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A descentralização da ciência: O Brasil prepara a construção do primeiro Instituto


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Edição 201 - 05/2004

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A descentralização da ciência: O Brasil prepara a construção do primeiro Instituto


Pesquisador brasileiro quer descentralizar a ciência

“Queremos entender o que é consciência, o Alzheimer, o Mal de Parkinson”. E conclui: “nenhum laboratório do mundo vai conseguir isso sozinho, porque essas respostas exigem a diversidade de idéias”. Desta forma, o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis define sua nova empreitada: criar institutos de neurociências no Brasil.

Professor titular de Neurobiologia e Engenharia Biomédica e co-diretor do Centro de Neuroengenharia da Duke University, na Carolina do Norte, Estados Unidos, Nicolelis decidiu “espalhar ciência pelo país”. Assim, formou uma equipe com diversos profissionais, como o co-autor do projeto Sidarta Ribeiro e o cientista Cláudio Melo, para trabalhar na criação do “primeiro sonho”: construir o Instituto de Neurociências de Natal (RN).

Para Nicolelis, o Brasil é um país em construção: “Nos Estados Unidos o sonho acabou. Os sonhos, os desafios, estão no Brasil. É um país onde tudo está por fazer. Que desafio pode ser maior?”

A idéia é criar 11 centros brasileiros de pesquisa, distribuídos pelas regiões Norte e Nordeste, funcionando de forma integrada com outros centros de pesquisa nacionais e internacionais.

O primeiro passo foi dado em março, durante o Simpósio Internacional de Neurociências, realizado em Natal, evento que reuniu mais de 40 neurocientistas  de diversos países: “conseguimos trazer até o médico alemão, Erwin Neher, Prêmio Nobel em Medicina de 1991”, orgulha-se Nicolelis.

Perspectivas
Segundo Miguel Nicolelis, o projeto do Instituto de Neurociências de Natal está a pleno vapor: “estamos captando fundos. Criamos a associação Alberto Santos Dumont de Apoio à Pesquisa, que será responsável por levantar, gerir e distribuir os recursos”. E revela: “se tudo der certo, provavelmente, o próximo será no Piauí, mas ainda não posso dar mais detalhes”.

O objetivo é terminar a construção do Instituto até o próximo ano. “Pretendemos construir uma escola que atenda crianças e adolescentes  com novos recursos educacionais e o primeiro Centro de Saúde Mental Infanto Juvenil do Nordeste. O local onde ficará o Instituto tem um dos piores indicadores sociais do Brasil, precisamos tentar reverter esse quadro. O foco da nossa ação social são as crianças.

Vamos criar um serviço de excelência fora do eixo Rio-São Paulo. Esperamos que isso traga ao Brasil a nova neurologia. Queremos trazer uma série de tecnologias e novas idéias”, conclui ele.

Projeto
O neurocientista explica por que decidiu montar os institutos nessas regiões: “em São Paulo é fácil perceber o investimento em ciência. Basta andar pelo Interior e ver aqueles canaviais, a Embraer, fruto do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA). Mas no Norte e Nordeste não é assim, ciência é uma coisa distante da população e isso tem de mudar. Não é simples criar essa estrutura, mas não adianta sentar no pedestal e dizer que sou neurocientista, que trabalho com o cérebro. É necessário explicar para a sociedade por que esse trabalho é fundamental, por que vale a pena investir o dinheiro do contribuinte nisso”.

A idéia é descentralizar a ciência: “vamos tentar ajudar o desenvolvimento de regiões onde não existem investimentos. Assim, escolhemos Natal, mais precisamente Macaíba, porque oferece uma estrutura básica mínima necessária. É uma cidade de médio porte, o que fará com que o Instituto tenha um impacto grande na região. Além disso, Natal já tem uma boa equipe de neurociências formada e uma posição geográfica muito interessante, onde se pode fazer intercâmbio com outros continentes e países”.

Recursos
Para montar o Instituto de Neurociências de Natal, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte doou o terreno, o governo do Estado irá se encarregar da infra-estrutura e o governo federal, colaborará com os recursos para a construção.

“Nos Estados Unidos, captação de recursos faz parte do dia-a-dia do pesquisador”, lembra Nicolelis. Assim, o Instituto de Neurociências pretende procurar fundações, instituições e até mesmo pessoas físicas que queiram financiar o trabalho.

“Começamos agora, temos o terreno e estamos levantando fundos e desenvolvendo  projetos arquitetônicos”, relata ele.

Longe de casa
Vivendo há 16 anos nos Estados Unidos, Miguel Nicolelis ainda sofre com o frio e sente saudade da comida e do futebol. Nascido em São Paulo, no bairro do Bexiga, formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e interessou-se primeiro pelo uso da computação na Medicina: “criei, juntamente com um amigo, a primeira disciplina de informática médica da América Latina, na USP”.

Fez doutorado em fisiologia no Instituto de Ciências Biológicas da USP e, em 1988, viajou para a Filadélfia para cursar pós-doutorado e acabou ficando nos Estados Unidos.

O convite para dar aulas na Duke University ocorreu em 1994, após uma experiência na qual analisava grupos de células: “Em vez de olhar uma célula de cada vez, analisamos grandes grupos que nos permitem chegar mais perto da dinâmica de funcionamento dessa estrutura em termos operacionais”.

O cérebro é um assunto que empolga Nicolelis: “fascina-me o fato de que, talvez mais que o código genético, o cérebro diz o que cada um de nós realmente é, tanto o que temos em comum, como nossas diferenças. Esses circuitos e sua dinâmica explicam porque escrevemos, porque lembramos das coisas, o que sentimos, as tristezas, os nossos medos, nossos amores. Tudo isso está na atividade dos diferentes circuitos cerebrais”.

A intenção de Nicolelis não é abandonar os Estados Unidos. Ele pretende fazer os institutos  no Brasil, mas não estará à frente na administração do trabalho. “Vou colocar a coisa para funcionar, depois começo a batalhar pelo próximo”, finaliza.


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