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CAPA

EDITORIAL
O Cremesp e o ensino médico


ATIVIDADES DO CREMESP
Exame de Habilitação para recém-formados em Medicina


GERAL 1
Plantão de disponibilidade - artigo de Henrique Liberato Salvador


RESOLUÇÃO 1
Novas regras p/atualização do Título de Especialista


UTILIDADE PÚBLICA 1
O preenchimento, correto, das declarações de óbito


UTILIDADE PÚBLICA 2
Material informativo sobre a Declaração de Óbito


ESPECIAL 1
Centro de Dados do Cremesp é inaugurado na sede


ESPECIAL 2
Alta concentração de médicos em São Paulo


ATUALIZAÇÃO
Conferência Internacional de Aids e Congresso Internacional de Psicanálise


HOMENAGEM
Destaque especial para o cirurgião Fares Rahal


GERAL 2
Movimento médico pela CBHPM


AGENDA
Congresso Médico do Oeste Paulista


ALERTA ÉTICO
Texto produzido pelo Centro de Bioética do Cremesp, avalia ausência em plantão


RESOLUÇÃO 2
Perícia Médica: resolução Cremesp disciplina trabalho de peritos médicos


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Edição 216 - 08/2005

ATUALIZAÇÃO

Conferência Internacional de Aids e Congresso Internacional de Psicanálise


Avanços da ciência e desafios da epidemia de HIV/Aids

João Silva de Mendonça*

A 3ª Conferência da International Aids Society (IAS) sobre Patogênese e Tratamento de HIV/Aids, que aconteceu no Rio de Janeiro, de 23 a 27 de julho, é um dos mais importantes eventos da Infectologia mundial, não só pelo número de presentes - reuniu desta vez cerca de cinco mil delegados de 128 países - mas também por apresentar os mais recentes avanços médico-científicos nas áreas de ciência clínica, básica e preventiva, além de discutir os complexos desafios no enfretamento global da epidemia da Aids.

Na conferência chamou-se atenção para o fato que a epidemia continua aumentando em todas as regiões do mundo e, atualmente, de maneira mais preocupante na Ásia. No final de 2004 havia quase 40 milhões de indivíduos infectados pelo HIV. Mais de oito mil pessoas morrem todos os dias por causa da Aids. A África Subsahariana continua sendo a região mais afetada, onde estão 64% das infecções no mundo.

O Brasil foi bastante citado por ostentar, entre outros méritos, uma taxa de mortalidade em decorrência da Aids que caiu desde 1996 em aproximadamente 80%, graças à política de acesso universal e gratuito aos anti-retrovirais.

O diretor-executivo da Unaids (órgão das Nações Unidas para o combate à Aids), Peter Piot, resumiu a atual situação: “a Aids apresenta desafios sem precedentes tanto para a ciência quanto para as políticas públicas. Da mesma forma que é crucial elaborar planejamentos de longo prazo, precisamos tomar ações emergenciais para transformar em realidade o acesso universal ao tratamento e a prevenção do HIV. Para atingir estes objetivos, precisamos que a tradução das pesquisas científicas em soluções práticas seja muito mais veloz”.

A Conferência, que durou quatro dias, apresentou mais de 1.400 trabalhos científicos, 19 fóruns, 14 simpósios satélites e vários oradores em sessões plenárias.

O evento concentrou-se, entre outros temas, no futuro direcionamento das pesquisas, proporcionou uma atualização sobre o “estado da arte” no tratamento do HIV/Aids, uma revisão sobre o atendimento pediátrico, as ações preventivas em países com recursos limitados e um debate sobre o papel das proteínas celulares na replicação do HIV. A apresentação de novos dados sobre o potencial efeito preventivo da circuncisão masculina e um dinâmico e bastante atual fórum sobre medicamentos de marca, patentes e genéricos também mereceram destaque.

Novas estratégias terapêuticas e a disponibilidade de novos medicamentos anti-retrovirais (ARV) estão aperfeiçoando o tratamento do HIV, incluindo o uso dos novos inibidores da transcriptase reversa e inibidores de protease, menos suscetíveis aos mutantes resistentes do HIV. Os inibidores que agem no co-receptor CCR5 do linfócito CD4 já começaram a ser estudados em testes clínicos e representam um grupo promissor para somar-se ao arsenal terapêutico, que já conta com mais de 20 medicamentos.

Foi consenso entre os presentes que precisamos de novas abordagens no tratamento da Aids, que facilitem mais a adesão do paciente, que sejam menos suscetíveis a resistências e que tenham efeitos colaterais bem mais atenuados. Entendo a infecção pelo HIV como candidata a se comportar como uma infecção crônica controlável.

Adicionalmente, várias intervenções reforçaram que as pessoas sob tratamento anti-retroviral só devem ser submetidas à redução ou suspensão do regime de tratamento no contexto de experimentações clínicas, evitando-se o uso já na rotina do denominado STI (Structured Treatment Interruption).

