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Editorial, com Isac Jorge Filho


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Nosso convidado é Diego Gracia, um dos papas da Bioética na Europa


CRÔNICA
Acompanhe texto bem-humorado de Tufik Bauab, médico radiologista


CONJUNTURA
Uma análise da história da hanseníase no país


BIOÉTICA
A situação sombria das mulheres indianas


MÉDICAS EM FOCO
Marilza Rudge e Mary Ângela Parpinelli contam suas trajetórias profissionais


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A quebra das patentes dos medicamentos no Brasil


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Harold Pinter, prêmio Nobel de Literatura, e a política externa dos EUA


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Hospital expõe fotos tiradas por crianças e adolescentes internados


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Totalidade e Infinito - Emmanuel Lévinas


CULTURA
Faculdade de Medicina da Bahia: 1ª instituição do ensino superior do país


TURISMO
O crescimento - prazeroso - do turismo rural no Brasil


HOBBY DE MÉDICO
Quando a partitura se transforma em instrumento de trabalho...


POESIA
Entre o Sono e o Sonho - Fernando Pessoa


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Edição 34 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2006

TURISMO

O crescimento - prazeroso - do turismo rural no Brasil



O campo abre as porteiras
Sérgio Túlio Caldas*


Pelas amplas janelas abertas à imensidão do campo, que ainda exala o frescor da terra molhada, os sons vão entrando aos poucos: mugidos, um trinado distante, o relinchar repentino no pasto ao lado. Na cozinha, os aromas do café fresco, dos pães e dos bolos recém-saídos do forno anunciam que o dia está começando. A conversa é animada naquele ambiente levemente aquecido pelo fogão à lenha.Os causos se emendam uns aos outros e provocam boas risadas. Assim é o início da rotina diária de quem mora no campo. E também de quem está ali de visita, descobrindo os prazeres e a cultura peculiares da vida rural – um interesse, aliás, cada vez maior entre os turistas brasileiros e também estrangeiros.

O desejo de estar em contato com a simplicidade do campo e com nossas raízes caipiras é notável. Conforme os números indicam, a mala de viagem dos brasileiros está deixando de levar apenas roupas de praia. Agora, também carrega trajes para cavalgar e caminhar em matas, rumo ao vasto interior do país – uma região farta em costumes, culinária, natureza e histórias ainda a serem descobertas. Também conhecido como agroturismo, o segmento experimenta uma evolução inédita: segundo dados do Ministério do Turismo, divulgados no início de 2006, a modalidade vem crescendo cerca de 15% ao ano.

Uma das razões dessa procura pode ser explicada pelo generoso leque de opções oferecidas.  O turismo rural agrega atividades cotidianas do campo, como plantio e colheita, manejo do gado, pesca e culinária regional; ao mesmo tempo em que proporciona caminhadas junto à natureza, observação de aves, cavalgadas e práticas de esportes de aventura, como rafting e arvorismo. Não bastassem tantas atividades, há ainda a hospitalidade rural: o viajante é recebido na própria casa onde moram os donos e tratado como se fosse alguém da família em visita.

A alternativa de lazer rural também está se transformando num negócio promissor aos empresários do campo. De acordo com a Associação Brasileira de Turismo Rural (Abraturr), existem cerca de 12 mil empreendimentos dedicados ao segmento. “Em 1994, quando criamos a entidade, não passava de 400”, recorda Carlos Solera, presidente da Abraturr. Segundo ele, o agroturismo gera cerca de 500 mil empregos diretos e indiretos, com faturamento próximo dos R$ 2,5 bilhões em 2005.

Esse desenvolvimento não deve ser medido apenas em números. O turismo no campo vem experimentando uma profissionalização espetacular. Instituições públicas e privadas, como o Sebrae, o Senac, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), além de organizações  ambientalistas como a Biodiversitas, formam parcerias, reúnem-se em congressos e feiras com o objetivo de promover o segmento. Entre as metas prometidas pelo Ministério do Turismo até o final de 2007, estão a criação de novas oportunidades de trabalho no campo e o resgate do patrimônio cultural e natural do interior do país.

“O turismo rural favorece a auto-estima da gente do campo”, diz Alexandre Costa Marques, presidente da regional da Abraturr no Mato Grosso do Sul, proprietário da Baía Grande, uma fazenda de 1.800 hectares próxima à cidade de Miranda (MS) e repleta de animais da fauna pantaneira. Marques conta que, em sua região, o agroturismo tem permitido a diversificação de profissões na roça (como a de guias turísticos e artesãos) e criado novos empregos – principalmente para as mulheres. “Muitas esposas que antes ficavam em casa, enquanto o marido saía para a lida no campo, hoje trabalham nas propriedades abertas ao turismo”, exemplifica ele, que treinou cozinheiras e arrumadeiras para atender os turistas que chegam à Baía Grande.

“O Mato Grosso do Sul abriu definitivamente suas porteiras ao turismo rural”, se entusiasma o fazendeiro Gerson Prata, da Fazenda Santa Inês, nos arredores de Miranda. Tradicional criador de gado, Prata resolveu receber viajantes em sua casa por “sentir-se solitário”. Acabou tomando gosto pelo negócio e investiu no conforto de seus hóspedes. Mandou construir uma tirolesa sobre a bela lagoa da fazenda, montou uma sala de jogos e outra de leitura, capacitou empregados a guiar turistas por passeios a cavalo, organizou um cardápio especializado em pratos típicos pantaneiros, como o pacu recheado de farofa e temperado com ervas frescas, colhidas na horta atrás da cozinha.

