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HOMENAGEM
Luiz Vénere Decourt


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Edição 182 - 10/2002

HOMENAGEM

Luiz Vénere Decourt


Aos 90 anos, o professor continua ensinando

Preocupação com a formação geral do médico, resgate dos valores éticos e atenção aos pacientes em primeiro lugar. Essas características podem ser atribuídas como as mais marcantes, ao médico e professor Luíz Vénere Decourt, de 90 anos de idade, ao longo de toda sua carreira.

Tanto lúcido quanto atuante, nascido em Campinas, interior de São Paulo, e amante de música clássica – já escreveu até artigos – , esse neto de franceses vem dedicando sua vida ao bom exercício da medicina e à preservação dos valores humanos da profissão. Formado em 1935 pela Faculdade de Medicina da USP, começou a lecionar 16 anos depois no mesmo local, numa época em que a Clínica Médica ainda englobava as outras especialidades.

Atuou no Instituto do Coração (Incor) desde sua fundação, em 1977, como diretor científico. Após a aposentadoria, aos 81 anos, tornou-se professor emérito da instituição.

Hoje, ainda reserva tempo para clinicar em seu consultório, na Zona Oeste da capital paulista. Em meio a bonitos móveis, que têm tantas histórias para contar quanto seu dono, ainda é rigoroso no atendimento de seus pacientes no horário correto, prova maior de que não perdeu o profissionalismo e o comprometimento.

Fases distintas
“É preciso destacar, em primeiro lugar, o Ginásio do Estado de Campinas, em segundo lugar, a atividade clínica da Faculdade de Medicina realizada na Santa Casa e, em terceiro lugar, a Faculdade de Medicina como um todo que, evidentemente, é a minha ‘mãe científica’”, lembra Decourt, dividindo pontualmente sua carreira em três fases distintas e de igual importância.

A pedra inicial de seu aprendizado, segundo o próprio, foi lançada no Ginásio do Estado de Campinas, onde acredita, “sem qualquer bairrismo, porque sou campineiro, era um dos maiores estabelecimentos de ensino na minha ocasião”. Destaca seu ensino em línguas no colégio, especialmente o italiano e o alemão, que viriam a ajudá-lo muito, posteriormente ao período universitário. “Meus colegas [de faculdade] eram nulos em alemão e italiano e eu tinha tido dois ou três anos de línguas no ginásio. Isso me trouxe uma base extraordinária, não que eu fosse mais inteligente, mas é que o curso foi diferente”.

Juntamente com o aprendizado de línguas, o professor destaca seu pai, Paulo Decourt, que lecionava História Natural no colégio de Campinas, “a base da Biologia”, lembra, como em muito tendo contribuído para sua formação. “Meu pai defendia que o curso de ginásio deveria ter uma orientação não destinada a uma finalidade, mas um curso geral de humanidades”.

Respeito aos médicos
Luiz Decourt faz questão de destacar, também, a atividade clínica na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. “Lá eu aprendi a respeitar os médicos, que não só eram homens competentes no exercício da medicina, mas indivíduos de alta categoria humana. Devo muito ao meu ensino, ao meu trato com os doentes, à minha vivência com as necessidades dos doentes, à minha compreensão das dificuldades deles, por meio do estágio na Santa Casa”, diz.

Em 1951, prestou concurso e passou a lecionar em Clínica Médica na Faculdade de Medicina da USP. “Naquele tempo não existia cadeira específica de Cardiologia, senão meu interesse seria por essa que é minha especialidade”, falando de um fator que em nada prejudicou sua trajetória profissional. “A medicina antiga era muito bonita porque os médicos ofereciam ao seu paciente apoio, mesmo que não fosse um grande apoio científico, era um apoio moral, apoio mental e sentimental. A figura de um médico que chegava à casa de um doente, a 50 ou 60 anos atrás, levava uma medicina um tanto quanto rudimentar, mas atuava pela presença. Realmente aconselhava, orientava, policiava a atitude do doente, chegava em sua casa e era recebido como um anjo salvador. Isso é fundamental”, recorda-se.

Elogios e críticas
Com relação aos caminhos que a medicina atual vem percorrendo, mostra-se ao mesmo tempo satisfeito com os avanços alcançados e preocupado com a necessidade de se resgatar a finalidade primordial da atividade, que é o paciente.

“Eu vejo hoje a medicina em dois aspectos: um elogiável e um criticável. Evidentemente que o elogiável sobrepuja muito o criticável. Nós temos uma medicina completamente diferente do passado, baseada em fatos sólidos, com experiências sólidas. A medicina durante muito tempo não era uma ciência. Era uma especulação, uma aventura, ou uma arte como diziam alguns. Discutiu-se muito se era arte ou ciência: ao meu ver, tem um pouco dos dois, mas ela vivia muito de improviso”.

Contudo, para Decourt, no início, muitos jovens estudantes tinham uma maior atração pela ciência do que pelo doente. “Era mais interessante para um estudante ler um tratado, uma lição sobre hipertensão arterial do que examinar um doente com hipertensão arterial. Houve uma fase em que o grande perigo, o grande receio de um professor como eu, é que os alunos, como jovens amantes da ciência, passassem a priorizar a ciência médica mais do que a atividade médica para o doente”, afirma, preocupado.

Além disso, lembra que cada doente tratado trazia um aprendizado que poderia ser aplicado a outros pacientes no futuro. “É grande a importância do magistério, pois é uma forma de ensino e de aprendizado pessoal”, completa. “A medicina é uma atividade onde há duas pernas que se completam, e não se pode andar com uma perna só. Se for um excelente técnico, mas um mau prático, será um mau médico. Se ele for um bom prático mas um mau conhecedor da medicina, também. É uma atividade peculiar, porque lida com a vida, com o sofrimento e com a dor. O médico tem que estar presente não como um espectador, mas como um ator”.

O professor Decourt demonstra real preocupação com o futuro da Medicina e torna suas palavras apaixonadas em advertência, no mínimo pertinente, para os novos médicos. “É preciso que o médico se convença de que o doente é sua finalidade. Que o grande desenvolvimento técnico da medicina seja utilizado para aperfeiçoar a medicina em relação ao doente”.

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