NOTÍCIAS
Últimas Notícias
Atendimento
Cremesp reinaugura Delegacia Regional da Vila Mariana em continuidade ao projeto de ampliação dos serviços
O peso da lei bem aplicada
Justiça julga e mantém limites aos abusos de vereador em hospitais públicos contra médicos
Alerta aos médicos!
Cremesp reforça orientação do CFM sobre site fraudulento usado em cobranças indevidas de anuidade
Delegacia Regional
Cremesp inaugura novas instalações no Grande ABC para melhor atender médicos e público em geral
Notícias
|
10-06-2013 |
Folha de S. Paulo |
Muito além das macas |
|
A imagem do paciente agonizando sobre uma maca largada no meio do corredor se tornou o símbolo de tudo o que há de errado no sistema de saúde do país. Recorrendo ao poderoso estereótipo, o Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp) escolheu marcar o lançamento da campanha "Prontos-Socorros em Agonia. Até quando?" com a denúncia de que 58% das unidades de pronto atendimento que atendem pelo SUS têm macas no corredor. O dado soa ainda mais preocupante quando analisado ao lado de outros indicadores colhidos pela comissão de fiscalização do Cremesp que visitou 71 prontos-socorros entre fevereiro e abril deste ano. É preciso, entretanto, um certo cuidado ao lidar com estereótipos; nem todo hospital que coloca um paciente no corredor é incapaz de prestar bom atendimento. Em princípio, é perfeitamente aceitável que o doente, depois de examinado e medicado, permaneça numa maca enquanto aguarda resultados de exames ou uma vaga para internação. O ideal é que a espera transcorra em salas de observação, mas, se elas estiverem cheias, não chega a ser um descalabro posicioná-lo no corredor. A situação muda de figura quando o fenômeno é generalizado e o paciente passa dias na maca, o que infelizmente ocorre em muitos serviços paulistas. E a lista de despautérios é muito maior. É inaceitável que 58% dos serviços vistoriados estejam com as equipes médicas incompletas ou que 59% relatem faltar algum tipo de material crítico, como marcapassos externos e oftalmoscópios. Há, sobretudo, um problema sistêmico: 66% dos postos relataram dificuldades para encaminhar pacientes a serviços especializados. O sistema de referência e contrarreferência é a espinha dorsal do SUS: o doente entra no sistema por um PS ou unidade ambulatorial; a maioria dos casos se resolverá ali, mas os mais graves precisam ser levados a serviços capazes de intervenções mais complexas. O caminho de volta (contrarreferência) também é importante. Uma vez que o paciente recebeu o diagnóstico, ou a cirurgia de que precisava, deve voltar a ser acompanhado por um médico mais próximo de sua casa. Se tais mecanismos não funcionam bem, a tendência é sobrecarregar todas as unidades do serviço de saúde pública. Daí surgem o congestionamento de macas e a consulta após vários meses. |



