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CAPA

EDITORIAL
A Saúde após as Eleições


ENTREVISTA
Ética em Pesquisa no Brasil


ARTIGOS
Max Grimberg e Ronaldo Laranjeira


PLANOS DE SAÚDE
Operadoras que reajustaram honorários médicos são minoria


DIA DO MÉDICO 1
Amiamspe comemora 40 anos


DIA DO MÉDICO 2
Simesp divulga estudo sobre violência nos serviços de saúde


DIA DO MÉDICO 3
Cremesp lança publicações e site no Dia do Médico


ATUALIZAÇÃO
Envelhecimento populacional


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Prêmio Nobel de Medicina


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CRM´s do Nordeste promovem Encontro


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Saúde do Trabalhador ganha Manual


HOMENAGEM
Luiz Vénere Decourt


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Edição 182 - 10/2002

ARTIGOS

Max Grimberg e Ronaldo Laranjeira


1) Beira do leito... mestre da Bioética

”Dar o exemplo não é a melhor maneira de influenciar os outros. É a única.” (Albert Schweitzer, médico e filósofo – 1875-1965)

Max Grinberg*

“Há doentes, não doenças”. Esta frase centenária de Miguel Couto (1865-1934) merece ser adotada como um aforismo da Bioética. Mais ainda quando apreciamos a Bioética da beira do leito. É brilhante!

Médico e paciente/família tomam decisões que se pretendem as mais solidárias possíveis e plenas de respeito, dignidade, confiança e sentido moral. Não há fase da vida que as dispense, do nascimento à morte. Neste cenário, a Bioética atua para harmonizar a ciência médica com o aspecto humano de sua aplicação. É participante!

A Bioética é plural. Admite vários singulares. Um deles é um trampolim para o futuro, onde genoma e clonagem estão na ordem do dia e fazem a Bioética influir no destino da humanidade. É estimulante!

Outro singular impulsiona o pragmatismo da atualidade clínica e seu lídimo representante é a Bioética da beira do leito; ela é instrumento de promoção de ajustes no juízo de valores sobre ações de diagnóstico e tratamento exigidas pela realidade de uma situação clínica. A Bioética da beira do leito concilia o útil, o prático e o oportuno. É inquietante!

Cada época e cada cultura formulam seus valores. Neste alvorecer do século XXI, a ascensão da Bioética da beira do leito retroalimenta-se pelo desenvolvimento da tecnologia, expectativa por qualidade, acesso à informação e políticas de fonte de recursos, entre outros. Ela é vigilante do pensar e repensar as regras desejáveis para o comportamento profissional. É provocante!

Toda especialidade médica tem suas peculiaridades técnico-científicas e, assim, as próprias questões bioéticas. Como denominadores comuns, estão princípios que representam valioso patrimônio da nossa profissão e rica herança de séculos de beira de leito privilegiando o zelo com o prestígio e o bom conceito da Medicina. É emocionante!

A multiplicidade das iniciativas pelo atendimento, compromissos iniciais atendidos ou redirecionados pelas flutuações ao capricho da evolução clínica, ajustes na comunicação e nas expectativas constroem arranjos caleidoscópicos na relação médico-paciente/família. Os personagens da chamada aliança terapêutica podem transmudar num relâmpago, o agora não necessariamente é como foi ontem ou como se comportará amanhã. É impressionante!

A bandeira da Bioética da beira do leito desfralda-se impulsionada pela tétrade Autonomia, Beneficência, Não-Maleficência e Justiça. Que não se chegue à beira do leito sem estes princípios. É preocupante!

A Constituição brasileira reza que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; na beira do leito não poderia ser diferente e assim se aplica o princípio da Autonomia.

Humildade, honestidade e compaixão, além da coragem para enfrentar situações adversas são virtudes do compromisso pró-autonomia e como tal são distinguidas nos juramentos médicos modernos. É gratificante!

Ante a proeminência da Bioética da beira do leito, todos os adjetivos apostos ao final dos parágrafos merecem acolhimento.

O nosso cotidiano à beira do leito deve funcionar como o melhor exemplo para o exercício da Bioética. Sejamos cada um, aquele mestre praticante!

* Grinberg é diretor da Unidade de Válvulas do InCor-HC FMUSP, presidente da Comissão de Bioética da Sociedade Brasileira de Cardiologia e delegado do Cremesp na cidade de São Paulo.


2) Propaganda e consumo de álcool no Brasil

Ronaldo Laranjeira*

Recentemente a Secretaria Nacional Anti-Drogas (Senad) apresentou os dados do Primeiro Levantamento Domiciliar sobre o Uso de Drogas no Brasil, onde o álcool se destaca como a principal droga consumida pelos brasileiros. Diante do dado alarmante de que 11,2% da população é dependente do álcool, necessitamos urgentemente de uma política mais definida sobre essa droga. Com certeza os últimos anos de propaganda intensiva visando o público jovem contribuiu para o aumento da dependência do álcool na população. Dois aspectos dessa propaganda chamam a atenção.

Um deles é a agressiva utilização da sexualidade nas propagandas, especialmente no caso da cerveja. É importante notar que o código do Conar (Conselho de Auto-regulamentação Publicitária – instituição representante do setor publicitário), que determina regras para a propaganda de todos os produtos, deixa claro que a propaganda de álcool não deve ser associada à sexualidade. Claramente, a indústria de propaganda de álcool está desrespeitando seu próprio código.

Mas também é comum a utilização de símbolos nacionais para a venda de álcool, a exemplo da tartaruga torcedora da seleção de futebol. É um insulto à população brasileira esse tipo de campanha num momento no qual a grande maioria assiste televisão. É um desserviço à saúde pública e vai com certeza minar os esforços na prevenção nos próximos anos, pois a maioria das nossas crianças foi bombardeada com mensagens favoráveis ao consumo do álcool como uma forma de melhorar a sua vida.

A propaganda mostra apenas uma face do uso do álcool, esconde seu impacto na morbidade, mortalidade e prejuízos sociais, além de criar um ambiente hostil e ridicularizador às mensagens e medidas de saúde pública. Dessa maneira, e seguindo orientações da OMS, sugerimos que a propaganda de álcool (incluindo-se aí a cerveja e o vinho, atualmente desobrigados da restrição de horário na televisão aplicada às outras bebidas alcoólicas) tenha o mesmo tipo de tratamento que recebe atualmente a propaganda do cigarro no Brasil. Essa restrição também deve se estender a eventos patrocinados pela indústria do álcool, especialmente os culturais e esportivos associados aos jovens.

Os números de problemas associados ao álcool no Brasil não deixam dúvida quanto ao potencial devastador deste, principalmente entre os jovens. As propagandas e marketing das bebidas alcoólicas no Brasil são parte integrante da criação de um clima normatizador, associando-as exclusivamente a momentos gloriosos, à sexualidade e a ser brasileiro, esquecendo-se dos problemas associados. A indústria do álcool e da propaganda no Brasil não está, nem de longe, desempenhando um papel responsável nessa situação. Medidas claras devem ser tomadas para lidar com esse importante problema de saúde pública.

Estas são as posições da Associação Brasileira do Estudo do Álcool e outras Drogas (Abead); Associação Médica Brasileira (AMB); Secretaria Nacional Antidrogas (Senad) e Associação Brasileira de Psiquiatria – Departamento de Dependência Química.

* Ronaldo é psiquiatra, coordenador da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo.

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