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Classe médica esclarece a população sobre sua relação com os planos de saúde


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Destaque para a implantação da CBHPM em Pernambuco


COMUNICAÇÃO
Pesquisa DataFolha avalia as publicações do Cremesp


CLASSE MÉDICA EM MOVIMENTO 1
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CLASSE MÉDICA EM MOVIMENTO 2
Acompanhe - em detalhes - todas as decisões da assembléia pela CBHPM de 9 de setembro, realizada aqui em São Paulo


SIMPÓSIO
Bioética e Conflito de Interesses


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Cremesp agora tem programas especiais na TV Unifesp


GERAL 2
Destaque especial para os avanços nos estudos do CFM sobre prontuário eletrônico


AGENDA
Acompanhe a participação do Cremesp em eventos de grande importância para a classe


NOTAS
Alerta Ético


RESOLUÇÃO
Resolução CFM nº 1.752/04 - doação de órgãos e tecidos de anencéfalos para transplantes


HISTÓRIA
José Fernandes Pontes


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Edição 205 - 09/2004

HISTÓRIA

José Fernandes Pontes


José Fernandes Pontes
Médico de homens e de almas

“Não sois máquina! Homens é que sois!”, essa frase do discurso feito pelo personagem Carlitos, interpretado por Charles Chaplin, foi tomada como base de conduta pessoal e profissional por José Fernandes Pontes.  Formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em 1940, especializou-se em Gastroenterologia e tem dedicado sua vida à Medicina.

Nascido em 24 de fevereiro de 1915, na cidade de Espírito Santo do Pinhal, no interior paulista, sua opção pela Gastroenterologia foi motivada pela morte do pai, vítima de doença no sistema digestivo. “Eu queria entender as causas da enfermidade do meu pai e ajudar pessoas que fossem acometidas pelo mesmo mal”, explica.

Preocupado com a educação e o conhecimento médico, criou, em 1954, o Instituto Brasileiro de Estudos e Pesquisas de Gastroenterologia (Ibepege). Envolvendo alunos e profissionais da área da saúde de todo o Brasil e países da América Latina, o Ibepege formou muitos médicos nos conceitos da Medicina Psicossomática – que faz uma abordagem interdisciplinar e integrada das diversas áreas da saúde – tornando-se referência na educação médica brasileira e latino- americana.

Para ele, quanto mais conhecimento o médico adquirir, melhor: “os médicos atualmente se preocupam muito em aprender apenas coisas relacionadas à sua especialidade. Muitos pensam na Medicina como um fazer técnico e esquecem que é um ato puramente humano e que deve ser cada vez mais humanizado. Entendo que o médico, por tratar diretamente com a vida, deve conhecer não só a Medicina, mas também a Psicologia, Antropologia, Sociologia e cultura da natureza. Se eu fosse da comissão examinadora de alguma faculdade, era isso que eu diria”.

Como fundador do Ibepege, Pontes defendia obstinadamente uma posição no Instituto: buscar sanar qualquer dúvida na área médica. “Não importava se o livro custava caro ou se o estudante não tinha dinheiro, o professor José Fernandes mandava comprar o material necessário para pesquisa. A consulta era disponibilizada gratuitamente e ele sempre me dizia que não devíamos deixar questões sem resposta”, lembra Ana Maria Chaves, secretária do Ibepege, que trabalhou ao lado de Pontes durante 12 anos. “Apesar de o atendimento a pacientes no Instituto ser particular, o professor Pontes sempre tratou pobres e ricos da mesma forma e fazia questão de salientar que todos mereciam respeito e cuidados dignos”, destacou Ana Maria.

No Instituto atendeu personalidades brasileiras e líderes políticos de quase todos os países da América Latina.

José Fernandes Pontes publicou muitas obras e artigos em conjunto com colegas das mais diversas áreas. Acreditando na relação médico-paciente acima de qualquer valor, Pontes diz que cuidava sempre do indivíduo como um todo, envolvendo diferentes especialistas, no que ele chama de “visão holística do homem”. As consultas realizadas pelo dr. Pontes duravam, no mínimo, uma hora e meia e toda a conversa entre ele e o paciente e as recomendações médicas eram datilografadas e entregues à pessoa atendida.

Movido pelo ideal de dar aos médicos uma formação “mais responsável e socialmente preocupada com o indivíduo” criou o Núcleo de Estudos e Apoio à Família (Neaf), no qual reunia, semanalmente, profissionais da área da saúde, para discutir assuntos que envolvessem o doente e sua relação com a família, buscando formas de apoio ao paciente.

Membro da Academia Nacional de Medicina desde 1980, orientador de inúmeras teses de doutorado, fundador e professor do Serviço de Gastroenterologia da FMUSP, Pontes é admirado por seus alunos, funcionários e colegas de profissão.

Lançou a revista trimestral Arquivos de Gastroenterologia, publicação oficial do  Ibepege, do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD) e da Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva (SBMD).
 
“Amo muito essa mulher”
Casado com Lélia Cardoso desde 1945, José Fernandes Pontes ressalta o apoio da esposa em sua profissão: “estamos juntos há muito tempo. No início da minha carreira ela me acompanhava no atendimento domiciliar aos pacientes, pois naquela época não havia pronto-socorro. Quando comecei a ser convidado para congressos internacionais como pesquisador,  Lélia me fazia companhia em muitos desses eventos. Devo muito do que fiz à paciência e ao apoio incondicional dela. Vamos fazer 60 anos de casados e amo muito essa mulher”.

Da união entre Pontes e Lélia nasceram Otávio, Oswaldo e Frederico, os três filhos do casal. Apenas Oswaldo seguiu os passos do pai, especializando-se em Homeopatia.

O orgulho de avô transparece quando fala de seus sete netos: “eles já estão crescidos, mas me visitam sempre. São pessoas muito boas, graças à formação preocupada e pacífica que receberam”.

Hoje, aos 89 anos, Pontes continua em busca do conhecimento pleno. Sua biblioteca particular tem mais de 5.000 títulos que versam sobre Medicina e Ciências Naturais, todos catalogados, lidos e estudados pelo professor. “Estou sempre estudando, a atualização e o conhecimento são muito importantes na vida de qualquer pessoa e profissional. Na área médica é primordial nunca parar de estudar, pois só assim é possível acompanhar as grandes e constantes evoluções da Medicina. Aprendo sempre com a Medicina. Desde que me formei até os dias de hoje, tudo mudou”.

A morte
Pontes conta que sofreu muito com a morte dos pais e irmãos. “Tive seis irmãos e já perdi cinco deles. Chorei muito, mas o que podemos fazer? Como médico, acompanhei a morte de todos eles de perto. Lidamos com a vida de nossos pacientes todos os dias, mas quando a doença chega à nossa família é bem difícil encarar a possibilidade da morte”.


Foto: Osmar Bustos

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