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Edição 183 - 11/2002

ATUALIZAÇÃO

Eritropoetina e transfusões de sangue


A eritropoetina e o risco das transfusões de sangue

Nelson Hamerschlak*

Recentemente, foram amplamente noticiados pela imprensa dois fatos de altíssima relevância e importância. A possibilidade atual de transmissão de AIDS por transfusão e um efeito colateral importante do medicamento Eprex utilizado na prevenção e tratamento da anemia em pacientes portadores da insuficiência renal, câncer e anemias refratárias.

Paradoxalmente, o uso da eritropoetina recombinante, substância base do medicamento em investigação, visa exatamente diminuir as exposições de pacientes às transfusões de sangue. Nós, clínicos, que prescrevemos esse medicamento e transfusões e os nossos pacientes que se utilizam destes tratamentos pensamos: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Nesse sentido, este artigo pretende esclarecer o assunto.

A transmissão de AIDS por transfusão, documentada pela primeira vez em 1982, tem sua prevenção ligada às campanhas educacionais solicitando que indivíduos sob risco não doem sangue, entrevistas dos candidatos à doação, votos de auto-exclusão (o doador assinala de forma confidencial se considera seu sangue seguro ou não para ser transfundido) e testes laboratoriais para detecção da infecção pelo HIV.

Atualmente, podemos considerar as transfusões bastante seguras. No entanto, a informação sobre o risco transfusional deve ser fornecida aos pacientes. Os testes de triagem para anticorpos anti-HIV em doadores de sangue possuem limitações, isto é, por detectarem a formação de anticorpos, tornam-se positivos dias ou semanas após a infecção pelo vírus. Esta é a chamada “janela imunológica”, período em que o indivíduo recentemente infectado torna-se infectante, mas em que ainda não é possível a detecção de anticorpos anti-HIV.

Pode-se estimar o risco de transmissão da AIDS por transfusão como algo em torno de 1/60.000 a 1/1.000.000 de transfusões, levando-se em consideração o país e o tipo de sistema de doação de sangue. Em 1996, a Associação Americana de Bancos de Sangue passou a recomendar a utilização de testes para o antígeno p24 nas unidades de sangue coletadas nos EUA. Acredita-se que a introdução desta metodologia na triagem de doadores de sangue, possibilitando a detecção mais precoce do HIV, reduza o período de janela imunológica de 22 para entre 12 e 16 dias, com conseqüente diminuição do risco transfusional, estimado para aquele país em 1/676.000 transfusões.

Recentemente, incorporou-se ao sistema um teste chamado NAT que torna ainda menor a janela imunológica (5 a 7 dias), aumentando ainda mais a segurança transfusional, mas não eliminando por completo o risco de transmissão da AIDS por transfusão. A introdução desta metodologia no Brasil está sendo coordenada por técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

Os episódios de transmissão de AIDS noticiados recentemente pela imprensa ocorreram em serviços de transfusão de sangue de reconhecida seriedade e qualidade e, conforme pode ser entendido pelas explicações acima, este risco mínimo se manterá independentemente das ações de prevenção ou número de testes laboratoriais realizados, considerando-se a atual tecnologia disponível.

É neste contexto que as transfusões devem ser indicadas, isto é, analisando-se criteriosamente o seu risco, benefício e alternativas, optando-se por realizá-las quando absolutamente necessárias. A eritropoetina é um fator de crescimento essencial para a produção de glóbulos vermelhos. Sendo o rim sua principal fonte de produção, pacientes com insuficiência renal não a produzem adequadamente e apresentam anemia.

A tecnologia do DNA recombinante permitiu a clonagem do gene da eritropoetina humana e sua introdução nas células ovarianas do hamster chinês, possibilitando a produção de eritropoetina como fonte para produção industrial de medicamentos.

O medicamento eritropoetina é utilizado hoje em cerca de 3 milhões de pessoas em todo o mundo, substituindo, na maioria dos casos, o uso da transfusão de sangue. Além de sua indicação nos casos de insuficiência renal crônica, é também utilizada para pacientes com doenças oncológicas e hematológicas.

Em setembro de 2001 foram detectados 40 casos suspeitos ou confirmados de uma doença chamada aplasia pura de células vermelhas (interrupção da produção de glóbulos vermelhos) entre os usuários do medicamento Eprex, uma das denominações comerciais da eritropoetina. Este fato originou a recomendação da indústria responsável de que pacientes que utilizassem a droga deveriam ser monitorizados periodicamente para detecção desta reação adversa.

Acreditava-se que esta interrupção na produção dos glóbulos vermelhos ocorresse em função da formação de anticorpos contra eritropoetina, que poderia estar ligado à origem animal da mesma ou a problemas de produção. Até o momento 141 casos apresentando este efeito adverso foram registrados, estabelecendo um risco de 1,14 casos para cada 10.000 pacientes que tomam Eprex. Investigações estão sendo realizadas para estabelecer as causas desta complicação.

O assunto “efeitos colaterais” é extremamente complexo, basta dizer que o Hospital Israelita Albert Einstein e mais 40 instituições de saúde do País e da América Latina estão envolvidas em um projeto denominado Latin Study para detectar fatores ambientais ou medicamentosos envolvidos na diminuição da produção de células do sangue, sabendo-se de antemão que a conclusão do estudo levará de 3 a 5 anos.

A importante lição que devemos tirar destes dois episódios é que efeitos adversos às ações terapêuticas sempre existem e por esta razão os medicamentos e transfusões devem ser utilizados com critério. Os médicos devem instruir adequadamente seus pacientes sobre riscos, benefícios e alternativas; já os usuários devem entender que tudo deve ser feito para minimizar riscos, mas que muitas vezes o risco maior é a não utilização da terapia necessária.

* Hamerschlak é médico hematologista do Departamento de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein e superintendente do Instituto de Ensino e Pesquisa Albert Einstein.

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