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Presidente do Cosems afirma que prefeituras investem mais que Estados e União no financiamento do SUS


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Heliópolis: residentes têm direito à segurança para exercício pleno da Medicina


EDUCAÇÃO CONTINUADA
Novos módulos estão programados para este segundo semestre. Inscrições gratuitas


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O (triste) cenário da abertura de escolas médicas no país


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A regulamentação da profissão médica: a coleta de assinaturas continua


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NOTAS
Alerta Ético: a proteção da mulher com vínculo empregatício


TOME NOTA
Parecer sobre procedimentos médico-cirúrgicos oftalmológicos, honorários e custos operacionais


ATUALIZAÇÃO
Burnout: uma forma particular de estresse do setor assistencial


HISTÓRIA
Piragibe Nogueira da Silva: dedicação pela Medicina e pelo São Paulo Futebol Clube


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Edição 215 - 07/2005

ATUALIZAÇÃO

Burnout: uma forma particular de estresse do setor assistencial


Burnout: importância clínica e o que fazer a respeito

Observado especialmente entre os profissionais que trabalham diretamente com a assistência à saúde, o Burnout designa “o que deixou de funcionar por esgotamento de energia” e está ligado ao cotidiano com muitas demandas e poucas recompensas.


Luiz Antônio Nogueira Martins, Ronaldo Laranjeira e Hamer Nastasy Palhares Alves*

A expressão Burnout designa uma forma particular de estresse, relacionado ao contexto assistencial, em que os profissionais estão expostos de forma continuada ao impacto de uma relação interpessoal de cuidado, em condições freqüentemente problemáticas ou conflitivas. Essa expressão, de forma pertinente, designa aquilo que deixou de funcionar por exaustão de energia. Não se trata de um fenômeno novo e, apesar de já bastante divulgado na literatura científica internacional, é pouco familiar aos médicos brasileiros, o que é uma grande desvantagem, pois adia mecanismos de enfrentamento e reformulação saudáveis de como lidar com a rotina de trabalho. 

Burnout é observado particularmente entre profissionais que trabalham na área assistencial como psicólogos, médicos, enfermeiros e assistentes sociais. Não é meramente estresse, mas sim uma adaptação disfuncional ao estresse crônico de um cotidiano com altas demandas e poucas gratificações.

Quadro Clínico

O processo, que se instala de modo sorrateiro e insidioso, passando muitas vezes de forma despercebida, consiste em:

1. Sintomas da esfera psíquica como exaustão emocional, falta de concentração, humor depressivo, ansiedade, rigidez, ceticismo, desinteresse, baixa auto-estima;
2. Sintomas físicos como fadiga, cefaléia, distúrbios gastro-intestinais, alterações do sono, dores musculares;
3. Sintomas comportamentais como irritabilidade, absenteísmo, erros profissionais, evitando o contato com os pacientes, fazendo consultas rápidas, colocando rótulos depreciativos.

Toda esta constelação de sintomas torna o médico francamente suscetível a aborrecimentos e perda da diplomacia no contato humano, especialmente com os pacientes (a tal “frieza médica”, na sua pior versão), mas também com a equipe de trabalho. Em certos momentos é como se o paciente fosse uma espécie de inimigo ou uma batalha a ser vencida.  Consultas-relâmpago passam a ser freqüentes e o contato médico-paciente pode se tornar claramente prejudicado, podendo, inclusive, levar a erros de conduta médica.  Estes sintomas são conhecidos como “despersonalização do atendimento”, onde o contato passa a ser frio e impessoal com os usuários.

Quem está sujeito?

Apesar de qualquer profissional estar suscetível a apresentar Burnout em determinada fase de sua vida, alguns fatores podem aumentar o risco de ocorrência dos sintomas tais como: vulnerabilidade psicológica (história pregressa ou familiar de transtornos mentais), recursos inadequados para enfrentar o estresse, problemas de saúde física (doenças crônicas, dor), dificuldades familiares (brigas constantes, problemas conjugais), desadaptação profissional (ambiente de trabalho não amistoso, falta de atualização e suporte para discussão de casos complicados).

Algumas características dos médicos também contribuem para a evolução da Síndrome. Dentre estas podemos enumerar: muito envolvimento com o trabalho (extrapolando o nível desejado), contatos sociais restritos (a velha história de que médico só sabe falar de Medicina), dificuldade de conciliar tempo para outras atividades, o que resulta em pouco lazer, especialmente quando em posição de autoridade.

Muitos médicos trabalham em condições especialmente delicadas, com sobrecarga de trabalho e responsabilidade, muitas horas em contato direto com pacientes, freqüentemente em situações difíceis, com supervisão escassa ou inexistente, tendo pouco reconhecimento do seu trabalho e dificuldades com a equipe.

A dificuldade em compartilhar pensamentos e emoções, vergonha ou medo em pedir ajuda e as consultas de corredor dão o tempero final na explicação de como podem ser os médicos uma das populações mais mal assistidas em termos de saúde.

Ainda é discutido o quanto o Burnout pode ser uma espécie de ante-sala de quadros psiquiátricos como depressão e ansiedade, logo, o seu reconhecimento a tempo pode poupar tanto médicos como pacientes de sofrimentos maiores.

O que pode ser feito?

Algumas atitudes podem melhorar o quadro ou diminuir a incidência de Burnout entre profissionais médicos. Algumas medidas institucionais como melhoria das condições de trabalho, programas de qualidade de vida e de humanização do atendimento médico, criação de equipes multiprofissionais/interdisciplinares, grupos de reflexão sobre a tarefa assistencial, serviços de consultoria psiquiátrica e psicológica, criação de serviços de apoio são obviamente positivos.

Do ponto de vista individual, por outro lado, cabe a cada profissional repensar sua rotina de trabalho, estabelecer prioridades e limites para si mesmo, numa atitude de auto-respeito. Cabe exigir supervisão e melhores condições de trabalho, salário justo por tempo adequado.  Cabe acreditar um pouco naquilo que todo médico sabe que faz bem para a qualidade de vida, mas quase nenhum faz: dieta regular nos horários certos (adeus coxinha com café no lugar do almoço), exercícios físicos, redução da automedicação, do álcool e do tabaco, valorização do papel da família, do lazer e da cultura na formação do médico integral.

Vale salientar que a manutenção de um espírito crítico, perspicácia e a busca de recompensa intelectual em cada caso clínico pode ser um bom instrumento para lidar com o estresse do cotidiano médico.

Sempre pode ser útil a discussão do tema com outros colegas e, na dúvida, é melhor procurar um profissional que possa ajudá-lo como um colega mais experiente, um psicólogo ou um psiquiatra.

*Luiz Antônio Nogueira Martins e Ronaldo Laranjeira são docentes em Psiquiatria da  EPM/Unifesp. Hamer Nastasy Palhares Alves é médico psiquiatra da EPM/Unifesp

Onde obter mais informações ou apoio:

Rede de Apoio a Médicos
Tel.: (11) 5579-5643, cel.: 9616-8926
ou e-mail: apoiomedico@psiquiatria.epm.br

A Rede de Apoio a Médicos é um serviço resultante da iniciativa conjunta do Cremesp e da Escola Paulista de Medicina, com o objetivo de oferecer orientação e tratamento aos médicos que enfrentam problemas decorrentes do uso de substâncias psicoativas e/ou sofrimento psíquico.

Funciona desde maio de 2002 e é composta por 25 médicos psiquiatras distribuídos nas diversas regiões do Estado, que buscam tornar o atendimento a esta clientela acessível e rapidamente disponível, sempre obedecendo aos padrões de ética e confidencialidade.


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