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Gravidez na adolescência


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Edição 31 - Abril/Maio/Junho de 2005

SINTONIA

Gravidez na adolescência

Gravidez na adolescência

Apesar de apresentar queda, a taxa brasileira de gravidez na adolescência ainda é alta. O Estatuto da Criança e do Adolescente considera como adolescentes as pessoas na faixa etária entre 12 e 19 anos. No ano de 2002, o Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos do Ministério da Saúde (Sinasc/MS) apontou que 693.101 adolescentes se tornaram mães.


Em números absolutos, uma queda de 57.436 quando comparado ao total contabilizado no ano 2000.

Segundo dados da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), o porcentual de adolescentes que se tornaram mães era de 19,45% no ano 2000 e caiu para 17,53% em 2003. São Paulo apresenta menor índice de gravidez na adolescência - em alguns Estados chega a 30%.

A taxa de fecundidade total no Brasil - o número de filhos por mulher - vem caindo e atingiu o patamar de 2,4 filhos, de acordo com o Censo de 2000. Ao mesmo tempo, a incidência aumenta no grupo de 15 a 19 anos. Em 1980, essa participação era de 9%, passando a 14% em 1991, e em 2000 atingiu 20%.  O aumento é maior entre a faixa etária dos 15 a 17 anos. O crescimento não é igual em todos os segmentos socioeconômicos, sendo mais significativo entre as jovens com menor rendimento e mais baixo nível de escolaridade.

As ações básicas de saúde às pessoas na faixa etária dos 10 aos 19 anos, de acordo com os parâmetros da Organização Pan-americana de Saúde (Opas), exigem trabalho intersetorial. O sucesso do programa depende da articulação com escolas, Ongs e comunidades, além da utilização de metodologias específicas. A Opas destaca ainda “a importância do desenvolvimento de ações visando a redução da gravidez na adolescência e as mortes por causas externas - em especial em grandes centros urbanos”.

Desde 1986, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo desenvolve o Programa de Saúde do Adolescente. Em 1994, inaugurou a Casa do Adolescente, trabalhando com equipe multiprofissional.  Para a coordenadora do programa, a médica Albertina Duarte (foto ao lado), a atenção integral apresenta melhores resultados.

“De 1998 a 2005 o número de casos de gravidez na adolescência sofreu redução de 26%, os casos de HIV caíram 74% e a incidência de segunda gravidez, 23%”, comemora Albertina. Ela diz que a abordagem médica no Estado de São Paulo é privilegiada.  “Ouvir os adolescentes está virando rotina do nosso trabalho. É esse novo acolhimento que nos ajuda a obter bons resultados”, conclui.

Uma pesquisa realizada com 2.327 adolescentes pela Secretaria de Saúde do Estado mostrou que os jovens conhecem todos os métodos anticoncepcionais. “Mas entre conhecer e usar há uma distância. A menina tem medo de não agradar e o menino, de falhar”, diz Albertina. “Acompanhar as adolescentes antes da iniciação sexual, antes da gravidez, durante o período gestacional e após o parto é fundamental. Cerca de 40% das adolescentes voltam a engravidar dois anos depois da primeira gestação, ainda durante a adolescência e em piores condições”.  Promover a inclusão social da mãe é uma das ações que reduz a incidência de uma nova gravidez, segundo a médica.

A socióloga Margareth Santini de Almeida (foto ao lado), professora do Departamento de Saúde Pública da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual (Unesp) de Botucatu, também acredita no trabalho integralizado como melhor forma de cuidar da saúde dos jovens.

“A abordagem ampla implica no reconhecimento de que a adolescência não se realiza da mesma forma para homens e mulheres”, destaca. Para a professora, as diferenças de classes também devem ser consideradas.  

Em 2001, Margareth realizou pesquisa sobre a gravidez na adolescência, pela Unesp. O objetivo do trabalho foi analisar as condições e o significado da gravidez na vida das adolescentes.

A pesquisa foi realizada em duas etapas. A primeira, baseada em dados quantitativos, com 150 gestantes adolescentes inscritas em pré-natal de 10 Unidades Básicas de Saúde de Botucatu. A segunda etapa, qualitativa, permitiu uma análise da trajetória de treze mães adolescentes.

“Tentamos mostrar em que medida a maternidade faz parte do projeto de vida das garotas pesquisadas”. De acordo com os resultados, 9 das 13 jovens não engravidaram por acidente, mas porque queriam constituir família e ter uma vida melhor do que a que tinham em casa.

“Embora a bibliografia atual apóie que a gravidez precoce coloca-se como um problema, pois representa uma cisão nas possibilidades de mobilidade social pela escolarização, observou-se que a maioria já não estava mais estudando por ocasião da gravidez”, revela a pesquisadora. Mesmo para quem continuava estudando, a gravidez não se colocou como obstáculo, algumas  inclusive voltaram a estudar por ocasião desse evento. Pelos resultados, há uma maior relação entre o abandono do trabalho e a gestação. “Os comentários das adolescentes sobre a convivência familiar demonstra que as mulheres são socializadas desde pequenas para exercerem os trabalhos domésticos e a maternidade”. O estudo constatou também o esforço por parte das garotas para reorganizar a vida, mesmo para quem a gravidez não era esperada, por mais precárias que fossem as condições.



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