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CAPA

EDITORIAL (pág. 2)
João Ladislau Rosa - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág. 3)
Stefan Cunha Ujvari


SAÚDE PÚBLICA (pág. 4)
Suspeitas de dengue podem ser chikungunya


URGÊNCIA E EMERGÊNCIA (pág. 5)
Normatização para atendimento


ANUIDADE 2015 (pág. 6)
Desconto deve ser solicitado online


EXAME DO CREMESP (pág. 7)
Avaliação em nível nacional


SAÚDE SUPLEMENTAR (págs. 8 a 9)
Suspensão de atendimento


VETERANOS (pág. 10)
Reconhecimento


AGENDA DA PRESIDÊNCIA (pág. 11)
Acessibilidade & Cidadania


CONSULTA (pág. 12)
Revalidação de diplomas


JOVENS MÉDICOS (pág. 13)
Prontuário eletrônico


PROCESSO SELETIVO (pág. 14)
Bolsas de pesquisa


HOMENAGEM (pág. 15)
Adib Jatene


BIOÉTICA (pág. 16)
Ebola: atender ou não?


GALERIA DE FOTOS



Edição 320 - 11/2014

ENTREVISTA (pág. 3)

Stefan Cunha Ujvari


O retorno das epidemias

“Há bolsões com cobertura vacinal infantil inferior a 95%, o que os torna vulneráveis à chegada de um viajante infectado no contexto atual da globalização”

 


O sarampo foi arduamente combatido nos últimos anos com campanhas vacinais mundiais. O número de mortes pela doença foi reduzido em 75%, e o vírus chegou a ser erradicado na América. Por que o seu retorno ao Brasil? E a febre chikungunya, uma doença viral parecida com a dengue, também vai se espalhar pelo País? Para responder a essas e outras urgentes questões sobre o quadro epidêmico e as condições de combate às doenças infecciosas no Brasil – em tempos de globalização –, o Jornal do Cremesp ouviu o infectologista Stefan Cunha Ujvari. Mestre pela Unifesp, ele também é autor de livros relacionados à história da Medicina e epidemias, entre eles, A história do século XX pelas descobertas da Medicina, lançado neste ano.


Doenças erradicadas no Brasil, como sarampo e coqueluche, voltaram a registrar casos neste ano. A que se deve esse fato?
Para a doença permanecer extinta precisamos manter uma porcentagem elevada de crianças vacinadas, o que não ocorre de maneira homogênea em nosso território. Há bolsões com cobertura vacinal infantil infe­rior a 95%, o que os torna vulneráveis à chegada de um viajante infectado no contexto atual da globalização. Aliado a isso, países desenvolvidos na América do Norte e Europa enfrentam dificuldades em manter elevada a taxa de vacinação infantil. Parcelas da sociedade nessas nações não vacinam seus filhos por fatores filosóficos, religiosos ou receios de falsos malefícios divulgados por grupos contrários à vacinação nos meios de comunicação. Conclusão: países em desenvolvimento não atingem a meta ideal de vacinação por problemas econômicos e sociais; já os países desenvolvidos, por propagandas contrárias à vacinação. Emergem, com isso, epidemias na Europa, Estados Unidos da América, África e Ásia. Viajantes infectados trazem a doença para nossas re­giões com menor cobertura vacinal ocasionando epidemias isoladas. Já a coqueluche apresenta outro agravante. Adultos desenvolvem a doença com sinais e sintomas não muito claros. Isso retarda o diagnóstico e mantém a eliminação bacteriana pelos doentes. Trans­­mitem a doença, no domicílio, para crianças com menos de um ano de vida e, portanto, com a vacinação ainda incompleta. O retardo no diagnóstico favorece a circulação bacteriana.


O Ministério da Saúde informou uma diminuição do número de casos de dengue no País. Apesar disso, mais de 550 cidades estão em situação de risco. As medidas de controle da dengue têm sido eficazes?
O mosquito transmissor da dengue se tornou um problema de saúde pública mundial. Oswaldo Cruz o eliminou da cidade do Rio de Janeiro, no início do século XX, à custa da busca de caixas de água, poços, cisternas e lagoas urbanas. Hoje, lidamos com intensa e caótica urbanização, em um mundo de 7 bilhões de habitantes com seus quintais e terrenos adjacentes entulhados por resíduos industriais que coletam água da chuva. A eliminação do mosquito de uma nação é impossível. Portanto, apenas nos resta controlar sua proliferação. E isso deve ser enfrentado por toda parcela da sociedade. Cada cidadão deve ser responsável pelo seu domicílio em busca de recipientes que armazenem a água da chuva. Do mesmo modo, o governo precisa implementar campanhas de divulgação e orientação à população, bem como contratar e aparelhar as equipes de busca de focos dos mosquitos. É necessária a melhoria no combate ao mosquito por parte dos governos, mas também por parte de cada cidadão.


Em relação à febre chikungunya, há risco de que se transforme em epidemia?
Os mosquitos Aedes aegypti se encarregaram de transmitir a doença pelo litoral leste africano, e os viajantes de levar o vírus às nações vizinhas. Nos últimos dez anos, presenciamos o alastramento viral progressivo nos países banhados pelo Oceano Índico. As epidemias seguiram pelas ilhas desse oceano, chegaram à Índia, sudeste asiático e Indonésia. A globalização humana trouxe infectados ao Caribe, e as epidemias se espalharam, desde dezembro de 2013, por essa região. Inevitavelmente o vírus entrou no Brasil, com epidemias na Bahia e Amapá. O exemplo da história de outras infecções transmitidas pe­lo mosquito se repetirá: será quase certo que viveremos epidemias da doença nas épocas de chuvas.


Há diferença nos protocolos de atendimento a pacientes com suspeita de dengue ou chikungunya?
Ambas as doenças podem confundir o diagnóstico em um momento inicial. Caso tenhamos disponibilidade de testes específicos para a realização do diagnóstico desde o primeiro dia de sintomas, a diferenciação será fácil. Porém, se dependermos apenas das sorologias, teremos de aguardar os dias em que os exames apresentam positividade: ao redor do terceiro dia para o chikungunya e sexto para a dengue. No aguardo do diagnóstico preciso, o ideal seria manter o protocolo de condução da dengue, que consiste em hidratação, exames de monitoramento e abolir medicamentos que favoreçam sangramentos, por se tratar de uma doença potencialmente letal. Uma vez identificada co­mo chikungunya, podemos reduzir a intensidade de hidratação e liberar medicamentos para a intensa dor articular.


Se o vírus ebola que atinge países da África chegar ao Brasil, o sistema de saúde estará apto a contingenciá-lo?
O ebola atingiu, pela primeira vez, centros urbanos com elevada densidade populacional. Por isso, as epidemias em Serra Leoa, Guiné e Libéria. Por outro lado, a epidemia ainda reina com elevada mortalidade por uma única causa: a pobreza. O Brasil pode receber um doente pelo volume de viagens interna­cionais. Porém, contamos com toda a infraestrutura para bloquear uma epidemia. Exemplo disso é o fato ocorrido na Nigéria, país mais populoso da África. O governo nige­riano detectou um caso de ebola vindo da região afetada. O paciente foi isolado e todos os seus contatos foram monitorados, uma vez que o vírus só é transmitido quando se iniciam os sintomas e a febre. Alguns doentes surgiram em função disso, mas foram imediatamente isolados. Seus novos contatos foram acrescidos à lista de monitoramento. O número total de doentes chegou a 20, mas a epidemia foi controlada pelas medidas adequadas e rigorosas formuladas pelo governo.

 


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