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Editorial, com Isac Jorge Filho


ENTREVISTA
Nosso convidado é Diego Gracia, um dos papas da Bioética na Europa


CRÔNICA
Acompanhe texto bem-humorado de Tufik Bauab, médico radiologista


CONJUNTURA
Uma análise da história da hanseníase no país


BIOÉTICA
A situação sombria das mulheres indianas


MÉDICAS EM FOCO
Marilza Rudge e Mary Ângela Parpinelli contam suas trajetórias profissionais


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A quebra das patentes dos medicamentos no Brasil


FOTOLEGENDA
Harold Pinter, prêmio Nobel de Literatura, e a política externa dos EUA


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Hospital expõe fotos tiradas por crianças e adolescentes internados


LIVRO DE CABECEIRA
Totalidade e Infinito - Emmanuel Lévinas


CULTURA
Faculdade de Medicina da Bahia: 1ª instituição do ensino superior do país


TURISMO
O crescimento - prazeroso - do turismo rural no Brasil


HOBBY DE MÉDICO
Quando a partitura se transforma em instrumento de trabalho...


POESIA
Entre o Sono e o Sonho - Fernando Pessoa


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Edição 34 - Janeiro/Fevereiro/Março de 2006

LIVRO DE CABECEIRA

Totalidade e Infinito - Emmanuel Lévinas

Livro de cabeceira 

Lévinas, o filósofo da alteridade  Não é fácil apresentar o pensamento de Emmanuel Lévinas em poucas linhas. Sua linguagem não é de compreensão imediata e seu estilo nos dá, como dizia Jacques Derrida, a sensação de ondas que batem na praia. Identificado como o filósofo da Alteridade, Lévinas é muitas vezes incompreendido, ou mesmo deturpado. Assim, no desafio de pensar o Absolutamente Outro, muitas vezes o absoluto se perde e o Outro quase se dissolve mais uma vez no Mesmo. 

Conscientes desse risco da reflexão o melhor é fazer uma pequena introdução ao conceito de alteridade e uma aproximação à idéia de Humanização. É pertinente falar de introdução e não de definição do Outro, porque o Outro não se define. O Outro se revela, vem ao encontro, se abaixa até o Mesmo. E o Eu – interioridade, profundidade – é chamado à acolhida, à Hospitalidade. Como um estranho, o Outro se revela a uma Identidade que é interpelada e que, portanto, deve responder. Daqui a noção de responsabilidade.

Se o Outro escapa à definição é porque é ilimitado, indefinível – Infinito. Paradoxalmente, a noção de Infinito comporta tanto a impossibilidade de delimitar, quanto a característica de finitude. Assim o Outro é aquele que tem a mortalidade estampada em sua Face. A mortalidade é justamente a vulnerabilidade e a nudez do Outro. Por conseguinte, a proposta de Lévinas de uma relação Face-a-Face é um apelo urgente de um novo Humanismo que socorra, assista, proteja e acolha aquele que sofre em sua fraqueza. 

Num de seus principais escritos – Totalidade e Infinito – Lévinas analisa a importância de rompermos com a idéia de Totalidade. Esta noção tornou-se uma constante no pensamento ocidental a partir da Filosofia de Hegel. A crítica levinasiana aponta para uma filosofia ocidental que exalta o sujeito, colocando-o num pedestal, e, portanto, traindo a idéia de sujeito como estar sujeito a algo ou alguém. Essa concepção transforma a liberdade no maior valor do ocidente, mas ao mesmo tempo, exclui a possibilidade de um outro ou da diferença. Da altura de seu trono o sujeito engloba tudo e todos, e cada ser humano se transforma numa parte do Todo, numa parte sem Face. 

Na filosofia de Franz Rosenzweig, Lévinas descobre a possibilidade de uma filosofia que rompe com a totalidade do Sistema. Rosenzweig mostra que a Filosofia do Sistema não pôde englobar a morte, ainda que tenha tentado transformá-la em nada. A morte é um dardo na existência humana e seu hálito pestífero, diz Rosenzweig escrevendo no front da primeira grande guerra, pode ser sentido em toda parte. É a morte que me chama à minha responsabilidade, ou seja, ao meu dever de resposta que nada mais é do que Assistência, Socorro, Hospitalidade. 

Inspirado por Rosenzweig, Lévinas nos aponta o caminho do novo Humanismo: a Substituição pelo Outro. Durante toda a história, sacrificamos Outrem em prol do Mesmo. A história é um relato, portanto, das conquistas do Mesmo, de seu heroísmo viril. Mas Lévinas propõe uma nova idéia de história – a História Santa. Trata-se aqui da história de cada singularidade ou da relação Face-a-Face. Trata-se da relação em que um não se dissolve no outro, mas em que a possibilidade de significação depende da proximidade e da Substituição do Outro. Ser humano ou ser si mesmo significa o sacrifício por aquele que tem estampada a mortalidade em sua Face. Ser si próprio significa responder ao apelo ou ser refém do Outro. 

Num de seus maiores escritos – Autrement qu’être ou au-delà de l’essence – Lévinas leva às últimas conseqüências a responsabilidade por outrem: ser único significa ser Eleito a responder por tudo e por todos.  

Um lituano em Paris

Emmanuel Lévinas era filho de um livreiro e de uma dona de casa. Nasceu em Kovno, Lituânia, em 30 de dezembro de 1905  – segundo o nosso calendário era o dia 12 de janeiro de 1906  – , oriundo de uma família de judeus ortodoxos, do qual era o mais velho dos três filhos. Além do russo, sua língua materna, Lévinas  aprendeu  hebraico e alemão ainda menino.  Incentivado por sua mãe, instruída e ambiciosa, aos dezoito anos deixou sua terra natal para estudar Filosofia em Strassbourg. Lévinas perdeu os pais e irmãos nos campos de concentração de Auschwitz. No pós-guerra, o filósofo se estabeleceu na França. Faleceu em 25  de dezembro de 1995, aos 95 anos. 

Gláucia Rita Tittanegro, Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma,  coordenadora do Curso de Filosofia e do Curso de Especialização em Bioética e Pastoral da Saúde do Centro Universitário São Camilo. 

Obra: Totalidade e Infinito
Autor: Emmanuel Lévinas
Editora: Lisboa Edições 70, 1998


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