O campo da genética deverá responder cada vez mais questões, tais como identificar novos alvos para o desenvolvimento de vacinas , conduzir a novos instrumentos para diagnóstico, capazes de identificar pessoas que estão sob o risco de rápida evolução da doença, além de ajudar os médicos a prevenir reações adversas ao tratamento anti-retroviral.

Uma das sessões plenárias tentou desvendar o fato do porque alguns indivíduos estão continuamente expostos ao HIV mas não são infectados pelo vírus. É o caso de profissionais do sexo no Quênia e bebês expostos durante o parto e a amamentação em Nairobi. A hipótese é que existe uma resposta imunológica especial desses indivíduos que os protege da Aids.

Os resultados das sessões plenárias e de uma série de outros eventos importantes da 3ª Conferência da IAS estão disponíveis on line, no site da própria IAS  e de parceiros como a Kaiser Family Foundation e Medscape/Web MD que também podem ser acessados a partir do portal da SBI .


 * Mendonça é presidente da Sociedade Brasileira de Infectologia e diretor do Serviço de Moléstias Infecciosas do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo





Trauma psíquico: evolução de conceitos e aplicação clínica

Darcy Antônio Portolese*

O 44º Congresso Internacional de Psicanálise, realizado no Rio de Janeiro entre 28 e 31 de julho, teve como tema central “Trauma psíquico – novos desenvolvimentos em psicanálise”. Foram apresentadas novas transformações e evoluções neste conceito central de Freud, sua aplicabilidade e uso clínico em diferentes estados mentais e quadros de sofrimento psíquico.

Quando a mente sofre um processo de sobrecarga de estímulos, causados por conflitos de origem interna e externa e não consegue “digerí-los”, abre-se espaço para diferentes níveis de colapso psíquico. Na medida em que a vida passa, esses alicerces serão transformados e fortalecidos ou serão expostos a novas provações. Nesse contexto, a mente necessita de diferentes níveis de proteção desde o início da vida e sua seqüência.

Os cerca de 2.500 profissionais presentes – de diversas partes do mundo: Europa, Estados Unidos, Canadá, América Latina, Japão e, desta vez, a Coréia – abordaram diferentes situações nas quais o equilíbrio psíquico é exposto, gerando sofrimento, e os graus de perturbação inerentes.

Dos temas apresentados ganharam relevo:

- A tortura como trauma: os autores descreveram como a tortura afeta tanto quem padece como o meio social, enfatizando os aspectos psíquicos e transpessoais. Não se trata de identificar somente as causas, mas também de integrar a experiência em um projeto de vida evitando a vitimização.
- A infertilidade e os aspectos emocionais envolvidos: foi a abordada a questão de conflitos emocionais inconscientes e como estes podem interferir no processo de concepção.
- Estudos neurocientíficos para mostrar que a ausência da experiência de segurança, invariavelmente vinculada ao trauma, pode alterar o sistema de relações e inibir a capacidade de mentalização e desenvolvimento dos próprios registros mentais.
- A imigração, o trauma do desenraizado e a dor mental, principalmente em mudanças geográficas forçadas, como no exílio: o respeito às perdas dos indivíduos e o seu luto necessitam de um cuidado especial na abordagem terapêutica.
- Psicossomática e Psicanálise – o sentido do sintoma somático: os conjuntos clínicos e o significado da expressão emocional por meio do corpo; e o sentido desta representação objetiva na busca da subjetividade. Foi destacada a importância de um esclarecimento para as áreas clínicas e a necessidade de um intercâmbio entre profissionais que trabalham nesta área de fronteira do conhecimento.
- Trauma e depressão: estudos recentes confirmam que o trauma cumulativo tem uma profunda influência em doenças mentais e físicas posteriores. Um trauma passado pode predispor à depressão, auto-estima frágil e somatização.
- A psicanálise familiar: vários elementos conceituais extraídos do contexto da relação bi-pessoal são úteis na apreciação e tratamento de situações familiares de pacientes psicóticos e usuários de drogas, resultando numa compreensão e resolução de conflitos que se encontram na base da enfermidade mental.
- Progresso da análise de crianças: foi uma área significativa da discussão, destacando-se a importância das primeiras experiências inter-subjetivas do bebê no seu desenvolvimento emocional e sua interrelação com a questão do trauma. As descobertas das primeiras relações objetais do bebê na estruturação do seu mundo mental e os posteriores desenvolvimentos da escola neo-kleiniana como Esther Bick, Francis Tustin, Beth Joseph, entre outros,  trouxeram novos horizontes na compreensão emocional da relação mãe-bebê. 
- O tema pedofilia – que tem sido preocupação e objeto de discussão da Câmara Técnica de Saúde Mental do Cremesp –,  foi um tema relevante no interesse do congresso.
- Os quadros de distúrbios alimentares como anorexia e bulimia ganharam espaço de grande interesse, com troca de experiências entre os participantes na detecção do significado emocional destes comportamentos como linguagem a ser compreendida, elaborada e dotada de sentido no tratamento terapêutico.


 
* Portolese é psiquiatra, membro efetivo da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo e integrante da Câmara Técnica de Saúde Mental do Cremesp


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