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    12-08-2013

    Enem extra

    Manifesto aprovado em plenário no último dia do encontro, corrobora repúdio aos vetos do Ato Médico e ao Programa Mais Médicos

    Renato Azevedo, presidente do Cremesp, rodeado pelos diretores Sílvia Mateus e João Ladislau: presença da Casa no encontro

     

    “Mantemos nossa disposição em contribuir com o melhor da nossa capacidade para a saúde pública, mas sem compactuar com propostas improvisadas e eleitoreiras que não solucionarão os graves problemas do SUS, conquista maior da sociedade”.

    Com esta afirmativa, os médicos reunidos em plenária no encerramento do Encontro Nacional de Entidades Médicas (ENEM), no último dia 10, em Brasília, aprovaram por aclamação um documento em repúdio aos vetos à Lei do Ato Médico e à Medida Provisória 621/2013, que instituiu o Programa ‘Mais Médicos’. Segundo os presentes, “a resistência às agressões, mais do que nunca, prova nosso compromisso com o cidadão”.

    Médicos aclamam, em plenário, documento em repúdio ao Ato Médico


    No manifesto, os representantes da categoria médica de todo o país alertam a sociedade e ao Governo para o futuro nebuloso resultante dos rumos adotados. Comprometidos com a saúde pública e com a oferta de serviços qualificados, as lideranças médicas apontaram alguns encaminhamentos junto ao Congresso Nacional, ao Poder Executivo e à sociedade brasileira.


    Ato Público
    Contra os vetos à Lei do Ato Médico e em oposição à Medida Provisória 621/13 – que instituiu o Programa Mais Médicos, do Governo Federal - médicos, professores e estudantes de Medicina realizaram na última quinta-feira, 8 de agosto, um grande ato no Congresso Nacional.


    Em passeata, classe médica protesta em Brasília, contra vetos da Lei do Ato Nédico e o Programa Mais Médicos


    Mesmo com poucos parlamentares presentes em Brasília, o ato público, realizado no Auditório Nereu Ramos, contou com a presença de 12 deputados e dos senadores Paulo Davim (PV/RN) e Ana Amélia (PP/RS). Foram entregues aos políticos cartilhas, elaboradas pelo Comitê Nacional de Mobilização das Entidades Médicas, com contrarrazões à MP 621/13 e aos vetos presidenciais à Lei do Ato Médico.

    Representantes de entidades médicas nacionais foram recebidas pelo presidente do Senado


    Lideranças médicas também se reuniram com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB/AL), que ouviu as ponderações das entidades médicas e afirmou levar em conta as considerações dos médicos, além de garantir uma votação democrática.
        
    As atividades do dia terminaram com uma passeata da Câmara dos Deputados até o Palácio do Planalto, onde os médicos, como forma de protesto, usaram apitos e cantaram o Hino Nacional no momento da troca de bandeira.
     


    Confira, a seguir, íntegra do Manifesto Final do ENEM Extraordinário:

     
    O QUE NOS ATACA, NOS UNE E NOS FORTALECE

    Brasília, 10 de agosto de 2013.

    É cada vez mais evidente a escolha do Governo de estimular a criação de dois tipos de medicina no país. A primeira atenderia as classes mais abastadas, que continuaria a receber atendimento de excelência com médicos bem treinados e estrutura de primeiro mundo. A segunda seria voltada para a população mais carente e mais vulnerável, condenada a receber um arremedo de assistência prestada por profissionais formados no exterior sem comprovação de capacidade e por residentes sem preceptoria adequada em localidades sem a mínima estrutura de atendimento.

    Diante desse quadro, os 10 vetos à Lei do Ato Médico e a Medida Provisória 621/2013 (Programa Mais Médicos) representam novos ataques frontais à assistência de qualidade e à medicina brasileira.  A reação expressa a esses golpes – inclusive por outros segmentos importantes da sociedade – constitui forte indicativo dos equívocos das decisões tomadas, que carecem de embasamento técnico, legal e ético.

    Sendo assim, reunidos, em Brasília, os representantes da categoria médica de todo o país alertam a sociedade e ao Governo para o futuro nebuloso que será resultante dos rumos adotados. No entanto, ante a possibilidade de reverter este cenário, os médicos brasileiros, comprometidos com a saúde pública e com a oferta de serviços qualificados, apontam os seguintes encaminhamentos:
     

    AO CONGRESSO NACIONAL:

    - Entendemos que o Poder Legislativo deve ter sua autonomia respeitada pelo Governo, preservando-se as decisões aprovadas em plenário, após inúmeros debates e audiências, como resultado do entendimento de representantes eleitos pelo povo;

    - Acreditamos que ante as agressões expressas nos vetos à Lei do Ato Médico e na edição da MP 621/2013, o Senado e a Câmara dos Deputados devem ser ouvidos como fóruns legítimos de representação, cabendo-lhes a tarefa de eliminar as distorções das regras encaminhadas evitando que a população seja penalizada.
     

    AO GOVERNO FEDERAL:

    - Exigimos o respeito à Constituição de 1988. Repudiamos a criação de grupos de cidadãos e de profissionais de primeira e de segunda categoria, ignorando-se o princípio da equidade e os direitos humanos e individuais de acesso à assistência de qualidade;

    - Lembramos aos gestores dos riscos por eles assumidos ao propor que médicos - formados em outros países e sem a devida comprovação de competência nos moldes do Revalida e sem domínio da língua portuguesa (mensurado pelo CELPE/Bras) - atendam a população;

    - Cobramos dos gestores a oferta de condições de trabalho e de atendimento, que permitam o exercício da medicina, o aumento dos investimentos em saúde (mínimo de 10% da receita corrente do país), e a qualificação da gestão e do sistema formador de ensino;

    - Queremos a contratação de profissionais médicos, formados no Brasil ou no exterior aprovados pelo Revalida, por meio de concurso público nacional, com seus direitos trabalhistas garantidos.
     

    À SOCIEDADE EM GERAL:

    - Na condição de médicos e também de pacientes, expressamos nossa solidariedade aos cidadãos que sofrem com problemas da assistência no país. Reafirmamos que o enfrentamento dessas dificuldades não deve ser resumido à presença – ou não – do médico nas unidades de atendimento. Cabe aos cidadãos reagir aos pontos previstos na MP 621/2013 que, de forma alguma, assegurarão os serviços de qualidade que foram exigidos nas recentes manifestações nas ruas.

    - Propomos ainda a defesa da criação da carreira de estado para o médico, ponto essencial à interiorização permanente da assistência em saúde, com a fixação do profissional e a melhoria das infraestruturas de atendimento em áreas remotas.  

    Finalmente, nós, médicos brasileiros, mantemos nossa disposição em contribuir com o melhor da nossa capacidade para a saúde pública, mas sem compactuar com propostas improvisadas e eleitoreiras que não solucionarão os graves problemas do SUS, conquista maior da sociedade.  A resistência às agressões, mais do que nunca, prova nosso compromisso com o cidadão. Os ataques constantes nos unem e nos fortalecem.

    Encontro Nacional de Entidades Médicas – Extraordinário

    ANMR – AMB – CFM – FBAM – FENAM
     

    Fonte: CFM
    Fotos: Márcio Arruda


    VEJA TAMBÉM:

    Vetos à Lei do Ato Médico - Uma afronta à democracia e ao Congresso Nacional

    MP 621/2013 - Fragilidades técnicas e legais que colocam a saúde da população em risco
     


     

    Tags: Enemextraato médicocongresso nacionalBrasíliaprograma Mais Médicospasseata.

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