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Isac Jorge Filho: "A polêmica do aborto e violência sexual"


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O imunologista e professor Júlio Voltarelli aborda procedimentos em pesquisa que envolvem células-tronco adultas e embrionárias


CONSELHO 1
Cremesp fiscaliza profissionais que atuam nos serviços de urgência e emergência


MOVIMENTO MÉDICO
A necessidade de aumentar as notificações de eventos adversos


POLÍTICA DE SAÚDE E ÉTICA MÉDICA
Norma Técnica do MS não prevê Boletim de Ocorrência para abortamento legal


ENSINO MÉDICO
A pauta principal do encontro de Tarso Genro com entidades médicas foi a abertura de novos cursos de Medicina no país


MOBILIZAÇÃO
Cremesp participa de Ato Público que reuniu cerca de 2 mil pessoas contra a MP 232


DIA DA MULHER
Jovens médicas recém-formadas contam porque escolheram a Medicina como profissão


ATUALIZAÇÃO
Atendimento às vítimas de trauma: treino deve começar na Universidade


CONSELHO 2
Acompanhe a participação do Conselho em eventos importantes para a classe, realizados no mês de março


NOTAS 1
Alerta Ético


NOTAS 2
A retenção de honorários médicos


HISTÓRIA
Homenagem ao médico patologista Mário Rubens Guimarães Montenegro


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Edição 211 - 03/2005

DIA DA MULHER

Jovens médicas recém-formadas contam porque escolheram a Medicina como profissão


Jovens médicas falam do futuro profissional

A participação feminina na Medicina cresceu expressivamente nos últimos 50 anos. Em 1957, quando o cadastro no Cremesp se tornou obrigatório, registraram-se 1.265 homens e apenas 113 mulheres. Hoje o mesmo cadastro aponta 31.699 médicas e 53.902 médicos em atividade no Estado. Até a metade do século passado, as poucas mulheres exerciam a Medicina sob a desconfiança de colegas e pacientes, com atuação limitada a especialidades “mais femininas”. Hoje atuam em todas as áreas. Mas as médicas ainda sofrem preconceitos de gênero na formação e no exercício da Medicina? Sobre esses e outros assuntos, o Jornal do Cremesp ouviu a opinião de quatro jovens profissionais, formadas no final de 2004 e registradas no Conselho neste ano, numa homenagem pelo Dia Internacional da Mulher, em 8 de março.

Obter vaga em Residência Médica

Ao fazer a opção pela Medicina, Daniela de Lima Ogawa, de 26 anos, considerou sua vocação para as ciências biológicas, a remuneração e o número de profissionais no mercado de trabalho. Terminado o curso na Faculdade de Medicina de Catanduva, em 2004, voltou para a capital paulista, onde reside sua família e o namorado, estudante do quinto ano de Medicina. Orgulha-se de ter feito o curso longe da família, o que possibilitou seu crescimento pessoal. 
Trabalha uma vez por semana no Pronto-Socorro Arnaldo de Figueiredo Freitas, em Barueri, atendendo pacientes da periferia do município.

Como não foi aprovada no exame de Residência Médica deste ano, estuda para conseguir esse objetivo em 2006.  “São poucas vagas e, para alguns, escolhidos a dedo”, reclama. Ainda não definiu a especialidade, mas vai escolher uma “mais calma e sem urgências” para que possa conciliar com a maternidade prevista para o futuro. Acredita que as mulheres se encaixam melhor em algumas áreas, “mas podem exercer todas com a mesma capacidade”. Há igualdade entre homens e mulheres no mercado de trabalho médico? Daniela acha que sim. “As responsabilidades, as exigências e a carga horária, são as mesmas”, ressalta, mas acrescenta que persistem preconceitos. “Alguns colegas e pacientes acham que não somos tão capazes quanto os homens”. Embora nunca tenha  sentido-se prejudicada por ser mulher, observa “muita competição entre todos os seres humanos, e não apenas entre gêneros”.

E o que significa ser médica no Brasil? “Trabalhar num sistema de saúde deficitário de recursos materiais e financeiros, no qual temos que prestar o melhor atendimento utilizando apenas nosso conhecimento e amor”.

Buscar a competência e a qualificação

O seriado de televisão Plantão Médico despertou o interesse de Carolina Trevisan Perez pela Medicina, que mais tarde “foi se definindo pela Psiquiatria”. Graduada pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) de Presidente Prudente, tem 24 anos e faz estágio não remunerado em Psiquiatria no Hospital São João, na mesma cidade. O estágio é vinculado ao Programa de Pós-Graduação, desenvolvido em conjunto pelos hospitais São João e Universitário da Unoeste.

