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EDITORIAL
A Eleição Presidencial e o SUS


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Cremesp lança Caderno de Ética em Ginecologia e Obstetrícia


ENTREVISTA
“O contrário da violência não é a não violência. É a cidadania”


ARTIGOS
Emílio César Zilli e Nabil Ghorayeb


GERAL 1
Formulários brancos precisam ser preenchidos com mais atenção


GERAL 2
Terapia de Reposição Hormonal exige maior cautela


ESPECIAL
O programa de Saúde dos presidenciáveis


DESTAQUE
Hospital Santa Catarina: quase um século de bons serviços


ATUALIZAÇÃO
Programa de Hepatites Virais adota medidas preventivas


GERAL 3
De Olho no Site do Cremesp


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Mini rodada de Anestesiologia é realizada em Santo André


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Cirurgia em pessoa com mais de 70 anos


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Conferência de Barcelona aponta o futuro da epidemia


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Edição 180 - 08/2002

ARTIGOS

Emílio César Zilli e Nabil Ghorayeb


1 - O perigo dos aparelhos elétricos no tratamento estético

Emílio César Zilli*

A mídia vem veiculando ultimamente propaganda de aparelhos elétricos que prometem o “nirvana” de um corpo esbelto, sensual e saudável, sem “fazer força”, ou seja, sem que precisemos nos exercitar ou fazer dietas que nos obriguem a ingerir somente pão (sem calorias) e água (sem adições). Segundo seus fabricantes, “apenas meia hora diária de estímulos elétricos localizados é suficiente para eliminar as indesejáveis gorduras que deformam e tiram a beleza de nosso corpo, proporcionando uma substituição do tecido gorduroso por músculos”.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia entende que tal afirmação não possui qualquer fundamento técnico ou científico. Além disso, o uso de tais dispositivos pode provocar dano real à integridade física de seus usuários, seja interferindo diretamente nos impulsos elétricos provenientes da estimulação cardíaca normal em indivíduos sadios, ou ainda naqueles impulsos originados por marca-passos implantados em pessoas que possuem distúrbios da condução elétrica cardíaca.

Por outro lado, não foram divulgados estudos demonstrando que o uso de tais artefatos seja seguro para aquelas pessoas que, por possuírem qualquer doença que interfira no ritmo cardíaco natural, utilizem medicações (antiarrítmicos) para estabilizar os batimentos do coração a uma situação de normalidade.

Nesses casos, acreditamos residir um dos grandes perigos nesses aparelhos pois, além do grande número de pessoas que utiliza esses medicamentos, ainda existem aquelas que são portadoras de importantes alterações do seu rítmo cardíaco, embora ignorando e não estando conscientes de seu problema.

O coração é um músculo que funciona por meio de um complexo e fascinante sistema eletrobioquímico. A cada minuto, com o indivíduo em repouso, uma média entre 60 e 80 batimentos são gerados por este sistema, dentro do coração, o que provoca contrações e distensões que, impulsionando o sangue nas artérias, transporta o oxigênio necessário a todo o organismo pela corrente sangüínea.

Quando o coração não é impulsionado de uma maneira regular e conveniente, essa função não é executada e poderá faltar oxigênio a órgãos como o cérebro, por exemplo, ocorrendo então alterações importantes que poderão ocasionar a morte. Não é impossível, e diria até bastante provável, que estímulos artificiais produzidos por esses equipamentos provoquem tamanha interferência com os batimentos normais do coração, que possam desorganizar ou até mesmo interromper sua atividade elétrica fisiológica levando a um quadro de arritmia cardíaca grave, ocasionando uma parada cardíaca.

O uso desses aparelhos poderá comprometer seriamente a integridade física de seus usuários. A sua utilização é contra-indicada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia. A sua comercialização e propaganda deverá, em nosso entender, ser suspensa em todo o território nacional, sob pena de, em breve, convivermos com mais uma ou várias culpas, ocasionadas por desfechos fatais, conseqüência de nosso descaso e omissão. E esta é uma responsabilidade de todos nós: médicos, cardiologistas e cidadãos. Esta é fundamentalmente a responsabilidade da SBC.

* Diretor de Qualidade Assistencial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)



Suplementos e anabolizantes seriam drogas?

Nabil Ghorayeb*

Poderia parecer uma pergunta terrorista ou de patrulhamento dos direitos individuais, mas pelo que estamos vendo em certas academias e da parte de alguns treinadores pessoais (gente famosa), virou moda a terrível sugestão de uso de anabolizantes ou, não sei se pior ainda, os “inocentes” suplementos vitamínicos estrangeiros (a maioria não autorizada pela Vigilância Sanitária), estimulantes para emagrecer como Xenadrine, Ripped Fuel e Mega Men, em cujas fórmulas encontramos substâncias estimulantes como hormônio de tireóide, anfetaminas, cafeína, efedrina, de inocentes apelidos (exemplo: Ma Huang) parecendo simples ervas chinesas.

Essas tais polivitaminas, além de inúteis do ponto de vista científico, pois as temos numa alimentação balanceada, associadas às citadas bombas estimulantes, causam – mesmo em pessoas sem cardiopatia de base – taquicardias, extrassistolias e até angina do peito. Treinadores e técnicos esportivos não têm conhecimento científico, não podem prescrever medicamentos nem orientar profissionalmente dietas para fortalecer ou emagrecer. Sabemos que certos “professores de musculação” têm essa conduta. Cuidado com eles! Essas substâncias são consideradas dopantes (doping) no esporte e as anfetaminas são drogas proibidas (caso de polícia!).

Anabolizantes ou bombas, o que são? Como exemplo temos a nandrolona injetável, a dihidrotestosterona e outras, usadas por esportistas, na formulação veterinária inclusive. Essas substâncias foram descobertas no pós-guerra, para recuperar as vítimas dos campos de concentração, que estavam caquéticas e desnutridas. Com o passar dos anos, tiveram seu uso incrementado nos pós-operatório de grandes cirurgias, para mais rápida recuperação, principalmente da força muscular e do estado geral do paciente. Aí é que entrou o lado “tirar vantagem” do ser humano. Atletas descobriram essa qualidade e passaram a usá-la para aumentar a força e o volume muscular, com isso, favorecendo esportes de força e de explosão. Até os nossos dias, seu uso avolumou-se.

Que tipo de danos causam à saúde? Vejamos: elevação dos níveis de gorduras, principalmente a fração LDL-colesterol, fator de risco para infarto do miocárdio e acidente vascular encefálico e de outra gordura também de risco, os triglicérides. No Serviço de Cardiologia do Exercício e do Esporte do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia tivemos alguns fisicultores com menos de 30 anos de idade, usuários de anabolizantes, com infarto do miocárdio e hipertensão arterial, devido à aterosclerose obstrutiva das coronárias. Na literatura mundial de cardiologia estão descritas mortes por infarto do miocárdio em jovens, provocado pelo uso de anabolizantes. O uso por pouco tempo, mesmo em doses consideradas baixas, mas acima do recomendado, pode elevar o risco de câncer de fígado, dos testículos e dos ovários, “impotência sexual gerundi e oeundi”, obesidade gonadal, mudança definitiva das características masculinas ou femininas da voz, aparecimento de barba e pêlos anormais nas mulheres, entre outras reações.

A maioria dos freqüentadores de academias nega o uso dessas drogas, mas num ganho excepcional de massa muscular ... desconfie, não existe trabalho físico (o puxar ferro-musculação) que resulte nisso, sem essas tais bombas.

* Médico chefe da seção médica de Cardiologia do Exercício e do Esporte do Instituto Dante Pazzanese

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