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    09-06-2017

    SUS

    Em debate, vice-presidente do Cremesp convoca entidades para defender a gestão pública da saúde

    A Câmara Temática de Políticas de Saúde do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) realizou, na quarta-feira (7/6), o debate “A Gestão Pública e Constitucional do SUS”, com a participação do secretário municipal da Saúde de São Paulo, Wilson Pollara, e da professora da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), Marília Louvison. 

    O vice-presidente do Cremesp, Lavínio Camarim, abriu o evento parabenizando a Câmara Temática pela escolha do tema, que ele classificou como político e filosófico. “O tema gera um debate de conflitos, mas para o bem, porque já começa perguntando se a gestão pública da saúde e o SUS são constitucionais. Ou vamos começar a inventar cartões de desconto e planos de saúde de baixa cobertura para fingir que estamos oferecendo saúde à população brasileira? Ou, ainda, voltar àquela situação em que as pessoas mais carentes eram chamadas de indigentes e ver se sobra algo do orçamento geral para destinar à saúde pública?”, questionou. “Será que não aprendemos nada com isso tudo?”, complementou.

    Para ele, a Lei 8.080/90, que regula o SUS, foi a grande reforma que o Estado brasileiro enfrentou e resolveu implantar no País como política de saúde. “E todos nós, como agentes do setor de saúde –  seja representante de entidade, como gestor ou como parlamentar –  não podemos jamais vacilar para garantir a sua consolidação, independente de quem estiver no comando da nação”, concluiu Camarim.

    Organizado pelo conselheiro Eurípedes Balsanufo Carvalho, que também é coordenador da Câmara Temática de Políticas de Saúde, o evento lotou o auditório da subsede do Cremesp na Vila Mariana. “Decidimos fazer este evento em conjunto com os delegados da Vila Mariana e, também, com as Delegacias da Capital, coordenadas pelo conselheiro Clóvis Francisco Constantino, justamente para estimular a participação dos delegados Cremesp neste debate que é muito  importante e necessário para quem atua na área da saúde”, afirmou Carvalho. "Este evento atende a sugestão de médicos presentes em debate anterior sobre financiamento à saúde. Na ocasião, foi proposta a discussão sobre gestão, que certamente continuará com outros encontros", finalizou. 

    Também foram convidados representantes do Ministérios da Saúde e da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, que não puderam comparecer. 

     

    Palestrantes comentam sobre o plano de gestão do SUS

     

    Prefeitura critica ênfase dada à prevenção
     
    Pollara falou sobre o plano de gestão da Secretaria Municipal da Saúde e da assistência em rede integrada com a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. O secretário questionou a ênfase dada à prevenção por alguns gestores de saúde. “Não há como privilegiar recursos para a prevenção uma vez que, dentro da assistência global prestada no município de São Paulo, 25% referem-se a partos, 20% a atropelamentos e quedas e 12% a câncer”, afirmou.
     
    A professora Marília Louvison defendeu a necessidade de recompor um pacto pelo SUS, criticando a segmentação entre o modelo de atenção e o de gestão no setor de saúde. “O modelo de gestão e de atenção devem caminhar juntos”, afirmou. “Existem muitos serviços bons no SUS, mas eles agem fragmentariamente”, completou. “O subfinanciamento impacta, mas a falta de aposta no SUS impacta mais ainda. É preciso pensá-lo como um conceito ampliado de saúde, em que a classe média faz uso desse serviço público como um direito. Precisamos falar com a sociedade para recompor um pacto pelo SUS e a classe média é muito importante para isso”, finalizou a professora.
     
    A mesa de abertura também teve a participação do neurocirurgião Luiz Fernando Pinheiro Franco, representando a Academia de Medicina de São Paulo. O evento foi aberto ao público e recebeu a participação de delegados do Cremesp. 
     

    Mesa de abertura do evento

     

    Fotos: Osmar Bustos


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