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Sede da APM reuniu entidades médicas para acertos finais das ações do dia 25
Os preparativos para o protesto e a paralisação do atendimento aos planos de saúde – marcados para o Dia Nacional de Alerta aos Planos de Saúde, em 25 de abril – foram divulgados pelos representantes de entidades médicas e de outros Conselhos Regionais paulistas durante coletiva de imprensa, realizada na sede da Associação Paulista de Medicina (APM) na manhã desta terça-feira, dia 23 de abril. Durante o encontro também foram apresentados os resultados de um levantamento, inédito, feito pela entidade com profissionais da saúde, sobre os principais problemas enfrentados por eles junto às operadoras.
Estiveram presentes ao encontro, Florisval Meinão, presidente da Associação Paulista de Medicina (APM); João Ladislau Rosa, diretor de Comunicação do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp); Cid Carvalhaes, presidente do Simesp; Cláudio Miyake, presidente do Conselho Regional de Odontologia; Sílvio Cecchetto, presidente Associação Brasileira dos Cirurgiões Dentistas; Marlene Izidro Vieira, da Federação Nacional de Associações de Prestadores de Serviços de Fisioterapia; João Sobreira e Marun David, diretores da APM; e Sonia Amaro, da Proteste.
“Será um dia de alerta nacional de médicos de todo o país, que querem comunicar à sociedade que as relações entre os profissionais e as empresas estão ruins. Existem muitos problemas que envolvem contratos, honorários e autonomia profissional, prejudicando seriamente a qualidade do atendimento prestado na saúde suplementar”, afirmou Meinão na abertura do encontro.
“A grande verdade é que a saúde suplementar vive uma crise, e os usuários de planos enfrentam as mesmas dificuldades daqueles que utilizam o SUS. Os conflitos existentes batem à porta do consumidor, e o movimento visa alertar à sociedade sem prejudicar os usuários, pelo contrário, mas para buscar soluções que melhorem o atendimento”, completou o presidente da APM.
Ladislau: "reajustes nos valores das consultas são imprescindíveis para o atendimento de qualidade"
“Um dos principais carros-chefe das reivindicações são as consultas, que definimos como valor mínimo de R$ 60 reais, embora muitas operadoras continuem pagando abaixo desse valor”, afirmou Ladislau Rosa. “Já houve um certo avanço nos valores da consulta, mas ele foi muito tímido. Nas cirurgias, a defasagem ainda é muito grande, e os médicos estão desistindo de realizar os procedimentos, pois os riscos são maiores e não compensam”, disse Meinão.
Paralisação
A ideia do movimento é tornar pública a insatisfação com as inaceitáveis e recorrentes interferências das empresas no exercício da medicina, reivindicar honorários justos e, especialmente, exigir condições adequadas para uma assistência de qualidade aos pacientes.
Ficou definido que, em São Paulo, o atendimento eletivo a todos os planos será suspenso, mas urgências e emergências serão assistidas integralmente. Também foi estabelecido que os médicos deverão ocupar toda a Avenida Paulista, das 7h às 10h, com faixas nos cruzamentos das duas vias, denunciando os problemas enfrentados na relação com os planos de saúde.
Haverá ainda ocupação da ilha central da Avenida Paulista, desde o Paraíso até a Consolação, com bandeiras de protesto e alertas à população. Em todos esses pontos e nas calçadas, serão distribuídos uma carta aberta e saquinhos de lixo para carros com os dizeres: "Lugar de plano ruim é no lixo. Sua saúde merece respeito”, com a participação de lideranças das entidades.
Encerrada essa etapa, por volta de 10h, os manifestantes, reunidos, seguirão, dos vários pontos da Paulista, para a escadaria da Faculdade Cásper Líbero, no nº 900, para um ato público, durante o qual serão soltas 10 mil bexigas pretas, para expor a insatisfação e a preocupação da classe com os rumos da saúde suplementar no país.
“Todos os consultórios deverão paralisar o atendimento, e a orientação é que os médicos nem agendem consultas para esse dia, para que os pacientes não tenham problemas”, informou Ladislau Rosa. “É um dia nacional de alerta, convocado pelas entidades médicas nacionais (CFM AMB e Fenam), mas cada Estado fará sua manifestação e definirá sua pauta de reivindicações, de acordo as necessidades locais”, finalizou.
Levantamento mostra insatisfação dos profissionais com os planos de saúde
Resultado de estudo inédito, realizado pela APM – com apoio das entidades da área de saúde – com profissionais de saúde (médicos, cirurgiões-dentistas e fisioterapeutas), sobre os principais problemas enfrentados por eles na relação com os planos de saúde, foi divulgado também neste 23 de abril, na sede da entidade.
Segundo o levantamento – realizado entre os dias 3 e 14 de abril, com 5 mil profissionais da saúde, dentre eles médicos de 22 especialidades –, apontou que somente 6% dos médicos avaliaram como ótimo (2%) e bom (4%) o seu relacionamento com os planos. O estudo mostrou que 80% dos médicos, 88% dos cirurgiões-dentistas e 87% dos fisioterapeutas já se descredenciaram ou pretendem se descredenciar de planos de saúde.
De acordo com os dados, 9 entre 10 médicos afirmaram que já sofreram algum tipo de interferência dos planos na relação médico-paciente. Os médicos elencaram como principais ações abusivas: a não autorização de procedimentos ou medidas terapêuticas (77%); a restrição a procedimentos de alta complexidade (69%); ações para dificultar atos diagnósticos e terapêuticos mediante a designação de auditores (69%); e glosas indevidas (66%). O levantamento revelou, ainda, que 86% dos médicos têm ao menos 1 paciente que precisou recorrer ao SUS, em função de obstáculos impostos pelos planos, corroborando dados da pesquisa Datafolha, que indicava que 20% dos pacientes mais graves têm de recorrer ao SUS ou ao atendimento particular. A inexistência de cláusulas contratuais com critério e periodicidade de reajuste foi apontada como causa do aumento da carga de trabalho para 83% dos médicos.
Para o presidente da entidade, Florisval Meinão, esses resultados são estarrecedores. Segundo ele, “chegamos à conclusão de que os médicos estão sob pressão para reduzir procedimentos, ou seja, eles prescrevem, mas os pacientes encontram dificuldades para realizar os exames solicitados”.
Os dados também indicam que 98% dos médicos estão insatisfeitos com sua remuneração: nos últimos 5 anos, 97% não tiveram aumento, e 96% dos contratos não têm cláusula de reajuste com critério e periodicidade adequados. “Até hoje, as empresas não encaminharam os contratos com cláusula de reajuste determinada pela Agência Nacional de Saúde, não atendendo as resoluções e se negando a encontrar soluções para uma relação harmoniosa entre as partes”, declarou Meinão.
O coordenador de comunicação do Cremesp em entrevista para emissora local
Texto: Aglaé Silvestre
Fotos: Osmar Bustos
Tags: mobilização, coletiva, levantamento, paralisação, movimento.
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