No Pantanal, chama a atenção uma atração especial, adequada aos que querem mais intimidade com as riquezas da região. Os pantaneiros criaram diversos “roteiros integrados”, como a Rota Pantaneira, que durante cinco dias de cavalgada leva o turista a diversas fazendas e pousadas das regiões de Miranda e de Aquidauana. Pelo caminho, eles cruzam planícies alagadas, avistam uma diversidade impressionante de bichos, como tuiuiús, araras-azuis, tamanduás e jacarés. O passeio possibilita conhecer o dia-a-dia da gente local e participar de uma autêntica comitiva pantaneira, conduzindo cabeças de gado ao som do berrante.

Outro Estado com vocação natural ao turismo rural é Minas Gerais. Além de contar com a mais bem estabelecida organização estadual do setor, a Associação Mineira de Empresas de Turismo Rural (Ametur), Minas tem atributos suficientes para tornar-se o principal destino da modalidade no país, conforme acredita Andréia Roque Arantes, diretora da Abraturr. “A autenticidade mineira, a hospitalidade, a gastronomia e a natureza preservada, aliadas à cultura e à história que despertam grande interesse, formam um diferencial e tanto para Minas Gerais”, diz.  Não foi à toa que o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) criou uma linha de crédito para micros, pequenas e médias empresas interessadas em investir na Estrada Real – a jóia turística mineira do momento, que no longo roteiro conta com patrimônios inestimáveis como Tiradentes, Ouro Preto e Diamantina, além do encanto do cerrado e dos engenhos produtores de algumas das melhores cachaças nacionais.

Os roteiros de campo oferecidos em quase todo o país costumam conjugar ecologia, história e cultura. Assim como a estrada mineira, outro bom exemplo é a Rota dos Tropeiros, que refaz o caminho dos comerciantes do século XVIII: vai da antiga Campos de Viamão (hoje Porto Alegre, RS), passa por Lages (SC) e por Castro (PR), até chegar a Sorocaba (SP), onde, no passado, havia uma grande feira. 

Outros Estados também criam suas atrações culturais: em Pernambuco, pode-se hospedar em antigos engenhos e aprender como é realizado o cultivo da cana-de-açúcar. No Ceará, toma-se banho em açudes; em Santa Catarina pode ser feito o roteiro de inverno na serra, conhecendo a produção de pinhão, vinho e flores. Nos arredores do município capixaba de Venda Nova do Imigrante, é possível visitar propriedades produtoras de artesanato em madeira, queijo e quitutes italianos. No sul mineiro e nos interiores de São Paulo e do Rio de Janeiro, fazendas centenárias de café abrem suas portas e histórias aos visitantes.

A atenção com essas propriedades, símbolos de um período de riqueza e opulência, não é pouca. Em fevereiro deste ano, foi lançado oficialmente o consórcio Fazendas doBrasil, que pretende colocar o país no circuito internacional do turismo rural de alto padrão. Iniciativa do Sebrae e do Instituto de Preservação e Desenvolvimento do Vale do Paraíba (Preservale), o projeto faz parte do programa Europa das Tradições, cujos roteiros turísticos incluem áreas rurais de Portugal, França, Irlanda, Reino Unido e Holanda. “Esse modelo de turismo valoriza nosso patrimônio e nossa história”, diz Sonia Mattos Lucas, diretora do Preservale.

“O turismo rural tem potencial para se tornar um dos segmentos turísticos mais dinâmicos e atraentes do Brasil”, afirma Solera.

* Sérgio Túlio Caldas é jornalista e escritor, autor dos livros Nas fronteiras do Islã, ed. Record, 2002; Peixe-boi, a história da conservação de um mamífero brasileiro, ed. DBA 2004 e Arara Azul, ed. DBA, 2005, entre outros 

As fotos são de Victor Andrade

Quando ir

Todas as estações são excelentes para a prática do turismo rural. No entanto, o período do inverno proporciona um charme a mais nas fazendas. Mas se você pretende conhecer a verdadeira rotina no campo, procure visitá-lo durante a semana, quando as propriedades estão em plena atividade. Se a idéia é experimentar as atividades agrícolas, considere os períodos de colheita. O café, por exemplo, é colhido e beneficiado entre maio e setembro; já a colheita do morango ocorre de junho a julho. Na mala, não se esqueça de levar cantil, boné e tênis ou botas extras para sujá-los, sem dó, nos lamaçais das trilhas.

Sites

São muitas as opções de hospedagens rurais, com preços e passeios variados. Os sites a seguir podem ajudá-lo a saber mais sobre o segmento e a programar suas férias ou finais de semana, cavalgando ou apenas se deliciando com causos e pratos regionais à beira do fogão à lenha.

www.turismorural.org.br
www.turismodecampo.com.br
www.descubraminas.com.br
www.fazendasdobrasil.com
www.europetraditions.com
www.tropaserrana.zip.net
www.belasantacatarina.com.br/turismorural
www.roteirocaipira.com.br

De olho no campo

Como está o turismo rural no Brasil:

• 12.000 empreendimentos
• 65% das propriedades têm até 50 hectares
• 90% dos negócios são administrados por mulheres
• Em média, a idade dos turistas varia de 20 a 50 anos
• A maioria visita o campo com a família

Fonte: Abraturr


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