PESQUISA  
 
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CAPA

EDITORIAL (pág. 2)
João Ladislau Rosa - Presidente do Cremesp


ENTREVISTA (pág.3)
Jair Mari


TRIBUTOS (pág. 4)
Cobrança indevida do ISS


AUDIÊNCIA PÚBLICA (pág. 5)
Cremesp ouve médicos da Zona Leste


EVENTOS (pág.6)
Canabidiol


ENSINO MÉDICO (pág. 7)
Exame do Cremesp 2014


SAÚDE SUPLEMENTAR (pág. 8)
Trabalho médico


PESQUISA (pág. 9)
Dados mostram que paulistas reprovam a saúde pública


ANATOMIA PATOLÓGICA (pág. 10)
Resolução do CFM nº 2.074/2014


GESTÃO DA SAÚDE (pág. 11)
A crise nos hospitais filantrópicos


AGENDA DA PRESIDÊNCIA (pág. 12)
Demografia Médica Brasileira


JOVENS MÉDICOS (pág. 13)
Diretrizes para plantonistas


MÉDICOS RESIDENTES (pág. 15)
Relação médico-paciente


BIOÉTICA (pág. 16)
Comissões de Étcia Médica


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Edição 317 - 08/2014

PESQUISA (pág. 9)

Dados mostram que paulistas reprovam a saúde pública


51% estão insatisfeitos com o Sistema Público de Saúde

Pesquisa APM/Datafolha aponta insatisfação geral com a Saúde brasileira. Cirurgia é serviço com acesso mais difícil para 62% dos entrevistados


A maioria da população do Estado de São Paulo avalia negativamente a saúde brasileira em geral e o Sistema Único de Saúde (SUS) em particular, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Datafolha, divulgada no dia 12 de agosto. De uma escala de zero (péssimo) a dez (excelente), 63% dos 812 entrevistados do Interior e da Capital atribuíram notas de, no máximo, quatro à saúde em geral. Já em relação ao SUS, a insatisfação foi apontada por 51% dos entrevistados.

O estudo, encomendado pela Associação Paulista de Medicina (APM), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), abordou outros tópicos referentes aos serviços de saúde, como acesso, qualidade do atendimento, tempo de espera e avaliação de programas – entre eles o de distribuição de medicamentos e o de Saúde da Família.

Serviços
Os entrevistados foram questionados se buscaram, nos últimos dois anos, acesso a serviços do SUS como consultas médicas, internações hospitalares, exames de laboratório (sangue, ultrassons, raios-X etc), atendimento de emergência em pronto socorro, cirurgias, procedimentos (quimioterapia, radioterapia, hemodiálise etc), atendimento em postos de saúde, remédios distribuídos gratuitamente e atendimento em casa. Do total, 94% procuraram o SUS nesse período e 92% utilizaram algum serviço no mesmo espaço de tempo. Para todos os serviços, o acesso foi considerado difícil ou muito difícil por uma parte expressiva dos entrevistados. A cirurgia foi apontada como o serviço com acesso mais difícil. As avaliações de difícil e muito difícil somam 62% para esse tópico.

Os índices de difícil e muito difícil também ficaram em patamares preocupantes nos demais serviços: consultas com médicos (54%); atendimento de emergência em pronto-socorro (52%); procedimentos específicos (43%); internações hospitalares (50%); exames de laboratório (47%); atendimento médico da rede pública em casa (47%); atendimento nos postos de saúde (47%); e remédios distribuídos gratuitamente pela rede (38%).

“Os números corroboram a percepção dos médicos, dos profissionais da saúde e dos pacientes que sofrem todos os dias com as deficiências da oferta de serviços públicos no País. Eles também evidenciam a precariedade das políticas públicas para a área e os problemas de gestão”, afirmou Florisval Meinão, presidente da APM.

Recursos
Quanto aos recursos, a grande maioria dos entrevistados tem uma percepção crítica do SUS. Nas questões “o SUS consegue atender bem a todos, em igualdade de condições” e “os recursos são bem administrados”, 80% responderam que não. Também há a percepção de que a rede pública não possui todos os medicamentos necessários e que não é possível obter todos os remédios.

O presidente do Cremesp, João Ladislau Rosa, que participou da apresentação dos resultados da pesquisa, lembrou que o SUS surgiu há 26 anos e representou um avanço, já que antes o sistema de saúde do país dividia os brasileiros em duas categorias, garantindo assistência médica a quem tinha carteira de trabalho assinada, e atendendo aos demais co­mo indigentes. “Mas o SUS cresceu na dependência do interesse econômico e paga bem um transplante ou tratamento oncológico, em detrimento do atendimento prestado pela estratégia de Saúde da Família”, comentou. Para ele, não há investimento no médico que quer trabalhar no SUS, os salários são baixos e as condições de atendimento, precárias. “Falta planejamento à saúde do País, investimento e valorização de seus profissionais”, completou o presidente do Cremesp.

 

 

 


 

Metodologia

A pesquisa quantitativa do Datafolha foi realizado com paulistas maiores de 16 anos, abordados em pontos de fluxo populacional. Foram ouvidas pessoas de todas as classes econômicas, sendo que a coleta ocorreu de 3 a 10 de junho de 2014. A amostra, de 812 entrevistas, foi dividida entre a região metropolitana da Capital (47%) e municípios do Interior (53%). A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

 


 

Outros dados da pesquisa

 

  • Mais de 1/3 dos pau­listas (37%) declaram estar aguardando (o entrevistado ou alguém da casa) marcação ou realização de consulta, exame, procedimento ou cirurgia, pelo SUS;
     
  • As Avaliações mais críticas no atendimento são em pronto-socorro, em postos de saúde, consultas com médicos e exames de laboratório;
     
  • A imagem do SUS é um pouco mais positiva, inclusive entre não usuários, em procedimentos mais sofisticados e de aces­so restrito (cirurgias, procedimentos como quimio­te­rapia, radioterapia e he­mo­diálise), distribuição gratuita de remédios e programa Saúde da Família;
     
  • Maioria dos paulistas (80%) discorda de que o SUS consegue atender bem a todos, em igualdade de condições e de que seus recursos são bem administrados.

 


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