Durante o curso de Medicina acompanhou atendimentos do Programa de Saúde da Família (PSF). “O envolvimento com pacientes de periferia nos faz sentir mais úteis à comunidade, ficando clara a função social de tudo que aprendemos na Universidade”. Do período de formação destaca que ficou marcada “pelo humanismo de muitos professores”. Nunca se sentiu discriminada por ser mulher. “Hoje as relações profissionais são pautadas pelo respeito à competência e à qualificação da mulher e não mais pelo sexo. O acesso a qualquer profissão já está liberado para a mulher. Até no Exército já ocupamos mais ou menos 25% dos espaços”, destaca.  Pondera ainda “que homens e mulheres devem se completar nas funções íntimas da família para poderem, ambos, evoluir profissionalmente”.

Para ela, as peculiaridades da condição feminina ajudam no desempenho da profissão. “A sensibilidade, a emoção, a delicadeza da mulher não anulam seu raciocínio, sua lógica ou sua razão. Ao contrário, acentuam a capacidade de relacionamento humano no exercício profissional. Um médico não pode ser apenas objetivo e racional. Razão e emoção se completam”.  Os problemas enfrentados pelos médicos no Brasil, na visão de Carolina, são os mesmos para ambos os gêneros.

Conciliar trabalho e família

Residente da área de Otorrinolaringologia da Santa Casa de São Paulo, Tatiana Gregório tem 24 anos e mora na cidade de São Paulo. “Gosto dessa área porque permite cuidar de pessoas de todas as idades e conciliar trabalho e família”. Solteira, pretende exercer a profissão na Capital, pelo menos por enquanto. Do atendimento médico, destaca o prestado aos pacientes do SUS, provenientes de áreas carentes. “Eles têm maior respeito pelo médico.”  

Em relação à carreira profissional, não espera um mar de rosas. “Vou trabalhar e estudar muito ainda, me deparar com os limites impostos pelos convênios e pelo sistema de saúde do Brasil, mas consciente de que não seria feliz exercendo outra profissão. O mercado de trabalho está cada vez mais difícil pelo aumento progressivo de profissionais, concentrados em determinados locais, muitos deles sem qualificação, já que faltam vagas para Residência Médica”.

Sobre a participação de mulheres na Medicina, diz que “muitas ainda lutam para entrar em especialidades” com predominância masculina e enfrentam preconceitos. “Ouvi um professor dizer que achava que a neurocirurgia iria piorar com a entrada de mulheres na especialidade”. Foi discriminada por ser mulher? “Nunca. Durante a faculdade pude observar mais competitividade entre as próprias mulheres”. 
Para ela, ser médica no Brasil é “ter coragem para lutar contra as inúmeras falhas do sistema de saúde”. Entre as dificuldades da prática médica, aponta “a desvalorização do médico diante do paciente, a grande quantidade de carentes de atendimento e o número reduzido de vagas”.

Clinicar e fazer cirurgia

Formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (Puc-camp), Juliana Parotti Ribeiro Leite, de 29 anos, mora em Campinas e pretende especializar-se em Otorrinolaringologia. “Posso clinicar e, se for o caso, fazer cirurgia, já que gosto das duas coisas”, justifica. Muito antes de entrar na faculdade, já conhecia a realidade do exercício da Medicina, pois seu pai, Fernando Lopes Ribeiro Leite, é clínico geral. O namorado, que também é médico residente em Otorrinolaringologia em Campinas, completa um entorno de familiaridade com suas escolhas.

Trabalha na área de pediatria dos hospitais Santa Edwiges e Santa Tereza em Campinas. Nesses locais faz a média mensal de oito plantões de 12 horas. Para manter-se atualizada sobre a especialidade que pretende seguir, participa da Liga de Otorrinolaringologia da PUC de Campinas. Boa parte de seu tempo é dedicada aos estudos para as provas de Residência Médica que pretende prestar no próximo ano na Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Campinas (Unicamp) e na própria PUC. Em início de carreira, declara que as horas livres são poucas, mas procura conciliar com as do namorado para ir ao cinema de vez em quando.
Preconceito contra a mulher na área médica? “Não há mais. Isso já mudou bastante pelo que sinto nos plantões e sentia na época de faculdade. Acho que há mais concorrência individual, independente do gênero”. Como “o mercado de trabalho para o médico brasileiro está competitivo”, pretende estabelecer-se em Campinas onde acredita poder conseguir seu espaço.


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