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EDITORIAL
Escolas de Medicina. Formar mais ou formar melhor?


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Julho: eleição de representantes para o Conselho Federal de Medicina


ATIVIDADES DO CONSELHO 2
Destaques: atuação do Cremesp em Barretos; a criação de cooperativa de anestesiologistas e Curso de Ética em Jundiaí


ATIVIDADES DO CONSELHO 3
Novos serviços, layout e conteúdo do site do Cremesp


CLASSE MÉDICA EM MOVIMENTO 1
Reajuste recorde dos Planos de Saúde torna justo repasse aos honorários médicos


CLASSE MÉDICA EM MOVIMENTO 2
Médicos pressionam operadoras de saúde por todo o país


ESPECIAL: CAMPANHAS DO CREMESP 1
Campanha "Beba Cidadania": entidades podem aderir ao movimento por e-mail


ESPECIAL: CAMPANHAS DO CREMESP 2
Proibição de novos Cursos de Medicina: MEC suspende abertura por mais 180 dias


PESQUISA
A descentralização da ciência: O Brasil prepara a construção do primeiro Instituto


ALERTA CIENTÍFICO
A cocaína é responsável por 25% dos casos de IAM em pacientes entre 18 e 45 anos


SERVIÇO
Veja como funciona o CEARAS - Centro de Estudos e Atendimento Relativos ao Abuso Sexual


AGENDA
Simpósio discute Economia e Saúde; APM em Amparo comemora 25 anos e a oficina de Bioética no Incor, são os destaques


ALERTA ÉTICO
Alerta Ético, Editais e Convocações


PARECER
Envio de prontuários para auditoria em operadoras de planos de saúde


HISTÓRIA
Dr. Bussâmara Neme e Dr. Luiz Camano: depoimentos de vida emocionantes


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Edição 201 - 05/2004

EDITORIAL

Escolas de Medicina. Formar mais ou formar melhor?


Formar mais ou formar melhor?

“São dois os mais fortes dos guerreiros: tempo e paciência”
(Leon Tolstoi)

O Brasil possui hoje 171,5 milhões de habitantes, de acordo com o último recenseamento. No ano de 2030, seremos cerca de 237,7 milhões, conforme projeções da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios para 2002, do IBGE. O crescimento absoluto da população será de 38,5%.

Atualmente, no país, temos cerca de 280 mil médicos em atividade. A média é de um profissional de Medicina para cada 610 habitantes, muito além da preconizada como ideal pela Organização Mundial de Saúde: um para cada 1.000 habitantes.

As escolas de Medicina formam, todos os anos, cerca de 11 mil alunos. Se deste instante até 2030 não for aberta mais nenhuma faculdade nem ampliado o número de vagas, cerca de 280 mil novos médicos já terão adentrado no mercado de trabalho daqui a 26 anos. Portanto, mesmo se contabilizarmos que sofreremos perdas, o crescimento proporcional de profissionais será muito maior que o da população.

A saúde do Brasil vai mal. O sistema público de saúde é precário. O segmento privado não encontrou um ponto de equilíbrio e também gera enormes dores de cabeça para os pacientes, conforme atestam os rankings de reclamações dos órgãos de defesa do consumidor. Temos dados sofríveis no combate à tuberculose, à hanseníase, entre outros. Será que o remédio para esses e outros males é formar mais e mais médicos a cada ano? A resposta, obviamente, é não.

A verdade é que convivemos com distorções irracionais. Exemplo: na capital de São Paulo, temos um médico para cerca de 253 habitantes. No Interior do Amazonas, a relação é de um para 2.242. O problema só tende a se agravar, pois não existe uma política para reverter a má distribuição territorial, que inclua remuneração justa, boas condições de trabalho e atualização constante.

Cerca de 70% dos cursos de Medicina brasileiros estão concentrados no Sul e Sudeste. Porém, também nestas regiões, enfrentamos problemas de distribuição, de falta de incentivo e de boas políticas públicas. Existe um aspecto, no entanto, que merece maior reflexão: muitos médicos estão sendo mal formados!

Desde a década de 90, assistimos à proliferação irresponsável dos cursos de Medicina. São escolas que não oferecem recursos necessários à formação do futuro profissional: têm problemas curriculares, de infra-estrutura e corpos docentes pouco qualificados e itinerantes.
Um raio X do caos: nos últimos oito anos, 37 novos cursos foram criados, apesar de pareceres contrários do Conselho Nacional de Saúde e dos freqüentes alertas de entidades médicas. Já temos 121 escolas médicas e, agora mesmo, mais 46 faculdades aguardam autorização de funcionamento das autoridades responsáveis.

Não existe necessidade social para essa oferta. Em vez de mais médicos, precisamos resolver as questões de distribuição dos profissionais de Medicina e da qualidade do aparelho formador.

Muitas escolas abrem o processo de vestibular com base em intenções futuras de resolver seus problemas de infra-estrutura. Como é que o aluno pode aprender se não tem salas de aula e biblioteca adequadas, laboratórios equipados, hospital-escola e outras ferramentas essenciais à boa formação?

O futuro médico precisa ainda, obrigatoriamente, dominar a área de apoio diagnóstico. Deve conhecer a importância e os limites de cada equipamento, mas tem de saber como trabalhar sem eles, quando necessário, e conhecer os custos que acarretam para o sistema de saúde, se usados com critérios pouco éticos.

O profissional de Medicina de amanhã também precisa conhecer o campo de trabalho.  O contato com a população no atendimento hospitalar, ambulatorial e de urgência é fundamental. Afinal, não existe nada melhor do que a realidade para harmonizar e humanizar a relação médico-paciente.

Do ponto de vista curricular, é mister que as escolas enfatizem os problemas epidemiológicos da comunidade local. É indispensável, ao mesmo tempo, uma formação sólida em ciências básicas, Medicina preventiva, urgência e emergência, saúde pública, pediatria, clínica médica, clínica cirúrgica, assistência obstétrica, entre outros pontos.
Infelizmente, porém, boa parte das escolas de Medicina não atendem às necessidades da boa formação. Os alunos pagam mensalidades altíssimas e recebem em troca um ensino insatisfatório. Sofrem eles próprios, pois encontram dificuldades de colocação no mercado de trabalho, e sofre a população, já que os reflexos de um aprendizado insuficiente estouram na assistência ao cidadão.

Entre os tantos problemas de saúde que temos hoje, o governo precisa atacar com rigor o mal da proliferação indiscriminada de faculdades de Medicina. Suspender novos cursos por tempo indeterminado, investir na qualificação e fiscalização dos que estão em funcionamento, criar políticas de educação continuada são pontos fundamentais para uma profissão em que o conhecimento dobra a cada três anos. Como registrou com propriedade o imortal Paulo Freire, “se a Educação, sozinha, não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda”.

Clóvis Francisco Constantino
Presidente do Cremesp

 


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