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Atendimento às vítimas de trauma: treino deve começar na Universidade


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Edição 211 - 03/2005

ATUALIZAÇÃO

Atendimento às vítimas de trauma: treino deve começar na Universidade


Formação e capacitação no atendimento às vítimas de trauma

Mário Mantovani*

O atendimento às emergências traumáticas passa, obrigatoriamente, por quatro elos de uma cadeia: prevenção, atendimento pré-hospitalar, atendimento hospitalar e reabilitação. Não é adequado implantar apenas um deles, embora dois – prevenção e reabilitação – sejam mais difíceis.

Os outros dois elos – atendimento pré-hospitalar e atendimento hospitalar – são de implantação mais fácil, com tempo de resposta curto.

O mais simples é o atendimento pré-hospitalar que, além disso, é barato e apresenta grande visibilidade, com alto impacto político. Contudo, alguns aspectos não são tão positivos, pois formam um conjunto de medidas que apenas resgatam vítimas de forma rápida e segura, diminuindo a mortalidade destas no local do evento. Se forem casos simples, não necessitam serem encaminhados para um hospital de referência ou, se muito complexos, necessitam de outras estruturas além do transporte.

Para que esse atendimento especializado possa cumprir seus objetivos é necessário vencer alguns desafios. O principal deles é a qualidade dos profissionais médicos que atendem estas vítimas de trauma.

A filosofia desses resgates deve ser: transportar o doente certo, na hora certa, para o hospital certo e para o médico certo, o que demanda hierarquização, regionalização do sistema e hospitais equipados, voltados às urgências e emergências cirúrgicas, com equipes treinadas adequadamente.

Toda essa atividade deve apoiar-se no médico e, por isso, a formação e a capacitação desse capital humano são fundamentais. Existem três etapas que devem ser analisadas. A primeira é a formação e capacitação em longo prazo, quando deve ser obrigatório o ensino da cirurgia do trauma nos currículos das escolas médicas do país, à semelhança da disciplina de cirurgia do trauma que temos na Unicamp, onde ensinamos Suporte Básico de Vida e Primeiros-Socorros aos alunos do segundo ano; Suporte Avançado de Vida aos alunos do quarto ano; e, no internato, os alunos aplicam, em serviço, o conteúdo pedagógico da disciplina, com farta revisão do assunto teórico e prático.

Recursos pedagógicos
Desta forma, os alunos aprendem sobre o assunto e cuidam da doença por trauma com muito mais propriedade. É fundamental que as escolas médicas tenham, em seus recursos pedagógicos, meios para criar e manter Ligas do Trauma funcionando ativamente. Essas ligas são compostas por alunos de Medicina com interesse relevante em relação à cirurgia do trauma, realizando reuniões, cursos e congressos anuais, de nível internacional, com a participação ativa e constante de especialistas de renome no meio nacional.

Esses acadêmicos já conhecem a doença trauma e o modo de combatê-la em todos os níveis, além de representarem os futuros cirurgiões do trauma e médicos emergencistas qualificados. Serão os nossos sucessores nesta árdua batalha e merecem um novo espaço, um novo mercado profissional que só irá se beneficiar ao contar com esta magnífica força de trabalho, no futuro. 

Em segundo lugar e em médio prazo, a formação deve ser durante o exercício profissional do médico, ao longo do curso de pós-graduação Lato Sensu, ou seja, durante a Residência Médica em Cirurgia do Trauma, que deve ser restabelecida como especialidade cirúrgica – e não apenas ser uma área de atuação – pois é a única e melhor maneira de se treinar médicos de alta qualidade para esse fim. A cirurgia geral é a raiz que não preenche as necessidades fornecidas pela cirurgia do trauma, pois esta proporciona formação sólida e capacitação real para esses médicos especiais, como vem ocorrendo na Unicamp.

Em terceiro lugar e em curto prazo, resta treinar os médicos já existentes, cuja grande maioria desconhece ou conhece pouco o que é necessário para o atendimento de vítimas de trauma. Há cursos que devem fazer parte do treinamento básico desses médicos para o atendimento de vítimas de traumatismos, tais como o ATLS, o PHTLS, ou cursos de especialização.

Esse treinamento geral exige medidas de apoio, que passam pelo reconhecimento da Sociedade Brasileira de Atendimento Integral ao Traumatizado (SBAIT) como uma área de especialidade cirúrgica pela Associação Médica Brasileira e a exigência do diploma de habilitação que é concedido pelo Colégio Brasileiro de Cirurgiões.

Formar e capacitar
O objetivo de todo esse treinamento, que deve se iniciar nos bancos da Universidade durante a graduação, passando pelos hospitais de ensino durante a pós-graduação em Residência em Cirurgia do Trauma e concluído com cursos práticos específicos, é conseguir formar e capacitar de verdade os médicos que vão atuar no atendimento às vítimas de trauma.

Atualmente, observamos que muitos doentes traumatizados morrem nos hospitais; no passado, os doentes morriam mais no local do evento ou do acidente. Isso ocorre por que melhorou o sistema de resgate, porém o atendimento hospitalar não acompanhou este progresso, necessitando de melhorias para compensar essas mortes, senão o esforço será inútil.

Para que todo esse treinamento seja eficaz é fundamental criar parcerias entre o Poder Público, o Corpo de Bombeiros e as universidades, por meio das quais estas seriam as responsáveis pela formação de docentes especializados, que deverão atingir níveis acadêmicos elevados dentro da pós-graduação Stricto sensu, destinada a formar professores e pesquisadores nesta nova visão, como já vem ocorrendo na Unicamp. Além disso, o sistema ofereceria um plano de carreira com um novo mercado de trabalho, como atração a ser oferecida a esses futuros profissionais.

Finalmente, outra medida essencial diz respeito à coleta de dados, com a formação de banco de dados sobre a violência e mortes por causas externas.
Portanto, a formação e capacitação desses médicos passam por medidas a curto, médio e longo prazo, que devem ser aplicadas concomitantemente, para fornecer as condições de sucesso requeridas para o enfrentamento dessa cruel doença que é o trauma.

* Mantovani é professor titular e chefe da disciplina de Cirurgia do Trauma do Departamento de Cirurgia da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Atendimento Integrado do Traumatizado (SBAIT)


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