alguns trechos revirados de terrenos pontilhados de milhares de pequenos cristais brilhantes. Consideradas “energéticas”, as pedras atraíram para o lugar um outro tipo de negócio: místicos e esotéricos de todo o Brasil e do exterior procuram a chapada como local de cura ou meditação, dando impulso ao ecoturismo ou “esoturismo”, como dizem os habitantes do local. O clima místico ainda se faz sentir em inúmeras comunidades pós-hippies, templos e até em um “observatório para discos-voadores”, como alguns denominam o Mirante do Isto. 

Os garimpeiros de outrora e suas famílias permaneceram nas vilas e cidades da região e hoje têm uma perspectiva de vida totalmente diferente: a de atender ao turismo e participar do cotidiano do parque como condutores de visitantes. Nos últimos dez anos, um programa especial do Ibama, de Ongs e da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de Goiás vêm capacitando os guias e criando um verdadeiro time de conservacionistas. Eles tiram o sustento do parque e, além de guiar turistas, são responsáveis pela segurança, limpeza das trilhas e pelo controle de horários e limites estabelecidos para visita. Também foram treinados para fazer parte das brigadas de incêndio – o fogo é um problema crônico no cerrado – e de salvamento. 

O turismo e a conservação ambiental também contagiaram os proprietários de terra do entorno. Beneficiados pela Lei 9.985, que aprovou o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, transformaram suas áreas em Reservas Particulares de Patrimônio Natural (RPPN) recebendo com isso, além de isenção de impostos rurais, apoio para o desenvolvimento de projetos de ecoturismo. Essas atividades mostram-se mais rentáveis do que a agropecuária. Hoje, as mais visitadas atrações da Chapada estão fora dos limites do parque. As RPPNs também respondem pelo aumento considerável de área natural protegida, ampliando os corredores de circulação de animais e garantindo a maior troca genética entre as espécies da região. A RPPN Cara Preta, de quase mil hectares,  contribui com o parque por proteger as nascentes do rio Preto, formador de suas principais cachoeiras.  Em 2000 foi criada ao redor do parque a Área de Proteção Ambiental (APA) de Serra do Pouso Alto, com mais de 800 mil hectares, abrangendo quatro municípios.  

Com o crescente aumento de áreas protegidas, a Chapada dos Veadeiros caminha para um novo destino: em vez de fechar-se no isolamento como no passado, sua população atual se organiza alongando-se rumo a outras unidades de conservação de Goiás e de Minas Gerais.  

Entrar no paraíso custa quase nada   

Onde ficar - Alto Paraíso de Goiás, a 225 quilômetros de Brasília pela rodovia GO-118, é a cidade mística da região, possuindo uma das maiores concentrações de cristais de quartzo do mundo. O município serve como base para conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. A Vila de São Jorge, a 36 quilômetros de Alto Paraíso, é menor e bem menos estruturada, mas fica na porta de entrada do parque. Em ambas há boas pousadas e restaurantes de comidas típicas.  

Dicas -
Pousada Fazenda São Bento   
Pousada Casa das Flores  
Pousada Bambu Brasil  e
Restaurante Matula 

Passeios - No caminho entre Alto Paraíso e São Jorge, existem algumas RPPNs que merecem ser visitadas. Nesse trecho é possível desfrutar de privilégios da natureza como o espetacular conjunto de Cachoeiras Almécegas, cânions impressionantes e algumas piscinas naturais do Vale da Lua.  Já o Parque Nacional é excelente para longas caminhadas, de aproximadamente seis quilômetros. Em um dia o visitante pode conhecer alguns cânions e a Cachoeira das Carioquinhas. E, no outro, chegar às corredeiras e cachoeiras do Rio Preto. Após uma caminhada de aproximadamente 50 minutos (seis quilômetros) pelo cerrado chega-se a duas fantásticas quedas d’água do Rio Preto, de 80 e 120 metros. Na base da cachoeira menor há uma piscina natural, excelente para nadar. 

O parque dispõe de um centro de visitantes, além de alojamento para pesquisadores. A visitação dos atrativos localizados dentro do parque somente é permitida com acompanhamento de guias cadastrados pela Associação dos Moradores de São Jorge, Associação dos Condutores de Visitantes da Chapada dos Veadeiros ou Grupo de Apoio ao Meio Ambiente, que podem ser encontrados na comunidade de Alto Paraíso de Goiás ou no povoado de São Jorge. O ingresso para o paraíso custa muito pouco, em torno de R$ 3,00. Os passeios com os guias ficam mais baratos quanto maior for o grupo de visitantes. 

Em época de chuvas intensas (novembro a maio, aproximadamente) é bom checar se o parque está aberto à visitação (telefone - 061.3459-3388). A ocorrência de trombas d’água, por exemplo, pode levar ao seu fechamento.  
Vale lembrar que a paisagem difere bastante conforme as épocas, de seca ou de chuvas. O volume de água nas cascatas e piscinas naturais muda radicalmente. A melhor época para visitação é no período de estiagem, de abril a julho. 

Localização - 225 km de Brasília  
Área - 65.514 hectares  
Ecossistema - Cerrado de altitude  
Clima - Com altitudes variando de 500 a 1.600 metros, apresenta clima tropical semi-úmido, com quatro a cinco meses bem secos e média de temperatura anual de 25ºC 

* Imagens e dados desta matéria resumem um dos capítulos do livro Parques Nacionais da América Latina, de autoria da fotógrafa Luciana Napchan e do ambientalista Walter Behr, com lançamento previsto para fevereiro de 2007. 



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